Discurso
do presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de
incorporação das novas aeronaves Mirage 2000
à Força Aérea Brasileira
Anápolis-GO, 04 de setembro de 2006
Senhor Waldir Pires, ministro da Defesa,
Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações
Exteriores,
Senhor Jean de Gliniasty, embaixador da República
Francesa no Brasil,
Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos da Silva Bueno,
comandante da Aeronáutica,
Senador Maguito Vilela,
Deputados federais Rubens Otoni e Barbosa Neto,
Senhores prefeitos Pedro Fernando Sahium, de Anápolis;
Íris Rezende, de Goiânia,
Coronel Mauro Martins Machado, comandante da Base
Aérea de Anápolis,
Senhores oficiais-generais,
Senhores e senhoras integrantes do 1º Grupo de Defesa
Aérea,
Senhores e senhoras membros das Forças Armadas da
França e do Brasil,
Senhores jornalistas,
Meus amigos e minhas amigas,
Nesta
ocasião em que a Força Aérea Brasileira
recebe os seus mais novos aviões de combate, faço
questão de registrar publicamente o respeito e a
admiração que sinto por todos os profissionais
da Aeronáutica. Sua dedicação à
defesa da soberania nacional, à eficiente guarda
do espaço aéreo brasileiro e à proteção
de nossas imensas fronteiras é certamente um fator
de segurança com o qual todos os brasileiros podem
contar.
Neste centenário do vôo do 14-BIS, nunca é
demais lembrar que os senhores fazem parte da longa história
da aviação, que teve um brasileiro como pioneiro.
E que, nesses cem anos, contribuiu imensamente para a integração
dos povos e para o desenvolvimento econômico de todo
o planeta.
A Força Aérea Brasileira provou, ao longo
de sua trajetória, que guarda os mesmos ideais que
inspiraram Santos Dumont: permitir ao homem que levante
vôos para um mundo mais justo.
Foi esse o sentido da criação, ainda em 1931,
do Correio Aéreo Nacional. Ele possibilitou às
populações das mais remotas regiões
brasileiras o acesso aos benefícios que, embora fossem
disseminados nas grandes cidades, eram - e em muitos casos
ainda são - raros em suas localidades. Trata-se de
remédios que muitas vezes salvam vidas, do atendimento
médico e odontológico, do simples direito
de poder trocar correspondências.
Nossa aviação de caça, por sua vez,
mostrou grande valor na defesa da justiça e da democracia
quando, na Segunda Guerra Mundial, os heróicos combatentes,
liderados por Nero Moura, cruzaram os céus italianos
e ajudaram o mundo a se livrar da ameaça totalitária.
Tudo isso mostra que a vocação histórica
dos brasileiros não é a de ameaçar,
é a de estender a mão. Foi assim no Timor
Leste e no Líbano, assim continua a ser no Haiti.
Defendemos a paz como um valor sagrado, mas sempre nos manteremos
vigilantes para defender a nossa soberania e o nosso imenso
território que guarda tantas riquezas.
As lições da história e as incertezas
da realidade mundial impõem a existência de
estruturas defensivas plenamente aptas a resguardarem, sempre
que necessário, os interesses nacionais. O desafio
da defesa aeroespacial é este: ser o escudo infalível
que, a qualquer tempo, sob quaisquer circunstâncias,
defende a Nação e seus habitantes.
É por esse motivo que acolhemos, hoje, o novo equipamento
que certamente contribuirá para que esse desafio
seja vencido: o Mirage 2000. Ele reforça o domínio
dos céus brasileiros por nossa força aérea.
Com mísseis de longo alcance, avançados sistemas
eletrônicos e um alto desempenho comprovado em Forças
Aéreas de vários países, o Mirage 2000
permitirá uma incontestável evolução
no treinamento, no apoio logístico e no cumprimento
da nobre missão do Primeiro Grupo de Defesa Aérea.
Esses avanços já são muitos significativos
para Aeronáutica, mas outros, certamente, estão
por vir.
Com os Mirage eliminamos uma lacuna em nosso dispositivo
de defesa aeroespacial. Mas o planejamento estratégico
de nossa defesa inclui a chegada futura do FX, imprescindíveis
elementos de avanço tecnológico para a Força
Aérea.
O reequipamento das Forças Armadas, essencial para
a defesa, como suporte da atuação política
e diplomática no exterior e estreitamente interligado
à dinâmica econômica e social do País
tem merecido minha atenção e meu esforço,
na qualidade de comandante supremo.
Quero lhes afirmar, pilotos, mecânicos, homens e mulheres
que dedicam a vida a serviço do Brasil, que estamos
juntos nesta grande empreitada que é tornar a nossa
Força Aérea cada vez mais avançada
e eficaz. Na Amazônia, no Pantanal e sobre os nossos
mares, estas asas já provaram o seu inestimável
papel na construção de uma Nação
mais solidária, democrática e justa. Esse
papel continua presente nos dias de hoje e, tenho certeza,
que será cada vez mais importante no futuro.
Muito obrigado.