Brasil negocia compra de caças
usados
A
FAB poupará US$ 750 milhões orçados
para aviões novos
KLÉCIO
SANTOS
Agência RBS/Brasília
O
Brasil deve anunciar até abril a compra de caças
usados para substituírem os Mirage III. A licitação
para a compra de novos supersônicos - o chamado
Programa F-X - está sepultada. Os cinco concorrentes
começaram a receber ontem uma carta do comando
da Aeronáutica declarando encerrado o projeto.
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Começou a guerra de oferta de aviões usados
- anunciou um integrante do comando da Aeronáutica.
A
compra de aviões de segunda linha é solução
emergencial. No final do ano, os Mirage precisam ser retirados
de operação.
Com
o fim da licitação, o governo brasileiro
não precisará desembolsar US$ 750 milhões.
Uma opção mais barata começou a ganhar
força dentro do governo no ano passado, conforme
revelou Zero Hora. A Aeronáutica está disposta
a pagar entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões
por aeronave. Um lote com até 18 aviões
custaria cerca de US$ 90 milhões, alternativa mais
econômica. O preço médio dos aviões
oferecidos pelos cinco consórcios que participavam
do Programa F-X era de US$ 40 milhões.
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É uma opção mais pé no chão
diante da realidade brasileira. Não estamos preocupados
com luxo. O avião precisa ter apenas um bom radar
e capacidade de lançar mísseis de longo
alcance - diz um brigadeiro envolvido nas negociações.
O
Brasil estuda adquirir caças F-16 da Holanda, da
Dinamarca ou da Bélgica, países com excedente
de aeronaves. Além dos F-16, disputam a primazia
do negócio o Kfir C-10, de Israel, e o Cheetah,
da África do Sul, além dos Mirage 2000 C
da França ou dos Emirados Árabes. A aeronave
participou da Cruzex - exercício que envolveu a
FAB, a força aérea da França e de
países da América Latina em Natal (RN) no
fim do ano passado - e foi testada pelos pilotos brasileiros.
As
maiores chances recaem sobre os F-16 da Holanda, versão
modernizada do modelo originário dos EUA. Têm
ainda vida útil de 20 anos. O Brasil negocia a
compra de mísseis ar-ar para as aeronaves. Estão
na lista os R-Darter (África do Sul), Derby (Israel)
e Mica (França). Não está descartada
adiante uma licitação para ter acesso a
uma nova geração de supersônicos como
o francês Rafale.
Para
o especialista militar Nelson Düring, editor do site
www.defesanet.com.br, mesmo com os caças do Programa
F-X, seria necessária uma solução
tampão, já que essas aeronaves só
seriam entregues em quatro anos e o espaço aéreo
brasileiro não poderia ficar descoberto.
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A questão é emergencial, mas temos de ter
cuidado para não comprar uma sucata voadora - alerta.