PROJETO
F-X2
Embraer é favorável à
compra de caças suecos
Virgínia
Silveira,
de São José dos Campos
A Embraer considera o caça sueco Gripen, do
ponto de vista de transferência de tecnologia,
a melhor opção para a empresa estabelecer
uma parceria estratégica no contexto do programa
F-X2. O contrato, que prevê a aquisição
de 36 aeronaves de combate, no valor de US$ 2 bilhões,
também é disputado pela francesa Dassault,
com o caça Rafale, e pela americana Boeing,
com o F-18 Super Hornet.
"Avaliamos
as três propostas, a pedido da FAB e vimos que
a oferta da empresa sueca Saab é a que vai
assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação
de tecnologia dentro da premissa 'on the job doing',
ou seja, aprender fazendo", disse o vice-presidente-executivo
para o mercado de defesa da empresa, Orlando
José Ferreira Neto.
O
executivo parte do princípio de que o Gripen
NG, versão mais avançada do Gripen C/D,
e que ainda não foi fabricado, é o único
que oferece oportunidade para o Brasil começar
o desenvolvimento de um caça do zero. "Não
estamos interessados em fabricar peças. Buscamos
o domínio de conhecimento que ainda não
temos e que nos será útil no desenvolvimento
de futuras aeronaves."
A afirmação de Ferreira Neto é
compartilhada por grande parte das empresas que compõem
a cadeia aeroespacial de São José dos
Campos. "Sairemos da condição de
pequenas empresas dependentes da Embraer para um grupo
consolidado verticalmente, capaz de fornecer estruturas
integradas complexas, não só para a
Embraer como para o mercado externo", afirma
o diretor-executivo da Akaer, César Augusto
da Silva.
A Akaer faz parte
da holding T-1, que reúne as cinco empresas
brasileiras envolvidas no projeto do novo caça
sueco e será responsável pelo projeto
e produção da fuselagem central, fuselagem
traseira e asas. A fuselagem do Gripen, segundo Silva,
é a mais complexa já feita no Brasil,
pois envolve sistemas de alta tecnologia, como ligas
de última geração e materiais
avançados, do tipo composto. "O preço
que iremos pagar pelos caças agora retornará
para as empresas brasileiras em forma de empregos
e de novas tecnologias." Em cinco anos, segundo
Silva, a T-1 estima que poderá exportar US$
500 milhões e gerar 2.900 empregos diretos
no Brasil.
Para a Embraer, o
programa de um novo caça supersônico
também irá trazer benefícios
tecnológicos. "Temos interesse nas tecnologias
envolvidas em um voo supersônico e na utilização
de materiais avançados para fazer frente aos
novos desafios que se impõem aos fabricantes
de aeronaves", disse Ferreira Neto.
A tecnologia dos radares
de última geração, presente nos
caças de combate, segundo Ferreira Neto, também
pode ter aplicação na aviação
civil. Outra área de aprendizado é a
de sistemas que otimizam consumo de combustível.
"O programa F-X2 pode trazer informações
de desenvolvimento importantes, que terão aplicação
na aeronave cargueira KC-390, que estamos fazendo
para a FAB."
A capacitação
da indústria nacional, segundo Ferreira Neto,
é primordial para garantir a autonomia do país
no futuro para fazer modificações nos
aviões que a FAB vai adquirir e para construir
um novo caça. "A proposta de transferência
de tecnologia tem que estar baseada nesse tripé:
autonomia, capacitação da indústria
nacional e preparo para novos desafios."
A
proposta do francês Rafale e do americano F-18,
na opinião do executivo da Embraer, é
de fornecimento de aeronaves já prontas, o
que limita a participação da indústria
em atividades de desenvolvimento de novas tecnologias.