COBERTURA ESPECIAL - Fronteiras - Defesa

22 de Outubro, 2012 - 10:52 ( Brasília )

“População quer que outras operações Ágata aconteçam”, diz ministro Amorim

Na capital de Rondônia, ministro avalia que resultados da Ágata 6 são positivos

Instituída pelo governo federal, no âmbito do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), para combater ilícitos praticados ao longo de 16.886 quilômetros na divisa com dez países, a Operação Ágata consolidou-se de vez ante aqueles que mais diretamente dela se beneficiam. Como resultado, governos de 11 estados e mais de 500 municípios pedem que outras edições se repitam. A informação é do ministro da Defesa, Celso Amorim, que nas últimas 48 horas esteve nos municípios de Corumbá (MS), Cáceres (MT) e Porto Velho (RO) para acompanhar a Ágata 6, operação que envolve cerca de 13 mil militares das Forças Armadas e outros 500 agentes públicos de 12  ministérios e governos estaduais e municipais para atuar na fronteira com a Bolívia e o Peru.

“O sucesso da Operação Ágata é tamanho que a população nos pede para que se repita em outras ocasiões”, contou o ministro Amorim, em entrevista coletiva no Aeroporto de Cáceres. Em Porto Velho, após conhecer os resultados parciais das duas semanas de operação, Amorim classificou como positivos os resultados da operação coordenada pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA).

Celso Amorim lembrou que o Brasil, por ter uma das maiores fronteiras terrestres do mundo, tem se valido de novas tecnologias para combater os crimes praticados nessa região. Ele citou como exemplo o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), equipamento que teve a oportunidade de ver operando em Cáceres.

O ministro considerou importante também a interoperabilidade da três forças – Marinha, Exército e Aeronáutica –, que atuam juntas nas operações de fronteiras. “Todas essas coisas contribuem para que tenhamos resultados importantes nessas operações. Há também aspectos de cooperação, com a participação de governos estaduais e municipais, além do sentimento de segurança para a população, que sempre quer mais operações Ágata”, contou.

Amorim explicou ainda que o governo brasileiro sempre busca dar transparência à mobilização militar na fronteira, informando previamente os países vizinhos acerca da mobilização militar.  Ao mesmo tempo, disse que o Brasil tem estreitado parcerias com as nações sul-americanas. O exemplo mais recente foi a doação de quatro helicópteros H-1H Iroquois à Bolívia, para o combate ao narcotráfico. “Estive em Santa Cruz de La Sierra, quando oficializamos a entrega dos primeiros equipamentos ao presidente Evo Morales”, disse.

Ágata 6

De acordo com o ministro da Defesa, as informações obtidas pelas Forças Armadas são processadas pelo serviço de inteligência, e podem ser utilizadas tanto pelos militares quanto por órgãos responsáveis pela segurança pública, entre os quais o Ministério da Justiça, que desencadeia a Operação Sentinela tão logo finda a mobilização das tropas militares na fronteira. Enquanto acompanhou a ação militar da Ágata 6, Amorim esteve acompanhado do vice-presidente Michel Temer, além de autoridades militares, políticos e jornalistas. A operação acontece ao longo de 4,2 mil quilômetros, de Corumbá e Mâncio Lima (AC).

Segundo Amorim, a avaliação no âmbito do governo federal é que a mobilização militar na região funciona como inibidor das quadrilhas que atuam em diversos ilícitos transfronteiriços, como tráfico de entorpecentes, contrabando e roubo de carros, dentre outros.

A viagem do ministro à região começou por Corumbá. Do aeroporto local, Amorim e Temer visitaram o Forte Coimbra. No início da tarde, a comitiva se reuniu no 6º Distrito Naval (DN), no município de Ladário, distante cinco quilômetros de Corumbá. Depois de conhecer dados sobre as operações desenvolvidas nos últimos meses, o ministro e o vice-presidente embarcaram no navio monitor Parnaíba até o porto geral da cidade.

Em seguida, as autoridades seguiram para o Posto Esdras, localizado na divisa do Brasil com a Bolívia. No local, receberam informações sobe a ação policial e alfandegária na fronteira. O primeiro dia da visita foi concluído com uma exposição na 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira.

Na última quinta-feira (18), a comitiva deslocou-se para Cáceres. No aeroporto local, Amorim e Temer receberam mais informações sobre a ação militar na região e acompanharam uma demonstração do Vant Hermes 450. A participação de Amorim e Temer em Cáceres foi concluída com percurso pela Escola Agrotécnica Federal de Cáceres e pelo Instituto Federal de Educação de Mato Grosso. De Cáceres, Amorim seguiu para Porto Velho, onde concluiu a participação na região da Operação Ágata 6.

Em Porto Velho, o ministro da Defesa deslocou-se da base aérea para a 17ª Brigada de Infantaria de Selva. Lá, recebeu informações sobre a ação da Força Terrestre Amazônia, sob o Comando Militar da Amazônia (CMA). No encerramento da viagem, Amorim destacou também a participação das Forças Armadas nas ações cívico-sociais (Acisos). E disse que os atendimentos médico-hospitalares e odontológicos “fortalecem a presença do estado brasileiro” na região de fronteira.“

Dentro dos próximos dias teremos o balanço final da Operação Ágata 6. Mas, desde já, podemos afirmar que haverá outras ações desse porte. A Ágata se repetirá com alguns ajustes que vamos fazer”, antecipou.