01 de Março, 2011 - 11:10 ( Brasília )

Geopolítica

Líbia - Ataque para destruir toda a infraestrutura


Roberto Godoy

O reposicionamento das tropas, navios e aviões americanos ao redor da Líbia significa, sim, o início de uma escalada militar na crise. Não é pouco. Só o Grupo de Batalha liderado pelo porta-aviões nuclear CVN-70 "Carl Vinson", a principal força da 5.ª Frota da Marinha, mantida no Bahrein - e responsável pela vigilância de 2,5 milhões de milhas quadradas -, reúne 90 aeronaves. São caças do tipo F/A-18 Super Hornet, helicópteros, jatos de coleta de informações e unidades de transporte leve de forças especiais. Tem ainda mais dois cruzadores, três destróieres e duas fragatas, além de, eventualmente, um submarino. Na mesma região, os EUA dispõem de um grupo anfíbio de desembarque formado por fuzileiros navais, os marines. No Mediterrâneo há outra frota pronta - é a 6ª, do mesmo tamanho, igual poder de fogo e resposta rápida à mobilização.

A flotilha é armada com mísseis de cruzeiro de variado tipo e grande precisão. Seriam usados para neutralizar a precária infraestrutura do país durante o primeiro e devastador ataque aéreo, parte fundamental da doutrina dos EUA. Caberia à aviação embarcada destruir as instalações militares. Um problema e tanto: a maior parte das bases e comandos está localizada no meio, ou na periferia habitada, das cidades.

O Carl Vinson, pronto para entrar em ação, desloca 101,3 mil toneladas e mede 332,8 metros de comprimento. A bordo, seguem cerca de 5,6 mil homens e mulheres. Há tropas americanas em 18 nações da África, Oriente Médio e da linha do limite da Europa próximo do norte africano - na Itália, na Grécia e na Turquia, principalmente.

Uma ofensiva sobre a Líbia seria executada pelas forças da Otan sob o mandato da ONU; lideradas pelos EUA. O comando conjunto seguiria o modelo das coalizões formadas desde 2001 nas operações do Afeganistão e do Iraque. Discretamente, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e Itália despacharam para a área navios de guerra sob o pretexto de garantir a retirada de cidadãos. A chanceler alemã, Angela Merkel, foi explícita: enviou 600 soldados de elite, três corvetas e dois aviões para retirar 132 civis. No caminho, encontraram a fragata Cumberland e o destróier York, ambos da Marinha Inglesa, no mesmo rumo da Líbia.