COBERTURA ESPECIAL - F-X2 - Aviação

12 de Dezembro, 2012 - 00:03 ( Brasília )

DILMA - Caças depende de 'retomada do crescimento'

A presidente Dilma Rousseff declarou nesta terça-feira em Paris que a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) foi adiada e depende da retomada do crescimento da economia "a taxas maiores".

 

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil



"Adiamos de fato a decisão sobre os caças. Isso pode levar ainda algum tempo e depende da recuperação do país", declarou Dilma em uma coletiva com o presidente francês, François Hollande, no palácio do Eliseu.

"Nós esperamos que o Brasil cresça nos próximos meses a uma taxa que permita que esse assunto volte à nossa pauta como sendo uma prioridade", afirmou a presidente brasileira.

Íntegra d apergunta e resposta da Presidente Dilma Rousseff referente ao Programa F-X2.


Jornalista: Senhora Rousseff, pode dizer se a decisão sobre o contrato dos aviões será tomada não antes de março de 2013? Se não for, quando, e quais serão os principais critérios? Gostaria de saber qual é o montante do contrato. Falam de 36 aviões, 4 bilhões de euros. E outra pergunta, a senhora, como o senhor antecessor Lula, também tem uma preferência marcada pelo Rafale? Pois ele disse isso várias vezes.
 
Presidenta: Eu gostaria de dizer que nós tínhamos a discussão sobre o Rafale, o Super Hornet e sobre o Gripen, e essa discussão, ela se desenrolou ao longo de 2009 e 2010. Diante do aguçamento da crise, o governo brasileiro recuou de uma decisão imediata e nós, agora, temos visto um aumento dos processos de diminuição e estagnação, mesmo, dos rendimentos que nós obtemos para segurar o nosso orçamento, das nossas receitas. Isso nos leva a tomar extrema cautela ao decidir gastos que sejam além daqueles que nós necessitamos para fazer os estímulos fiscais que o nosso país precisa para sair da crise, tal como desonerações, investimento em infraestrutura. Então, nós adiamos, de fato, a opção por um dos três caças. Isso pode levar ainda algum tempo, depende da recuperação do país. Nós esperamos que o Brasil cresça, nos próximos meses, a uma taxa que dê possibilidade para que nós possamos voltar com esse assunto para nossa pauta, como sendo um assunto prioritário. Espero ter esclarecido a sua pergunta.


Em outubro do ano passado, o ministro da Defesa, Celso Amorim, já havia dito que a compra das aeronaves dependeria da "evolução da crise externa".

O mesmo argumento também havia sido usado pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para explicar o atraso na decisão sobre a compra dos caças.

A França está na disputa com os aviões Rafale, fabricados pela Dassault e que detêm a preferência do ex-presidente Lula.

As outras duas opções do governo brasileiro são o Super Hornet, da americana Boeing, e o Gripen, da sueca Saab.

Dilma lembrou que as discussões sobre a compra de 36 caças para a FAB foi iniciada em 2009 e 2010, mas ressaltou que "diante do aguçamento da crise, o governo brasileiro recuou de uma decisão imediata".

A presidente afirmou que a situação atual da economia leva o governo "a tomar extrema cautela ao decidir gastos que sejam além daqueles que nós necessitamos para fazer os estímulos fiscais que o país precisa para sair da crise", como desonerações e investimentos em infra-estrutura.

Já Hollande reiterou o desejo do governo francês de transferir tecnologia, caso o Rafale seja escolhido.

"A França possui uma alta cooperação com o Brasil no setor da indústria da defesa. Nós já temos contratos em relação a submarinos e helicópteros. Sempre desejamos que houvesse, nesses contratos, uma transferência de tecnologia", disse Hollande.

O presidente francês ressaltou "as qualidades excepcionais do Rafale", mas disse que o Brasil "tem liberdade" para escolher o momento (da compra) e o avião desejado.

Apesar de declarar logicamente sua preferência pela escolha do modelo francês, Hollande disse que não faria "proclamações" a respeito.
Sem expectativa

Serge Dassault, proprietário do conglomerado que fabrica os Rafale, disse à BBC Brasil durante um jantar de gala oferecido à Dilma no palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, "que o Rafale é mais caro do que os concorrentes por causa do euro, mais valorizado do que dólar".

O empresário afirmou, no entanto, que não tem expectativas sobre quando se dará o anúncio da escolha do governo brasileiro.

Ele também disse acreditar que Lula era mais "simpático" do que Dilma.

Estima-se que o contrato de compra dos 36 caças Rafale possa alcançar 4 bilhões de euros (R$ 11 bilhões).



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