COBERTURA ESPECIAL - Fronteiras - Defesa

29 de Agosto, 2012 - 12:40 ( Brasília )

Brasil intensifica combate às drogas nas fronteiras


O Brasil sofre o efeito colateral da bonança econômica: a disparada no consumo de cocaína e seus derivados, o que levou o país a intensificar o combate ao narcotráfico nas fronteiras, na tentativa de conter o ingresso de drogas da Bolívia, Peru e Colômbia.

Enquanto se intensifica na região o debate sobre a legalização do consumo de drogas, o governo de Dilma Rousseff empreende uma nova estratégia militar e policial de perseguição ao narcotráfico que parte dos limites de seu vasto território, penetra nas regiões do país e chega às cidades, onde pequenos e médios traficantes abarrotam as cadeias.

“Nosso país está crescendo economicamente e, quanto maior o poder aquisitivo, maior o consumo de drogas. No sul e sudeste do Brasil concentram-se 60 por cento da população e 75 por cento do PIB brasileiro, e é aí que se consome mais cocaína”, afirma à AFP Oslain Santana, chefe do combate ao crime organizado da Polícia Federal.

O plano de combate às drogas, que combina o pulso firme contra o tráfico com a assistência médica aos dependentes, envolve ações conjuntas entre as polícias do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Paraguai e Uruguai e, espera-se, em pouco tempo também da Venezuela.

A cooperação é amparada por acordos bilaterais para o intercâmbio de informações, financiamento de programas e o acompanhamento de observadores brasileiros nas tarefas de erradicação de plantios ilegais nos territórios vizinhos.

“Jamais tentamos afetar a soberania (dos vizinhos), não temos essa intenção, apenas queremos cooperação. Pode ser que o crime não tenha fronteiras, mas a Polícia sim”, apressa-se a explicar o chefe policial, diante de rumores de que agentes armados do Brasil estejam participando de operações antidrogas em solo peruano.

Em junho de 2011, Dilma Rousseff lançou um plano estratégico que prevê a mobilização periódica de contingentes militares nas fronteiras com o apoio de veículos blindados, aviões e lanchas, para flagrar os traficantes.

Ao todo 3.500 policiais – 1.000 a mais do que há um ano – apoiam o combate ao narcotráfico das fronteiras até as ruas e favelas.

Nesta semana foi encerrada a Operação Ágata nos limites com a Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai – uma área de 3.900 quilômetros – que envolveu 17 mil militares.

Em 15 dias as tropas detiveram 31 pessoas e apreenderam seis toneladas de drogas, segundo o Ministério da Defesa. Em 2011 a Polícia Federal apreendeu 24 toneladas de cocaína, contra 27 em 2010.