14 de Junho, 2013 - 12:14 ( Brasília )

Geopolítica

Dominó Árabe - EUA avaliam zona de exclusão aérea na Síria

França acha "improvável" que ONU apoie exclusão aérea na Síria

Dirigentes militares americanos propuseram ao governo que seja estabelecida uma zona de exclusão aérea na Síria, assim como a entrega de armas, informou nesta sexta-feira a imprensa americana. Até o momento, Washington só proporcionou - oficialmente - ajuda não letal aos rebeldes sírios.

A zona de exclusão aérea proposta se estenderia 40 km dentro da Síria, e seria aplicada por aviões militares no espaço a partir da Jordânia e armados com mísseis ar-ar, informou o The Wall Street Journal, que cita funcionários não identificados.

O jornal também informa que o presidente Barack Obama emitiu uma ordem secreta à Agência Central de Inteligência (CIA) para que coordene com os aliados dos Estados Unidos a entrega de armas aos rebeldes.

O material para os rebeldes incluiria armas pequenas, munições e armas antitanques, embora não antiaéreas, indicou, por sua parte, o The New York Times, que também cita funcionários não identificados.

Especialistas militares advertem há tempos que uma zona de exclusão aérea poderia requerer por parte de aviões ocidentais a destruição das relativamente boas defesas da Síria. Mas, de acordo com o Journal, os autores do plano americano acreditam que esta zona de exclusão pode vir a ser imposta num prazo de um mês sem ter de destruir as baterias antiaéreas sírias.

Essa decisão pode, inclusive, ser tomada sem uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas porque os aviões americanos não entrariam regularmente no espaço aéreo sírio, e os militares americanos não interfeririam no território do país. Os funcionários alegam que a zona de exclusão é necessária para montar um acampamento para treinar os rebeldes.

Esta zona de exclusão aérea limitada custaria 50 milhões de dólares por dia, muito menos que uma zona de exclusão que abrangesse todo o espaço aéreo sírio. Os funcionários americanos esperam que os aliados de Washington ajudem a cobrir os custos.

Aviões americanos voariam da Jordânia - onde já foram posicionados mísseis Patriot e caças F-16 - e de navios no Mediterrâneo e no Mar Vermelho, indicou o Journal.

O senador republicano John McCain defende no Congresso o estabelecimento desta zona de exclusão aérea na Síria, alegando que, caso contrário, os rebeldes jamais terão uma oportunidade contra as forças do regime de Bashar al-Assad, a menos que seus jatos sejam neutralizados.

"Podemos estabelecer uma zona de exclusão aérea sem enviar um único avião tripulado à Síria... e podemos mudar de equação no campo de batalha", afirmou McCain na quinta-feira.

França acha "improvável" que ONU apoie exclusão aérea na Síria

A França disse nesta sexta-feira que dificilmente o Conselho de Segurança da ONU aprovará a implantação de uma zona de exclusão aérea na Síria. Diplomatas ocidentais dizem que os EUA cogitam impor uma zona de exclusão aérea no sul da Síria, perto da fronteira com a Jordânia, como forma de coibir ataques das forças governamentais aos rebeldes que há dois anos lutam contra o governo de Bashar al-Assad.

"O problema com esse tipo de medida é que ela só pode ser implantada com a aprovação da comunidade internacional", disse Philippe Lalliot, porta-voz da chancelaria francesa, a jornalistas. "Uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas é necessária, e não só qualquer decisão", afirmou. Ele acrescentou que essa decisão exigiria uma resolução amparada no artigo 7º da Carta da ONU, autorizando uma ação militar, e que isso é improvável.

A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, é aliada de Assad, e barra sistematicamente qualquer tentativa de intervenção da comunidade internacional nesse conflito.

Lalliot disse que a França ainda não tomou uma decisão sobre entregar armas aos rebeldes, mas que essas questões serão discutidas na cúpula do G8 na semana que vem no Reino Unido.

Com agências Reuters/AFP