01 de Abril, 2013 - 10:38 ( Brasília )

Geopolítica

Seul revela plano de "dissuasão ativa" perante ameaça norte-coreana

Tensão aumentou no final da última semana após a Coreia do Norte declarar que estava em estado de guerra

A Coreia do Sul revelou nesta segunda-feira detalhes sobre seu futuro plano de emergência de "dissuasão ativa", que permitirá ao Exército lançar uma ação preventiva contra a Coreia do Norte se mostrar sinais de um ataque nuclear ou de mísseis iminente.

O ministro da Defesa, Kim Kwan-jin, entregou à presidente Park Geun-hye um relatório anual que inclui o novo plano de contingência, em um ambiente marcado pela tensão após as contínuas ameaças a Seul e Washington do regime de Kim Jong-un.

O ministro resumiu que o Exército sul-coreano está traçando uma "dissuasão ativa" e "criará um sistema de ataque para neutralizar rapidamente as ameaças nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, enquanto melhora significativamente sua capacidade de vigilância e reconhecimento".

A Defesa acelerará para antes da data prevista de 2015 o desdobramento de um sistema conhecido como "kill chain" ou "cadeia de destruição", capaz de detectar, apontar e destruir alvos nucleares e de mísseis da Coreia do Norte.

O Ministério sul-coreano também acelerará a criação e implementação de um sistema próprio de defesa antimísseis, antecipará o desdobramento de aviões espiões americanos Global Hawk e para 2021 planeja colocar em órbita pelo menos dois satélites militares de espionagem.

O novo plano de contingência perante a ameaça norte-coreana será formalizado em outubro deste ano, quando os chefes de Defesa da Coreia do Sul e EUA fazem sua reunião anual em matéria de segurança, segundo o Ministério.

A apresentação hoje do relatório responde à prolongada campanha de ameaças a Seul e Washington que a Coreia do Norte iniciou no começo de março, quando a ONU ampliou suas sanções ao país comunista por causa de seu recente teste nuclear de fevereiro.

Presidente sul-coreana ordena 'resposta com força' caso Norte ataque

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, ordenou nesta segunda-feira ao Exército de seu país "responder com força", sem levar em conta "considerações políticas", no caso de um ataque da Coreia do Norte. Ela disse que seu país fará uma "enérgica" represália a qualquer provocação norte-coreana, com o respaldo dos Estados Unidos, que enviou caças F-22 à península em um momento de grande tensão com o regime norte-coreano.

No sábado, Pyongyang anunciou que se encontrava em "estado de guerra" com a Coreia do Sul. As duas Coreias estão tecnicamente em guerra, pois a Guerra da Coreia de 1950-53 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.

A presidente sul-coreana, líder dos conservadores e falcões do país, se reuniu com altos oficiais das Forças Armadas e com o ministro da Defesa, Kim Kwan-jin. Park disse que leva a sério as ameaças diárias do Norte. "Acredito que devemos executar uma represália enérgica e imediata, sem nenhuma outra consideração política se (a Coreia do Norte) protagonizar qualquer provocação contra nosso povo", disse.

O ministro da Defesa afirmou que Seul executará, em caso de necessidade, ataques preventivos contra as instalações nucleares e militares norte-coreanas. "Nós realizaríamos rapidamente o que se chama de 'dissuasão ativa' para neutralizar as ameaças nucleares e balísticas do Norte", advertiu.

A tensão na Península Coreana é grande desde dezembro, quando o Norte executou com sucesso um lançamento de foguete, considerado pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul como um disparo de teste de míssil balístico. Depois, Pyongyang executou em fevereiro o terceiro teste nuclear, o que provocou a adoção, no início de março, de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU.

Park, primeira mulher a presidir o país e uma política conservadora que defendeu uma relação de compromisso cauteloso com o Norte durante a campanha eleitoral, passou a adotar uma linha mais dura desde que assumiu o poder em fevereiro, pouco depois da Coreia do Norte executar seu terceiro teste nuclear. 

As tensões militares entre as duas nações aumentaram de maneira dramática nas últimas semanas, quando a Coreia do Norte intensificou a retórica belicista contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Em protesto contra as manobras militares conjuntas realizadas por Coreia do Sul e Estados Unidos, o governo do Norte declarou nulo o armistício que interrompeu a guerra da Coreia em 1953 e ameaçou com um "ataque nuclear preventivo" contra alvos sul-coreanos e americanos.

Os governos da Coreia do Sul e Estados Unidos já alertaram Pyongyang sobre as severas repercussões de qualquer agressão. Washington enviou à região bombardeiros B-52 e B-2, com capacidade de cargas nucleares, assim como caças F-22. Uma fonte das forças americanas informou que caças F-22 Raptor chegaram no domingo a Coreia do Sul para participar nos exercícios anuais "Foal Eagle", que prosseguem até 30 de abril.

No domingo, o líder norte-coreano Kim Jong-un presidiu uma reunião do comitê central do partido único, o Partido do Trabalho. O comitê decidiu que o direito de possuir armas nucleares "deverá estar inscrito na lei" e que seu arsenal será melhorado "em qualidade e em quantidade". No sábado, a Rússia pediu às duas Coreias e aos Estados Unidos "mais responsabilidade e moderação".

O secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, destacou que Washington não se deixará intimidar pelas ameaças bélicas de Pyongyang e está preparado para enfrentar "qualquer eventualidade".

 

Com informações adicionais da agências AFP/ EFE