COBERTURA ESPECIAL - Fronteiras - Aviação

30 de Abril, 2018 - 11:00 ( Brasília )

"Combate ao tráfico aéreo"


Nos últimos dias, tivemos dois episódios relacionados ao tráfico de drogas por via área. Em São Paulo, Rogério Almeida Antunes, piloto de helicóptero, foi detido pela polícia daquele estado, sob suspeita de atuar no transporte de entorpecentes para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Mais recentemente, na semana passada, avião bimotor foi interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB) no município de Corumbá. O aparelho transportava 500 quilos de cocaína.

No caso do piloto de helicóptero, este já foi preso, em 2013, com 450 quilos de cocaína, em aeronave que pertencia, na época, ao ex-deputado estadual por Minas Gerais Gustavo Perrela. Conforme a polícia do Estado de São Paulo, Antunes era uma espécie de “professor” da escola de aviação do PCC.

Ele dava dicas a outros pilotos envolvidos com o tráfico de como levar a droga da Bolívia ou de municípios fronteiriços, como Corumbá, por exemplo, para grandes centros consumidores do Brasil e também para outros continentes.

Por sua vez, a apreensão de 500 quilos de cocaína na semana passada, em pleno Pantanal, demonstra que o tráfego de aviões a serviço do tráfico é cada vez mais intenso e que é necessário reforço e, sobretudo, uma atuação cada vez mais incisiva por parte das autoridades do plano federal.

A notícia da interceptação deve ser recebida de maneira positiva. A julgar pelo histórico dos últimos meses, a Polícia Federal e a FAB estão, finalmente, trabalhando em conjunto. A Lei do Abate está em vigor desde 2004, mas só agora que os caças Super Tucano (muitos deles baseados em Campo Grande) estão fazendo o trabalho que lhes cabe: patrulhar o espaço aéreo brasileiro
.

Entre os traficantes, é sabido que o transporte de entorpecentes por via área proporciona um risco menor de perda da carga e, conforme informações das polícias, um custo inferior com logística, pois envolve um número mais baixo de pessoas. É preciso que o trabalho da FAB e da Polícia Federal seja intensificado.

Se nas rodovias federais de Mato Grosso do Sul, conforme reportagem publicada no mês passado, o volume de cocaína apreendida é seis vezes maior que o do ano passado, faz sentido deduzir que os 500 quilos que estavam no avião interceptado no Pantanal sejam somente a “ponta” de um iceberg de pó.

O trabalho que está sendo feito no espaço aéreo deveria servir de exemplo para a atuação das autoridades federais responsáveis pela estratégia de combate ao tráfico de entorpecentes nas vias terrestres. Quando isso acontecer, os criminosos que usam Mato Grosso do Sul como rota de escoamento de cocaína receberão um duríssimo golpe.

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