08 de Julho, 2013 - 11:00 ( Brasília )

Geopolítica

Dominó Árabe - “A guerra irá se alastrar longe para além do Oriente Médio”


Viktor Cheburashkin

A comunidade mundial ficou comovida com um vídeo arrepiante difundido na rede global. As imagens mostram islamistas radicais, partidários da oposição síria, massacrando brutalmente o padre católico François Murad e outros dois cristãos. Gritando “Allahu Akbar”, os terroristas rebeldes decapitam três homens, enquanto as pessoas reunidas em torno, entre as quais há crianças, estão observando a execução pública e inclusive a filmam com celulares. De acordo com a agência de notícias do Vaticano, os rebeldes atacaram o mosteiro em que moravam suas vítimas.

Esses assassinatos tornaram-se mais uma prova de perseguições a cristãos no Oriente Médio, agora na Síria, declarou em entrevista à Voz da Rússia José Manuel Vidal, prestigioso especialista espanhol em assuntos relativos ao Vaticano e diretor do portal católico Religión Digital:

“É evidente a perseguição aos cristãos na Síria, sobretudo após a guerra civil ter começado no país. O assassinato foi cometido, é um fato confirmado pelos franciscanos e pelo próprio Vaticano.”

José Manuel Vidal mostrou-se preocupado com o fato de os cristãos sírios, tal como outros compatriotas seus, abandonarem em massa o país devido à escalada do conflito interno e por temor de uma possível chegada ao poder de islamistas radicais em caso de queda do regime de Bashar Assad:

“Se os islamistas tomarem o poder na Síria, os cristãos enfrentarão maiores dificuldades do que as que tinham tido até agora. No Vaticano se dão conta disso perfeitamente. O Papa Francisco em várias ocasiões exortou as partes beligerantes a pôr fim à guerra e se sentarem à mesa de negociações. Além disso, ele apelou a altos representantes do Vaticano, em particular, a Nunciatura de Damasco, para mediarem no conflito.”

Por sua vez, o presidente da Associação Catalã de Vítimas de Organizações Terroristas (ACVOT), José Vargas, disse à Voz da Rússia que é imprescindível pôr termo o mais depressa possível à violência na Síria, visto que já ameaça a segurança internacional:

“Estou muito preocupado com o fato de a maioria dos rebeldes sírios serem islamistas radicais e extremistas que têm uma mentalidade expressamente terrorista. A comunidade internacional tem que tomar medidas a respeito; caso contrário, nesse país nunca haverá paz, e, por conseguinte, a guerra irá se alastrar longe para além do Oriente Médio.”