01 de Julho, 2013 - 11:45 ( Brasília )

Geopolítica

Alemanha diz que postura de "Guerra Fria" dos EUA seria inaceitável


A Alemanha afirmou nesta segunda-feira que a ampla espionagem norte-americana na Europa, se confirmada, representa um inaceitável comportamento herdado da Guerra Fria, algo incompatível com a confiança exigida entre dois parceiros que tentam criar uma nova área de livre-comércio entre os dois lados do Atlântico.

"Se for confirmado que representações diplomáticas da União Europeia e países europeus individuais foram espionados, vamos claramente dizer que grampear amigos é inaceitável", disse Steffen Seibert, porta-voz da primeira-ministra alemã, Angela Merkel.

"Não estamos mais na Guerra Fria", disse ele.

Seibert afirmou que o governo alemão se sentiu surpreso e "alienado" pelas denúncias e que transmitiu isso à Casa Branca. O porta-voz acrescentou que Merkel pretende conversar diretamente sobre o assunto em breve com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

No mês passado, a revelação de que o governo dos EUA monitorava secretamente as comunicações telefônicas e digitais de milhões de pessoas já havia causado indignação na Europa.

Esse sentimento foi exacerbado no fim de semana, quando a revista Der Spiegel informou que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA havia grampeado comunicações em escritórios da UE em Washington, Bruxelas e na Organização das Nações Unidas (ONU).

Defendendo essas atividades, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que a maioria dos governos usa "muitas atividades" para defender seus interesses.

Segundo a Der Spiegel, em um mês habitual a NSA monitora 500 milhões de telefonemas, e-mails e mensagens de texto na Alemanha, uma atividade muito mais intensa do que qualquer outro país.

A União Europeia exigiu explicações, e o ministério alemão de Relações Exteriores convocou o embaixador dos Estados Unidos para discutir a questão nesta segunda-feira, segundo autoridades.

Políticos da UE disseram que as discussões entre o bloco e os EUA para a criação da maior zona de livre comércio do mundo podem ficar ameaçadas. Seibert disse que a Alemanha deseja esse acordo, mas que a negociação deve ocorrer "em uma atmosfera de confiança e em um terreno de jogo nivelado".