18 de Maio, 2011 - 09:12 ( Brasília )

Geopolítica

Expansão Chinesa - China tenta impedir publicação da ONU sobre armas nucleares


A China tenta impedir a publicação de um relatório de um grupo de especialistas da ONU no qual se afirma que a Coreia do Norte e o Irã colaboram em matéria nuclear e que trocaram material balístico, o que violaria as sanções do organismo, disseram nesta terça-feira fontes diplomáticas.

Essas fontes, que preferiram se manter no anonimato, explicaram à Agência Efe que o relatório revela que os dois países trocaram regularmente material balístico e nuclear através de um terceiro país, que identificaram como a China, por isso que Pequim estaria tentando evitar que as conclusões do estudo fossem divulgadas.

"(A China) necessita de mais tempo para estudar um relatório que se transformou em uma pedra no sapato de Pequim, porque demonstra certo relaxamento na hora de fazer cumprir as sanções da ONU", assinalaram as mesmas fontes diplomáticas.

O relatório, que tem mais de 80 páginas e ao qual, por enquanto, apenas os 15 membros do Conselho de Segurança têm acesso, destaca o preocupante grau de colaboração entre a Coreia do Norte e o Irã e revela que Pyongyang também importa armas convencionais, assim como produtos de luxo, disseram as fontes.

Acrescentaram que o documento assinala, entre outros assuntos, que "objetos relacionados com mísseis balísticos proibidos foram transferidos entre a Coreia do Norte e o Irã de maneira regular através de voos de Air Koryo e Iran Air que fazem baldeação em um terceiro país".

Além disso, Pyongyang teria exportado "tecnologia, componentes e sistemas de mísseis a clientes no Oriente Médio e no Sul da Ásia", e, graças a essa troca, teria desenvolvido mísseis mais sofisticados.

Um dos sete especialistas que integram o grupo é um chinês, que se negou a assinar o documento, revelaram as fontes diplomáticas, que acrescentaram que ele pediu mais tempo para analisar as conclusões do relatório.

Por sua vez, o embaixador português perante a ONU, José Filipe Cabral, presidente do comitê de sanções do organismo, reconheceu perante a imprensa que "um dos membros do painel não assinou o relatório", o que ele lamentou, já que "a coesão entre os especialistas é muito importante".

O Conselho de Segurança da ONU começou a aplicar sanções sobre a Coreia do Norte em 2006, depois que Pyongyang realizou um teste nuclear, e as reforçou em junho de 2009 em resposta ao segundo teste nuclear do regime comunista.