Robson
Bonin Do G1, em Brasília
Lula
visitou o Estaleiro Atlântico Sul em Ipojuca
(PE) na manhã desta sexta (11) para batimento
de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização
e Expansão da Frota Foto: Ricardo Stuckert/Presidência
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou
nesta sexta-feira (11) a polêmica em torno do
projeto de reaparelhamento militar brasileiro que
prevê, entre outras ações, a compra
de caças supersônicos para as Forças
Armadas Brasileiras (FAB). Segundo Lula, o governo
ainda está em processo de negociação
com os fornecedores que participam da concorrência
internacional: França, Estados Unidos e Suécia.
O presidente disse, no entanto, que a “única
proposta concreta” que recebeu até
o momento veio do presidente francês, Nicolas
Sarkozy.
“É
importante que os fornecedores estejam oferecendo
cada vez mais possibilidades. Mas uma coisa está
clara. Queremos transferência de tecnologia
e queremos construir esses aviões no Brasil.
O presidente Sarkozy, até agora, foi o único
presidente que disse textualmente que quer transferir
tecnologia e fazer o avião aqui”, disse
Lula. “Isso é a única coisa concreta
que eu tenho. Se alguém quiser ofertar mais,
que oferte. Negociação é assim”,
concluiu.
O
presidente também afirmou que o acordo com
a França permitiria ao país comercializar
os aviões produzidos. “O Brasil vai ter
disponibilidade para vender o avião produzido
aqui em toda a América Latina”, relatou.
Sarkozy
tenta vender ao Brasil o caça Rafale, da francesa
Dassault, já os EUA oferecem o F-18, da Boeing,
e a Suécia tenta emplacar o Gripen, da sueca
Saab. Das três propostas em estudo pelo governo,
segundo Lula, apenas a França aceitou transferir
a tecnologia de desenvolvimento dos aviões
para o Brasil. O presidente afirma que as negociações
ainda estão acontecendo. Nesta quinta-feira
(10), os EUA apresentaram nova proposta aos militares
brasileiros.
Em
nota divulgada
nesta tarde, a FAB afirma que está
encarregada da análise técnica das propostas
e diz que caberá ao presidente a decisão
final. Mais cedo, o próprio Lula chamou para
si a decisão. “A FAB tem o conhecimento
tecnológico para fazer a avaliação
e vai fazer. Agora, a decisão política
e estratégica (sobre a compra) é do
presidente da República e de ninguém
mais”, disse Lula.
Na
segunda-feira (7), Lula e Sarkozy emitiram
comunicado conjunto em que revelavam a abertura de
negociação para a compra pelo governo
brasileiro de 36 caças Rafale e pelo lado francês
de 10 aviões de transporte KC-390,
projeto em desenvolvimento pela Embraer. Na terça-feira
(8), no entanto, o Ministério da Defesa emitiu
nota afirmando que a concorrência internacional
para compra dos aviões de combate continuava
aberta.