Brasil e Rússia discutem aumento
das trocas comerciais
Milena Galdino
Repórter da Agência Brasil
18 Fevereiro 2004 -Brasília - Diplomatas, exportadores e empresários do Brasil e da Rússia avaliam as possibilidades de crescimento das relações bilaterais num encontro que acontece, neste momento, no Palácio do Itamaraty. Um dos assuntos que mais interessa ao Brasil é a ampliação das cotas de exportação da carne para a Federação Russa.
Já os russos - cuja comitiva é liderada pelo vice-primeiro-ministro, Boris Alioshin - tentam persuadir o Brasil a abrir mais cotas para importações de nitrato de amônia e de ferro-cromo. Para eles, também será importante discutir enegia e tecnologia, já que têm interesse em vender aviões Sukhoi, que poderão substituir a antiga frota de caça supersônicos brasileira.
As trocas entre os dois países chegam a US$ 2 bilhões anualmente, sendo que o Brasil leva vantagem na balança comercial ao exportar U$1,5 bilhão em açúcar, carnes, facas de mesa, sapatos, tubos de tevê e outros produtos. Nos portos nacionais, em contrapartida, chegam fertilizantes, produtos químicos como cloreto de potássio, tubos de raio X e sardinha produzidos na Rússia.
O comércio poderia ser bem melhor, concordam ambos países. Urnas eletrônicas e automação bancária, por exemplo, são tecnologias ainda desconhecidas para uma região onde eleição democrática e capitalismo são, de certa forma, realidades recentes.
Com um dos maiores territórios do mundo e um clima adverso para várias culturas agrícolas, a Rússia ocupou o escondido 14º lugar no ranking dos parceiros comerciais do Brasil, segundo as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em 2003.
No discurso de posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou as relações com o país como uma das prioridades da agenda externa do governo. O primeiro escalão cumpre as ordens do chefe: desde então, quatro ministros de Estado visitaram Moscou. O próximo a pousar por lá ainda neste semestre será o vice-presidente, José de Alencar.
A delegação de autoridades e empresários russos fica no Brasil até sexta-feira, quando o vice-primeiro-ministro faz uma rápida viagem à cidade de Rio Verde, no interior de Goiás, para checar a produção de soja, um dos produtos presentes na lista de compras da Rússia, e a fábrica de uma das maiores exportadoras de carne brasileira ao país, a Perdigão.