28 de Maio, 2013 - 11:11 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia e China planejam manobras antiterroristas


Natália Kasho

A Rússia e China irão treinar a tática de interação de unidades militares no caso de ameaça comum à segurança, comunicou o comandante das tropas da Região Militar Central, Evgueni Ustinov, não referindo outros detalhes.

Entretanto, como se comunicara anteriormente, são previstas as maiores manobras de tropas terrestres em toda a história da cooperação entre Moscou e Pequim.

As manobras conjuntas da Rússia e da China sempre provocam interesse e tensão tanto na Ásia, como no Ocidente. No ano passado, por exemplo, foram amplamente comentados os exercícios navais russo-chineses de envergadura no mar Amarelo, em que participaram 25 vasos de guerra, dois submarinos, mais de uma dezena de aviões e helicópteros e unidades de desembarque.

Moscou e Pequim avisaram antecipadamente os parceiros que as manobras não têm qualquer ameaça para terceiros países e não são relacionadas com litígios territoriais.

No ano em curso, as manobras terrestres são qualificadas como antiterroristas e isso é compreensível. Os Estados Unidos e a OTAN abandonam o Afeganistão no próximo ano. Ao mesmo tempo, a ameaça terrorista que representa aquele país para a região ainda permanece. Não é casual que a Rússia, China e quatro países da Ásia Central efetuam anualmente exercícios antiterroristas no quadro da Organização de Cooperação de Xangai.

Mas, ao que tudo indica, os militares chineses e russos consideram que tais manobras não são suficientes para reagir adequadamente a possíveis ameaças. A Rússia e China precisam de apoio recíproco para ter fronteiras protegidas e responder em conjunto a ameaças à segurança geral.

Neste contexto, alguns peritos militares chineses até propõem em conversas não oficiais a ideia de constituir uma aliança militar-política de Moscou e de Pequim. Se o Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Singapura têm aliado na pessoa dos Estados Unidos, por que razão a China deve ficar em solidão? – perguntam blogueiros chineses.

Tal opinião tem argumentos, considera Konstantin Sivkov, perito da Academia de Problemas Geopolíticos da Rússia:

“A opinião de blogueiros chineses é absolutamente justa desde o ponto de vista geopolítico. Uma aliança da Rússia e da China permitirá, no fundo, abraçar todo continente eurasiático. Este bloco será invencível no plano militar-político. A Rússia e China, como aliados, terão uma situação geopolítica exclusivamente vantajosa”.

Contudo, não seria justo falar hoje sobre a constituição de uma aliança militar dos dois países. Por enquanto, só é possível abordar a interação, sustenta o diretor do Centro de Pesquisas Sociopolíticas, Vladimir Evseev:

“A discussão sobre as relações aliadas entre a Rússia e China é prematura. Temos fortes contatos econômicos e políticos, mas há uma inquietação recíproca na área da segurança. Tal explica-se, em particular, por diferentes potenciais militares e econômicos. Na medida de a China se transformar num centro de força, a possibilidade de construir relações aliadas irá diminuir. Pode ser discutida só uma parceria estratégica e não mais do que isso”.

Sem dúvida, as manobras terrestres conjuntas irão reforçar a disposição combativa da Rússia e da China. Ao mesmo tempo, Pequim precisa muito de reforço da cooperação com Moscou, porque se transformou no principal concorrente dos Estados Unidos na Ásia. A China depara com a necessidade de contrapor-se à crescente influência do bloco com a participação dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul.

Ao mesmo tempo, cresce a presença militar dos EUA no Pacífico. Nestas condições, Pequim quer ter certeza de que sua cooperação defensiva com Moscou irá reforçar o seu potencial militar. Entretanto, a China não tem tal experiência de interação com exércitos-parceiros com a dos Estados Unidos e por isso as manobras militares com a Rússia preencherão em certo grau esta lacuna.