11 de Março, 2013 - 10:18 ( Brasília )

Geopolítica

Dominó Árabe - Guerra na síria: fotos mostram Homs sob neve, destruição e crise humanitária

Cidade devastada pelo conflito que já dura quase dois anos teve seu cotidiano documentado por um grupo de ativistas sírios

Ativistas e fotógrafos sírios mostram em fotos a difícil situação da cidade de Homs e região, com a população sofrendo com nevascas e o frio, além da piora da situação humanitária com a falta de comida, medicamentos, abrigos e combustível. Os moradores das áreas controladas pela oposição armada sofrem intensos e constantes bombardeios de tropas do governo há mais de um ano, o que deixou a cidade em ruínas.

Não bastasse vários bairros terem sido reduzidos a escombros, deixando pessoas desabrigadas, o frio e neve é outro fator que dificulta o dia a dia da população civil. As fotos são parte do trabalho de um grupo, intitulado Young Lens Homsi, composto por dez ativistas e que foi criado em maio do ano passado. Eles se dedicam a documentar o conflito, desde o cotidiano da população civil aos combates que envolvem os rebeldes do Exército Livre da Síria (ELS).

Com a falta de estrutura e milhares de pessoas desabrigadas em Homs e cidades vizinhas, organizações internacionais de ajuda humanitária tentam levar doações às áreas mais afetadas. Mas além das dificuldades com o crescente número de refugiados internos pela Síria e países vizinhos, organizações como a ONU, Cruz Vermelha, Human Rights Watch e Médicos Sem Fronteiras declararam que enfrentam restrições do governo sírio de acesso aos locais controlados pela oposição.

Sem ajuda à ajuda humanitária

Em um recente relatório sobre a situação na Síria, a Cruz Vermelha disse que seus comboios de ajuda enfrentam “enormes dificuldades de acesso, tendo que passar, muitas vezes, por mais de 35 barreiras do exército do governo sírio para chegar aos locais de entrega”.

A Human Rights Watch, organização de direitos humanos baseada nos Estados Unidos, pediu à Rússia, aliada do regime em Damasco, que pressionasse o presidente Bashar al-Assad para facilitar o acesso de ajuda humanitária através das fronteiras com a Tu, Líbano e Jordânia. Além disso, pediu que países doadores dessem amplo apoio a organizações não-governamentais para que realizassem com eficiência seus trabalhos no país.

“Milhares de sírios passam por condições de vida horríveis porque a ajuda simplesmente não está chegando a eles. Uma simples palavra do governo sírio poderia facilitar a chegada de doações”, disse a diretora do Human Rights Watch para o Oriente Médio, Sarah Leah Whitson.

Por sua vez, o Escritório para Coordenação de Ajuda Humanitária das Nações Unidas divulgou um relatório em que citava as dificuldades de alcançar a maior parte das pessoas com necessidades em áreas controladas pela oposição, pedindo para que todos os lados chegassem a um acordo que permitisse o envio de ajuda.

A Síria permitiu que alguns comboios de ajuda passassem entre as linhas de combate desde que se originassem de Damasco e fossem, então, levadas às áreas dominadas pela oposição, mas não permite a assistência e envio de doações fossem realizadas diretamente de países vizinhos às regiões controladas pelos rebeldes.

As organizações de ajuda também criticaram os grupos rebeldes por não darem garantias de segurança a agentes humanitários trabalhando no país, e pediram ao Conselho Nacional Sírio que incentivasse a oposição armada a garantir livre passagem de comboios humanitários nos territórios que controla.

Em busca do apoio internacional

De acordo com a lei humanitária internacional, agentes de ajuda humanitária devem ter garantidos o acesso e liberdade de movimento por todos os lados envolvidos do conflito e ser protegidos de ataques, assédio, intimidação e detenção arbitrária. Os grupos envolvidos no conflito devem permitir e facilitar rapidamente e sem impedimentos a passagem de ajuda humanitária para civis em risco.

Com poucos recursos, a Agência de Refugiados da ONU e outras organizações pediram mais recursos a países doadores. Em um encontro no Kuwait há poucas semanas, governos árabes e ocidentais prometeram um total de US$ 1,5 bilhão para atender às necessidades humanitárias. Do total, US$ 1 bilhão iria para os países que abrigam refugiados (como Turquia, Líbano e Jordânia) e os restante (US$ 500 milhões), para ajuda humanitária a sírios deslocados internamente em seu país.

As Nações Unidas disseram que 4 milhões de pessoas estão em necessidade de assistência humanitária na Síria, com mais de 700 mil em países vizinhos. Em Homs, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 550 mil pessoas moram em péssimas condições humanitárias, enquanto funcionários de hospitais e centros de saúde alegando que convivem com excesso de trabalho e falta de pessoal além de poucos recursos para atender pacientes.