|
Programa
F-X
|
Defesanet
26 Junho 2005
Tribuna da Imprensa 25-26 Junho 2005
|
|
Querem
a Aeronáutica como uma "Areonáutica"
Sebastiâo
Nery
Logo que o general Castelo Branco tomou posse na Presidência
da República, depois do golpe de 64, o deputado Bilac Pinto,
udenista mineiro papo amarelo, companheiro de conspiração
e amigo íntimo de Castelo, apresentou projeto na Câmara
mudando o nome do Ministério da Aeronautica para Ministério
da Aviação. Ninguém entendeu.
O
Ministério da Aeronáutica foi criado por Getúlio
em janeiro de 41, em plena Guerra Mundial. O primeiro titular foi
o gaúcho Salgado Filho, advogado, professor de literatura
clássica no Rio, ministro do Trabalho de 32 a 34 (substituiu
Lindolfo Collor, que, jornalista, rompeu com Vargas por causa do
empastelamento do "Diário Carioca" em abril de
32) e, a partir de 38, ministro do Superior Tribunal Militar.
Por
que mudar o nome? O brigadeiro Eduardo Gomes, símbolo da
Aeronáutica e então ministro, vetou em silêncio,
o projeto foi arquivado e ninguém mais falou no assunto.
Mas contou a Prudente de Morais Neto.
Bilac
Pinto, candidato "in pectore" de Castelo a seu sucessor,
quis apenas fazer um favor fonoaudiológico ao general-presidente.
Castelo, cearense de Mecejana, não conseguia dizer Aeronáutica.
Só "Areonáutica". Bilac, amante do bem-dizer,
quis ajudar a Aeronáutica em terra. Na boca.
Lula na França
O
governo Lula, já metido em tantas trapalhadas, ameaça
fazer mais uma. Lula irá a Paris participar das festas do
14 de julho, neste ano que é o "Ano Brasil-França".
E querem que ele assine, lá mesmo, a compra, na França,
dos aviões-caça para a Aeronáutica, sem tomar
conhecimento da concorrência que há oito anos vinha
sendo discutida na Aeronáutica. Dois caças franceses
já estariam lá pintados de verde e amarelo para voarem
na hora.
Eram
três as propostas. Uma, a norte-americana: mais de US$ 300
milhões, com maior número de aviões, mas cheia
de restrições, porque eles não transferem tecnologia
e certos tipos de armamentos. Foi logo descartada.
Outra,
a russa: US$ 146 milhões por 12 modernos aviões Sukhoi27,
bimotores, armados, com toda a logística e podendo ser recomprados
e substituídos a qualquer ano, a preço de mercado,
se o Brasil quiser.
E
a francesa (a Dassault associada à Embraer): 120 milhões
de euros (US$ 150 milhões) por 12 velhos aviões Mirage,
monomotores, com logística. Há uma segunda proposta
francesa: leasing dos aviões e manutenção da
Força Aérea Francesa. Para usar, o Brasil precisa
de autorização do governo francês.
A Amazônia
Desde o começo, a Aeronáutica, publicamente, preferiu
os caças russos: mais baratos, muito mais modernos e com
transferência plena de tecnologia. De repente, apareceu um
lobby, poderoso e misterioso como todos os grandes lobbies, e a
Aeronáutica começou a ser escanteada na decisão.
Os
Mirage que os franceses querem nos empurrar não são
sequer os Mirage 2000-5, um pouco mais novos, mas a versão
antiga, semelhante aos que o Brasil comprou 30 anos atrás,
totalmente superados. Com eles, o Brasil ficaria com uma força
aérea de terceira classe, mesmo na América do Sul,
onde o Peru tem os Mig29, o Chile os F16, Cuba os russos Sukhois.
O
mais grave, e este é o centro da conspiração
que precisa ser denunciada, é que, com esses Miragezinhos
ultrapassados, a Amazônia ficará inteiramente desprotegida,
porque eles não têm faixa de vôo para operar
na Amazônia: monomotores, de pequeno alcance e sem capacidade
de ataque ao solo. Com eles o Brasil não terá poder
aéreo na Amazônia e é esse poder indispensável
que os lobistas conspiradores querem impedir. Sobre o Atlântico,
também os Miragezinhos antiquados não têm capacidade
de ação.
Conversem
com qualquer militar brasileiro que tenha comandado na Amazônia.
Com os Miragezinhos, a Aeronáutica ficará sem poder
aéreo para defendê-la, diante dos modernos aviões
militares bimotores de grande potência
Os Caças
Qual a solução? Não entendo de avião,
muito menos de avião militar. Mas sei ler e ouvir. Será
por acaso que, dos seis maiores paises do mundo, que têm espaço
vital, dois (Estados Unidos e Canadá) usam os grandes caças
modernos americanos, e três (Rússia, China e Índia)
usam os grandes caças modernos russos, bimotores, de grande
alcance, compatíveis com as dimensões desses paises.
Falta o Brasil, onde querem a Amazônia indefensável.
Se os preços dos 12 Mirage e dos 12 Sukhoi27 são semelhantes,
a diferença só poderia estar nas vantagens técnicas
e de ação. Ora, desde o começo a Aeronáutica
viu, e por isso preferiu, que o avião russo é melhor:
-
preço menor; melhor e mais moderno; único bi-turbina;
já vem armado com oito toneladas de armas poderosas e de
longo alcance (BVR), o dobro dos concorrentes; radar mais avançado
e de longo alcance (o Único equipado com radar optrônico,
uma tecnologia russa); de enorme alcance (sem reabastecimento e
sem tanques externos, vôa pelo paÍs de norte a sul,
leste a oeste, e cobre toda a América do Sul e metade do
Atlântico. E mais: pagamento inicial e o restante, a combinar,
para conveniência da Aeronáutica.
O
debate das Forças Armadas sobre a Amazônia reacendeu
e trouxe de novo à tona a questão da Aeronáutica.
Há um crime de lesa-pátria atrás disso.
|
|