| Mirage
2000 C/B
Brasil recebe
últimos Mirage e encerra
ciclo de “compras de prateleira”
(Discurso ministro
da Defesa Nelson Jobim)
Anápolis
(GO) 27/08/2008 - O ministro da Defesa, Nelson Jobim,
e o comandante da Aeronáutica, Brigadeiro
Juniti Saito, receberam nesta quarta-feira (27/8)
os últimos dois aviões de caça
Mirage 2000, de um lote de doze adquiridos da França.
Os aviões substituirão os modelos
anteriores de Mirage que saíram de serviço
em 2005, e deverão fazer a ponte até
a chegada dos novos aviões que serão
adquiridos no projeto F-X2, com entrega para após
2015.
Para comemorar a
data, Jobim fez um vôo de aproximadamente
50 minutos em um Mirrage. Segundo Jobim, esta compra
marca o fim do ciclo de aquisições
puras para a área de Defesa. Os novos modelos
já serão adquiridos sob a ótica
da transferência de tecnologia por parte do
fabricante. “Significa a importância
de nós encerrarmos um ciclo, que é
o ciclo do Brasil comprador. Agora nós deveremos
começar um novo ciclo, que é o ciclo
do Brasil Parceiro”, afirmou Jobim, em entrevista
coletiva após a cerimônia.
De acordo com Jobim,
a intenção do Brasil é adquirir
um pequeno lote inicial do novo avião que
vier a ser escolhido e passar a desenvolver localmente
uma plataforma que participe da produção
das unidades seguintes. “A nova estratégia
de Defesa significa que nós seremos produtores”.
Segundo o ministro, os principais países
que participam da disputa afirmam que estão
dispostos a transferir tecnologia. Mas ele pondera
que nem sempre os fatos confirmam a intenção,
e cita o caso do governo americano, que recentemente
dificultou a remessa de componentes adquiridos para
o Supertucano, da Embraer.
Participam da disputa
do F-X2 as empresas norte-americanas Boeing (F/A-18
E/F Super Hornet) e Lockheed Martin (F-35 Lightning
II), a francesa Dassault (Rafale), a russa Rosoboronexport
(Sukhoi SU-35), a sueca Saab (Gripen) e o consórcio
europeu Eurofighter (Typhoon).
O ministro elogiou
a transparência da França e sua disposição
de avançar, na área aeronáutica,
da mesma maneira que avançou no acordo para
a transferência de tecnologia destinada à
produção de um submarino brasileiro
de propulsão nuclear. Mas o ministro negou
que haja decisão tomada em relação
aos franceses para a aquisição dos
novos aviões. “A partir de janeiro
nós vamos abrir a discussão em relação
ao F-X. Evidentemente os franceses estão
na concorrência; agora, tudo vai depender
das conveniências ao Brasil”, concluiu.
Jobim destacou a
importância da autonomia tecnológica
e industrial para a consolidação da
defesa brasileira. “O país que tem
a capacitação nacional tem poder dissuasório
real”, explicou Jobim. Ele esclarece que o
fortalecimento da defesa do país não
tem nenhuma causa específica externa . “Não
estamos organizando e transformando as Forças
Armadas pela perspectiva de um inimigo ou de uma
ameaça. Estamos transformando na perspectiva
da capacitação”.
Jobim observou que
o país tem muitas riquezas a defender, como
as áreas juridicionais de sua plataforma
marítima, que somam 3,5 milhões de
km2, e que deverão subir para 4,5 milhões.
“São grandes riquezas. Só os
leigos é que acreditam que não precisam
estar capacitados para responder a qualquer ameaça”.
Quarta Frota- O
ministro negou qualquer vinculação
entre o fortalecimento da Defesa brasileira e a
criação da Quarta Frota por parte
dos Estados Unidos. “Não vamos nos
conduzir da perspectiva de que os Estados Unidos
estejam nos conduzindo. Nós vamos nos conduzir
dentro das nossas condições e da nossa
perspectiva de capacitação”.
O ministro, inclusive
, relativizou a preocupação manifestada
por algumas pessoas com a criação
da Quarta Frota, que ele classifica de uma mudança
administrativa dos Estados Unidos, que transferiram
da Segunda Frota para a Quarta Frota alguns de seus
meios navais.
“Eu não
vejo problema nenhum, isso é uma decisão
americana. O americano toma as decisões que
bem quer. Nós não gostaríamos
que as decisões que o Brasil está
tomando agora no Plano de Defesa fossem objeto de
objeções americanas. A autodeterminação
dos povos é vital, e eu não vejo nenhuma
dificuldade em relação à Quarta
Frota. Fica nítido e claro que as relações
com o Brasil continuarão sendo amistosas”.
Jobim também
observou que não há preocupação
exclusiva da Defesa com a área do pré-sal,
onde foram localizadas reservas gigantes de petróleo.
Esta é apenas uma das grandes riquezas que
o País tem e que precisam ser defendidas,
argumentou. “Nós temos que nos lembrar
que a América do Sul é a maior reserva
de energia do mundo hoje, é a maior reserva
de produção de alimentos e a maior
reserva de água doce. Nós temos a
Amazônia e o aqüífero Guarani.
Isto basta para que nós tenhamos capacitação”.
Nota
DEFESA@NET
Tanto os textos do artigo
como o do discurso,
ambos distribuídos pela Assessoria do
Ministro Jobim , e disponibilizados no site
do MD apresentavam estranhos erros. Primeiro
o M2000 era grafado como "Mirrage",
todas as vezes. Segundo, até o nome do
Presidente Sarkozy foi escrito com incorreção.
Podemos dizes que são erros estranhos
e atípicos.
O Editor |
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