PROJETO
F-X2
EUA
podem ampliar transferência de tecnologia,
diz assessor de Obama
Sergio
Leo, de Brasília
Os Estados Unidos
estão interessados em ampliar os acordos de
cooperação e transferência de
tecnologia com o Brasil, informou o assessor de Segurança
Nacional dos Estados Unidos, James Jones, ao ministro
de Relações Exteriores, Celso Amorim.
A oferta foi interpretada pelo governo brasileiro
como uma tentativa de fortalecer a candidatura da
Boeing ao fornecimento de caças à Força
Aérea Brasileira. Um dos membros da comitiva
de Jones reconheceu ter sido um erro do governo americano,
na gestão de George W. Bush, vetar a venda
de aviões Supertucano à Venezuela, por
incluírem componentes fornecidos pelos EUA.
Jones combinou com
Amorim que os dois governos estreitarão contatos
na área militar, para evitar problemas como
a crítica do governo brasileiro - acompanhado
por outros governos sul-americanos, inclusive o Chile
- contra o uso de bases colombianas pelas Forças
Armadas dos EUA. Amorim disse a Jones que o governo
brasileiro gostaria de ver a criação
de restrições legais ao uso das bases,
limitando-as ao combate ao narcotráfico em
território colombiano e ajuda humanitária
no país. Acertaram a vinda, ao Brasil, do chefe
do Comando Sul dos EUA, general Douglas Fraser, para
discutir o assunto.
A variada agenda nas
conversas entre Amorim e um dos principais conselheiros
do presidente americano, Barack Obama, em matéria
de política externa, foi descrita pelos dois
como cordial e produtiva. A menção à
transferência de tecnologia reflete a mudança
de visão na administração Obama
sobre os acordos de venda de armamentos. Sem os Supertucanos
brasileiros, citados por Amorim na conversa com Jones,
Chávez aproximou-se mais da Rússia,
de quem adquiriu caças e outras armas. O governo
Obama fez fazendo lobby pela Boeing, que ofereceu
produzir jatos nas instalações da Embraer,
com oferta generosa de transferências tecnológicas.
O caso das bases tomou
grande parte das conversas entre Jones e Amorim, que
também trocaram impressões sobre a situação
política em Honduras (Amorim pediu atitudes
enérgicas, como o bloqueio de contas dos golpistas
que derrubaram o presidente Manuel Zelaya), os conflitos
no Oriente Médio e as chances de concluir as
negociações da rodada de liberalização
comercial na Organização Mundial do
Comércio.
Jones se mostrou disposto
a colaborar o máximo possível para reduzir
as tensões levantadas com a resistência
do continente às bases na Colômbia e
as acusações do governo colombiano de
que são do arsenal venezuelano armas capturadas
com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc). À saída do
encontro, o general reconheceu erros de "comunicação",
e garantiu que não haverá instalação
de bases dos EUA, mas uso, por pessoal americano,
de bases sob comando da Colômbia. "Poderíamos
ter feito um trabalho melhor, se houve erros, foram
de omissão, e não de intenção."
Amorim, na conversa
reservada, disse estranhar o amplo alcance de voos
dos aviões destacados para as bases, e lembrou
que, no governo anterior, um general americano acusou
a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina
e Paraguai de abrigar terroristas e simpatizantes.
O Congresso americano votou disposição
incluindo a Venezuela entre países coniventes
com o narcotráfico, apontou Amorim, lembrando
que a instalação de efetivos militares
estrangeiros na região desperta desconfianças
generalizadas.
Apesar dos desentendimentos
em torno das bases, o emissário de Obama insistiu
no interesse do governo americano em trabalhar acordos
na região e fez questão de manter conversas
com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão,
e da Casa Civil, Dilma Rousseff, com quem trocou informações
sobre a política de energia, as propostas brasileiras
para mudança climática, e a possibilidade
de financiamento dos EUA à exploração
de petróleo na camada pré-sal do litoral
brasileiro. O governo americano tem interesse em trabalhar
com a maior "transparência", em acordo
com os governos da região, insistiu James Jones,
repetidamente.