09 de Abril, 2013 - 00:59 ( Brasília )

Geopolítica

"Anti-imperialistas" - PCdoB envia carta de solidariedade à Coreia do Norte; PT nega endosso

Manifesto do PCdoB em nome de entidades "progressistas e anti-imperialistas" chama a Coreia do Sul de "fantoche" dos Estados Unidos

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) enviou uma carta à embaixada da Coreia do Norte em Brasília em solidariedade a Pyongyang, cujo governo liderado pelo jovem líder Kim Jong-un protagoniza a recente escalda da tensão nuclear na Península da Coreia. A nota divulgada pelo partido, datada do dia 2 de abril, leva os nomes de 19 entidades. Entre elas está o Partido dos Trabalhadores (PT), que, em nota nesta segunda-feira, negou endosso ao conteúdo do manifesto dos comunistas.

A carta publicada pelo PCdoB afirma que os Estados Unidos têm "participação direta" na escalada da tensão no leste asiático e afirma que a Coreia do Sul é uma "fantoche aliada" dos americanos, cujos "parceiros (...) ameaçam a paz no mundo e da região". Nela, afirma-se a necessidade de incentivar "a humanidade e os povos progressistas" que "se opõem à guerra" para se manifestar em nome da "Paz" e "contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA".

Citado entre os apoiadores do manifesto, o PT negou, por meio de nota divulgada hoje, que tenha assinado a carta-manifesto. A nota do PT enfatiza que o partido da presidente Dilma Rousseff não sabia da existência do documento dos comunistas e afirma discordar da afirmação de que o governo de Seul seria um "fantoche" dos EUA.

As últimas semanas do leste asiático foram marcadas pelo endurecimento da retórica bélica de Kim Jong-un, o jovem lider norte-coreano que ascendeu à dianteira do país após a morte de seu pai, Kim Jong-il. Pyongyang vem protagonizando a escalada do medo de uma eventual guerra nuclear na região com frequentes anúncios de prontidão para um ataque contre Seul.

Os Estados Unidos, aliados da Coreia do Sul e do Japão, criticaram o movimento da Coreia do Norte, que também se viu isolada nestas últimas semanas sem o apoio dos seus principais aliados, a China e a Rússia.