Programa
F-X2
Lockheed não oferece
o F-35 ao Brasil para
não compartilhar tecnologia
José Sergio
Osse
SÃO PAULO
- A gigante da norte-americana de defesa Lockheed
Martin confirmou que decidiu não apresentar
seu avião caça modelo F-35
Joint Strike Fighter à licitação
do governo brasileiro para a modernização
de sua frota militar. Segundo a empresa, o motivo
para não incluir o jato em sua proposta
foi o alto grau de transferência de tecnologia,
imposto pelas regras da concorrência.
Pelo estipulado
pelo governo para o projeto F-X2, o fabricante
vencedor terá que repassar toda a tecnologia
necessária para manter o avião em
operação.
Por isso, a Lockheed
decidiu apresentar à licitação
o modelo F-16BR, uma versão do F-16, um
dos aviões de caça mais utilizados
em todo o mundo, adaptada às necessidades
da Força Aérea Brasileira. Embora
seja um sucesso de vendas, o F-16
é um caça mais antigo,
tendo sido desenvolvido nos anos 1970. Sua vantagem
é ser relativamente barato e ter um baixo
custo operacional. Já o F-35 foi criado
no final da década de 1990, começo
dos anos 2000 e tem capacidade furtiva (stealth)
e de pouso e decolagem na vertical (VTOL), como
o britânico Harrier.
Uma das preocupações
da Lockheed Martin ao apresentar a proposta com
base no F-16 e não no F-35 - uma aeronave
muito mais moderna - tem a ver com o tipo de tecnologia
que o governo dos EUA autorizaria repassar ao
Brasil. Sem esse compromisso, o negócio
poderia ser desfeito.
A Boeing, que
concorre com seu F/A-18
Super Hornet, porém, acredita
que isso não será problema. A proposta
da fabricante inclui um sistema de radar de varredura
eletrônica ativa de última geração,
fabricado pela também norte-americana Raytheon.
Tecnologias como essa normalmente são protegidas
pelos governos dos países para os quais
foram desenvolvidas, uma vez que o acesso a ela
facilita a criação de contramedidas
eficientes.
Além do
F-16BR e do F/A-18 E Super Hornet, modelos de
quatro outras fabricantes também estão
concorrendo. Eles são o Rafale, da Dassault;
o Typhoon, da Eurofighter; o Gripen
NG, da Saab; e o Su-35, da Sukhoi.
A intenção
do governo brasileiro é adquirir uma primeira
leva de até 36 aeronaves, para entrega
a partir de 2010. As compras, porém, podem
ser elevadas para um total de 120 aparelhos.