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Programa
F-X
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Defesanet
23 Junho 2005
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Exclusivo
Defesa @ Net
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Após
o Champanha e Medalha, a Realidade
Ao
retornar de Paris o Alto Comando da FAB encontra uma realidade bem
mais fluida e inconsistente do que quando partiu.
Nelson
F. During
.A fumaça
que está tornando-se o governo Luiz Inácio, passa
a trazer para a FAB algumas realidades as quais têm sido consistentemente
ignoradas ao longo de todo o processo de seleção do
Programa F-X. E que curiosamente é posto com ênfase
no F-XB - Ignorar o contexto geopolítico.
Desde
a afirmação de que escolherá o melhor caça
e iniciar uma insana luta contra a EMBRAER, parte posteriormente
para uma definição, que pode ser alguns anos mais
defasada do que julgava anteriormente como inaceitável.
Antes
e depois do anúncio do possível acordo com a França,
e após o envio da carta de cancelamento do processo de avaliação
do Programa F-X dentro do âmbito da FAB, como enviada pela
Comissão de Seleção do Projeto F-X BR ( COPAC),
no dia 22 de Fevereiro de 2005, os concorrentes apresentaram contrapropostas.
Defesanet traz as um sumário das propostas:
Gripen
International
Apresentou
uma proposta de leasing para aviões novos. Com um prazo de
5 anos de carência e até 15 anos para pagamento se
fosse concretizada a compra. Manteria a proposta de offsets( contrpartidas
comerciais), ajustados ao valor do contrato
Durante
a LAAD manteve contato com o Comando da FAB para perguntar se haveria
interesse de oferta de aviões usados. Em videoentrevista
para Defesa @ Net, durante a LAAD, Erik Helm mencionou que estava
esperando uma resposta da FAB/Governo
Tanto
para a oferta de leasing como para o pedido de esclarecimentos,
a FAB não tinha se pronunciado até a semana passada.
No caso aviões usados seriam caças com uma média
de sete anos de vida operacional.
Rosoboronexport
- Sukhoi
A
empresa ofereceu para venda um lote de 12 aviões Su-27 SM/UB
em uso pela Força Aérea Russa. Essa oferta inclui
armamentos ( mísseis ar-ar ) e um lote de peças de
reposição.
O
lote de aviões é composto por 11 caças Su-27SM
( monoposto ) e um Su-27UB ( biposto), os aviões já
estão separados e prontos para inspeção dos
membros da FAB. Os anos de fabricação está
entre 1987-1990.
A
Rosoboronexport não menciona valores finais, mas indica que
está ao redor de U$ 120 milhões. Oferece uma clausula
de buy-back ( recompra ), se for adquirido uma versão de
caça Sukhoi mais moderna.
O
Agente da empresa russa no Brasi, Sr Luis Camargo informou a Defesanet,
que a FAB não tinha dado nenhum retorno a essa proposta.
Lockheed
Martin - F-16
F-16
AM / BM
A
empresa americana apresenta duas opções e age de maneira
discreta. A primeira é o seu apoio a proposta de aviões
disponíveis das Forças Aéreas da Holanda e
Bélgica. Desses em particular a FAB mostrou predileção
pelos F-16 AM / BM da Real Força Aérea da Holanda.
A letra "M" indica que o avião sofreu um processo
de modernização o que lhe permitiria lançar
e empregar armas de última geração.
Os
valores estão entre 5-8 milhões de dólares
a unidade. Os valores podem variar dependendo das peças e
quantidades de aviões que sejam comprados. Não estariam
incluídos armamentos, que podem ser negociados com a própria
Holanda. O governo americano manteria as liberações
de armas avançadas.
É
noticiado que o Chile tenha interesse nesses aviões ( 24
unidades).
F-16
A / B
Governo
americano também oferece, de forma direta, um lote de 14
aviões F-16 A / B. Essa proposta está apoiada em um
pacote de equipamentos que seriam oferecidos para as Forças
Armadas Brasileiras. Inclui o Exército e Marinha. Essa proposta
com aviões dos primeiros lotes que a USAF recebeu poderiam
ser modernizados na EMBRAER. O governo americano manteria as liberações
que foram garantidas em 2002 para a venda de armamentos modernos,
mísseis AIM-120C AMRAAM e armas guiadas ar-terra. Como cereja
a participação no Programa JSF ( F-35 ).
Mirage 2000-C/B
A
proposta francesa divulgada, em 26 Abril 2005, permanece a única
que o Governo e a FAB admitem oficialmente. São 10 aviões
Mirage 2000-C ( Monopostos) e 2 Mirage 2000-B. Por um preço
ao redor de 60-80 milhões de Euros. Não está
incluído armamento nem peças de reposição.
Observar que a atual cadeia logística do Mirage III, operado
pela FAB, não é compatível com a do Mirage
2000. A proposta também pode prever um up-grade no avião
a ser realizado pela EMBRAER, no período 2008-2010.
O
Governo francês aposta de forma ampla nesse acordo, visto
a forma com que a delegação da FAB foi recebida em
Paris. Também é ambicioso pois prevê acordos
para as outras forças, incluindo quesitos tais como: apoio
na reforma do A-12 São Paulo, acordos em áreas espaciais
e nuclear, e não confirmado, mas possível, o apoio
francês em um projeto de veículo blindado brasileiro
e/ou a cedência de veículos blindados de rodas( VAB?).
A Operação do Exército e Corpo de Fuzileios
Navais no Haiti demonstrou a urgente necessidade de mais veículos
blindados de rodas.
Qual a Melhor Oferta?
Os
governos brasileiro e francês têm trabalhado ativamente
para a conclusão dessa negociação. De um acordo
certo e líquido como anunciado em abril, passou, com a atual
tormenta política em Brasília, a ser posicionado em
um campo mais movediço.
De
uma posição de tiete do Governo Luiz Inácio,
que era a Embaixadora Americana Hanna Hrinak, os americanos apresentam
John Danilovich, o atual embaixador, que tem agido ativamente para
que os F-16 pousem em Anápolis.
Assim
a fragilidade do governo brasileiro o torna mais suscetível
a mudar a posição na mesa de negociações.
Com uma política externa de aparente agressividade, que é
dirigida por neo-diplomatas de botequim, mas que na base o tem deixado
isolado no contexto internacional, o governo vê suas opções
estreitarem.
E
essas opções não estão somente: nas
capacidades do equipamento, condições financeiras,
mas sim nas condições geopolíticas mundiais.
A
Geopolítica
Era
compreensível que os paises brigassem pelo contrato de 12
caças, em uma compra inicial, que poderia chegar até
46 ou 70 aviões,em um longo prazo, com a substituição
dos F-5. Mas atual competição pela venda de 12-14
aviões usados, ou semi-novos, pode parecer incompreensível.
De
valores próximos de 1 bilhão de dólares falamos
agora de 80-140 milhões.
Os
interesses são vários e podemos enumerar:
1-
O mercado de defesa encolhe e garantir presença em um mercado
futuro (JSF, Rafale, Gripen, Sukhoi 5ª Geração):
2- Necessidade de estreitar relações militares com
outros paises, em especial do ponto de vista americano;
3- Alinhar blocos comerciais e industriais.
De
outro lado a briga particular de França e Estados Unidos
pelo mercado de tecnologias de ponta, em especial caças.
As ações dos Estados Unidos oferecendo no mesmo momento,
caças para o Paquistão e Índia mostra o interesse
nesses negócios. A Índia planeja comprar 126 caças,
decisão que deve ser tomada em 2006 ou 2007. A chamada "última
concorrência do novo Século".
Fora
as compras das potências, não se prevê que um
país vá ao mercado e compre tal quantidade de equipamentos.
Tudo que possa reforçar / prejudicar a posição
de um competidor nessa concorrência indiana é observado
com interesse.
A
fragilidade do governo Luiz Inácio, a economia nacional apresentando
início de dificuldades leva ao acordo ser analisado por novos
ângulos.
Mesmo
que gabinetes próximos ao do Comandante da FAB, trabalhem
ativamente pela solução francesa, a própria
força novamente está fraturada na tomada das decisões.
Tão fraturada como esteve em todo o processo do F-X.
Ao
tudo passa o futuro da indústria aeronáutica mundial.
Continuará a FAB em franca oposição a terceira
maior indústria aeronáutica mundial.
Assim
o champanha do 14 de Julho poderá ter um gosto amargo para
aqueles que já previam o desfile de, ao menos dois caças
Mirage 2000, nas cores da FAB, sobrevoando os Champs Ellysées.
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