COBERTURA ESPECIAL - F-X2 - Aviação

01 de Julho, 2011 - 19:23 ( Brasília )

F-X2 - Estratégia da Dassault no Brasil mira políticos e empresários

Executivo da empresa conversou com parlamentares brasileiros em defesa do Rafale na licitação dos caças da FAB

Por Eva Rodrigues

Num momento em que o governo anda às voltas com o aperto orçamentário, programas como o do F-X2 , para a renovação da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB), estão congelados. Mas isso não significa que o movimento lobista arrefeceu. O Salão de Le Bourget (maior feira aeroespacial do mundo), na França, foi palco de conversas na semana passada. Ao BRASIL ECONÔMICO, o diretor geral Internacional da Dassault e administrador geral do Rafale, Eric Trappier, afirmou ter recebido a comitiva de parlamentares brasileiros que esteve no salão, oficialmente a convite do parlamento francês, e expôs aos congressistas as qualidades do Rafale, modelo que concorre com o americano F-18 Super Hornet (Boeing) e com o sueco Gripen NG (Saab) no Programa F-X2.

Em Paris, a informação que circulava, no entanto, era de que o convite aos parlamentares brasileiros partiu do Gifas (Groupement des Industries Françaises Aéronautiques et Spatiales), entidade que promove os lobbies do setor, mas o deputado Cândido Vaccarezza (PTSP) diz que o convite partiu mesmo do parlamento da França.

“Estivemos lá para discutir a aliança estratégica Brasil-França e a maior preocupação dos parlamentares era em relação às fronteiras entre os dois países”, disse Vaccarezza, ao indicar que a comitiva participou de reunião no Instituto de Altos Estudos Estratégicos da França, foi recebida pelo ministro de Defesa, participou de reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa do Senado, além de visitar o Salão de Le Bourget. Vaccarezza viajou acompanhado do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), deputado Hugo Napoleão (DEM-PI) e do presidente da Frente Parlamentar de Defesa, deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Mas independentemente das abordagens da Dassault, da preferência explícita do ex-presidente Lula pelo Rafale e do silêncio da presidente Dilma Rousseff sobre o tema, a escolha do modelo francês é vista com ceticismo pelo mercado: o modelo nunca foi exportado pela França porque tem preço e custos operacionais altos demais em relação a outros modelos da mesma categoria.

Outro ponto destacado por especialistas no tema diz respeito à transferência de tecnologia nos projetos—questiona-se a real disposição dos franceses em cumprir com esse compromisso. “A transferência de tecnologia é elemento essencial em relação ao vencedor da concorrência do F-X2, isso vai significar um salto enorme na nossa indústria”, afirmou o deputado Carlos Zarattini. Eric Trappier, por sua vez, disse ao BRASIL ECONÔMICO que sim, lembrando que a Dassault está pronta a transferir 100% da tecnologia do Rafale ao Brasil.


Frente de Defesa gostaria de ver vencedor neste ano

O presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT/SP), defende que a escolha do modelo vencedor da concorrência do Programa F-X2 ocorra ainda neste ano. Estão à espera de definição a Dassault com o modelo Rafale, a Boeing com o F-18 Super Hornet e a Saab com o Gripen NG.

“Entendemos que a presidente Dilma Rousseff está preocupada com as questões econômicas e o esforço grande de contenção de despesas. Contudo, ela poderia fazer o anúncio do vencedor agora porque os gastos efetivos virão somente algum tempo depois”, pondera Zarattini. Na avaliação do deputado, do ponto de vista técnico, apenas os modelos F-18 e o Rafale estão realmente no páreo nessa disputa.

“O Gripen não tem ainda uma linha com dois motores, o que é necessário ao Brasil tendo em vista as dimensões continentais do país.” Para a França, acredita o deputado, há um interesse estratégico na aproximação com o Brasil já que o país está em busca de parcerias no mundo para expandir as tecnologias que foram desenvolvidas. “O Brasil, comparado a países com Índia e China, tem tradição democrática e relação histórica com a França, além de ser um grande mercado. Já para o Brasil o maior interesse está na absorção da tecnologia pela indústria brasileira.”



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