| Mirage
2000 C/B
Discurso do Ministro da Defesa
Nelson Jobim
Base Aérea de Anápolis
Recebimento dos dois últimos aviões
Mirage 2000C/B pelo 1º GDA
(Brasil recebe
últimos Mirage e encerra
ciclo de “compras de prateleira)
"Assistimos
hoje à integração dos últimos
Mirage 2000 ao nosso conjunto de caças do
Brasil. Sabem os senhores e senhoras que elaboramos
e estamos a elaborar, e apresentaremos ao Brasil,
nesta semana, o nosso Plano Estratégico Nacional
de Defesa.
O que tem de se
ter presente claramente é que o processo
de transformação, que decorrerá
do início desta situação com
as diretrizes desse plano, é processo de
transformação das Forças Armadas
brasileiras, que tem como perspectiva uma reorganização
nos seus efetivos, na sua lotação
e na integração entre as próprias
Forças.
E, fundamentalmente,
considerando que a defesa deixa de ser tema exclusivamente
militar para ser tema da Nação. E,
por ser tema da Nação, a transformação
das Forças não se dá na perspectiva
da existência da ameaça, de um inimigo,
se dá isso sim na perspectiva da capacitação
do país em termos dissuasórios. Enganam-se
aqueles que pensam, ou pretendem pensar e afirmar,
que a organização e a transformação
das Forças brasileiras têm alguma perspectiva
na análise da existência de alguma
posição ou algum opositor.
Não. O que
precisamos é nos organizar em termos de nossa
capacitação. Chega de pensarmos pequeno.
Chega de termos pretensões de curto prazo.
Precisamos ter afirmações de curto,
médio e de longo prazo. E a capacitação
de um temor dissuasório efetivo no Brasil
é fundamental, tendo em vista sua perspectiva
de país grande. E é por isso que,
no final do ano, em dezembro, comparecerá
ao Brasil Sua Excelência o presidente ( da
França, Nicolas) Sarkozy, e o Brasil firmará
grande acordo estratégico com a França,
que envolve não só trocas e trabalhos
na área de defesa, mas fundamentalmente a
possibilidade de ampliação de nossa
base industrial de defesa em aliança com
os franceses. Os franceses e a França são
o país que, nos diálogos que fizemos
pelo mundo, com a Índia, com a Rússia,
com a Suécia, com os Estados Unidos, em todos
eles só encontramos efetivamente com os franceses
uma transparência, uma disposição
real de uma parceria estratégica com o Brasil.
Não somos,
não seremos e não continuaremos a
ser meros consumidores de produtos de defesa, seremos,
isso sim, produtores de serviços de defesa
na integração do desenvolvimento brasileiro.
Os dois Mirages que ora nos são entregues
é o final de um ciclo. Teremos um novo ciclo.
Um novo ciclo em que os produtos terão, junto
com o ciclo, claramente, as cores brasileira e francesa
para afirmar a efetividade do Brasil como um país
grande.
Senhor comandante
da Aeronáutica, quero agradecer toda a transparência
do relacionamento do comando da Aeronáutica
com o Ministério da Defesa, e dizer a V.
Exa. que isso continuará assim, de forma
que estamos hoje servindo a um objetivo claro, que
é a afirmação do Brasil como
grande potência. E ter o Brasil como grande
potência significa ter o Brasil a capacitação
clara de poder dissuasório efetivo, e não
verbal, e não meramente virtual. E é
por isso que agradeço a V. Exa. essa dedicação.
Cumprimento a todos.
E digo, não
só para os franceses, que temos um longo
caminho a percorrer. E saberemos percorrer com absoluta
tranqüilidade."
Nota
DEFESA@NET
Tanto os textos do artigo
como o do discurso,
ambos distribuídos pela Assessoria do
Ministro Jobim , e disponibilizados no site
do MD apresentavam estranhos erros. Primeiro
o M2000 era grafado como "Mirrage",
todas as vezes. Segundo, até o nome do
Presidente Sarkozy foi escrito com incorreção.
Podemos dizes que são erros estranhos
e atípicos.
O Editor |
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