14 de Março, 2013 - 11:20 ( Brasília )

Geopolítica

Argentina ameaça concessão da Vale

Governo de Cristina Kirchner endurece o discurso depois que a mineradora brasileira decidiu paralisar projeto de extração de potássio

O governo argentino ameaçou ontem revogar a concessão dada à Vale para explorar as jazidas de potássio do projeto Rio Colorado, na província de Mendoza, depois que a empresa anunciou a paralisação do empreendimento, na última segunda-feira, o que poderá provocar a demissão de 6 mil trabalhadores. Segundo fontes com conhecimento direto do assunto, a companhia pretende vender os ativos para recuperar os US$ 2,2 bilhões que já investiu na área de mineração.

“A empresa violou a segurança jurídica e as leis da Argentina e de Mendoza, em particular, que outorgou a concessão. E se não a explorarem, vão perdê-la”, disse o ministro do Planejamento, Julio de Vido, em discurso na Casa Rosada, sede do Executivo argentino. “Em questões de investimento, a segurança jurídica é um caminho duplo de ida e volta”, acrescentou o ministro. “Se (as reservas de potássio) não são exploradas e não há produção, está sendo violado o contrato de concessão que a província outorgou à Vale.”

O governo argentino acusa a mineradora de pleitear US$ 3 bilhões em reduções fiscais e outros benefícios para dar continuidade ao projeto. No mesmo evento, o governador de Mendoza, Francisco Perez, citou a presidente do país, Cristina Kirchner, dizendo que o empreendimento será levado adiante “com ou sem a Vale”. O Rio Colorado deveria transformar a Argentina em um dos maiores exportadores de potássio, matéria-prima usada para produzir fertilizantes. A produção seria direcionada principalmente para o Brasil, que compra do Canadá e da Jordânia 90% do potássio que consome.

Procurada, a Vale disse que não comentaria a informação sobre a venda dos ativos, operação que poderá ser inviabilizada se a concessão for cancelada. O governo argentino tem um histórico de expropriar empresas, alegando produção insuficiente. A nacionalização em 2012 de 51% YPF, parte detida pela petrolífera espanhola Repsol, foi o caso mais notório de como o Estado argentino pode jogar duro com companhias estrangeiras. Antes, o país já havia nacionalizado a Aerolíneas Argentinas e outras empresas de serviços públicos.
 
Custos
Segunda mineradora do mundo, a Vale disse ter completado 45% do Rio Colorado, que inclui, além da mina, 800 quilômetros de ferrovia e um terminal no porto de Bahía Blanca, ao sul de Buenos Aires. No total, o projeto é estimado em US$ 6 bilhões. Em dezembro, pouco antes de colocar os funcionários em licença remunerada e suspender as obras, a Vale informou que estava buscando um parceiro para comprar parte do empreendimento e ajudar a suportar os custos, num momento em que tenta concentrar investimentos no negócio principal, de minério de ferro.

A busca por um comprador, no entanto, ocorre em um momento de fragilidade dos preços das commodities minerais, com as principais empresas do setor passando por aperto financeiro, registrando queda nos lucros e trocando executivos. Em nota, na segunda-feira, a Vale disse que não abandonaria as jazidas de potássio na Argentina e continuaria zelando peloss direitos de exploração na região. Os ativos foram comprados da australo-britânica Rio Tinto em 2009.
 
Inflação na China preocupa

O presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, disse ontem que tem como prioridade gerenciar de maneira vigilante os riscos de alta da inflação no país e que a política monetária será aplicada de forma prudente para controlar a elevação dos preços.

A declaração foi vista pelo mercado como um sinal claro de que o governo chinês desistiu do conjunto de políticas pró-crescimento que vinha promovendo em 2012. Em fevereiro, a inflação acumulada em 12 meses na China alcançou 3,2%. Uma taxa mais baixa de expansão econômica poderá conter as importações do gigante asiático e afetar a economia global. O país é o maior parceiro comercial do Brasil e empresas como a Vale têm na China o principal mercado.