COBERTURA ESPECIAL - Fronteiras - Defesa

14 de Agosto, 2017 - 10:15 ( Brasília )

Ministro da Defesa diz que bloqueio de recursos não afeta ações de segurança nas fronteiras

Raul Jungmann esteve na cidade amazonense de Tabatinga.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou durante visita ao Amazonas, na sexta-feira (11), que o contingenciamento de recursos não afeta operações de segurança nas fronteiras. Jungmann esteve na cidade amazonense de Tabatinga onde se reuniu homólogo peruano, Jorge Montesinos, no 8º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) para tratar sobre o controle e segurança na área da tríplice fronteira.

Em março, foi anunciado um bloqueio de R$ 42,1 bilhões nos gastos da União, que afetou diversas áreas. Em julho, o governo fez novo corte, de R$ 5,9 bilhões. O Ministério da Defesa, pasta responsável pelos repasses ao Exército, teve R$ 5,75 bilhões de sua dotação orçamentária para 2017 bloqueada. Com isso, o valor liberado para despesas recuou de R$ 22,28 bilhões para R$ 16,52 bilhões. O Exército sofreu contingenciamento de 43%.

“Nós ainda não tivemos nenhuma redução de operações. Nós temos um compromisso de que até setembro estaremos solucionado o contingenciamento que aconteceu. De sorte, não perdemos a capacidade operacional, tampouco vamos continuar esperando por muito tempo a resolução dos problemas orçamentários que veem da queda da economia e da arrecadação”, declarou Jungmann.

Em Tabatinga, os ministros da Defesa de Brasil e Peru, Jorge Montesinos, discutiram sobre ações bilaterais de combate ao tráfico de drogas e armas, além do combate aos crimes ambientais na região de fronteira entres países. Essa é a segunda vez que o ministro esteve em Tabatinga este ano.

A região da tríplice fronteira, formada pelas cidades de Tabatinga, Letícia e Santa Rosa, é considerada pelo governo brasileiro uma das principais rotas do tráfico de cocaína pelo Norte do Brasil.

“A aqui se inicia o que faz sofrer e aterroriza as populações das nossas cidades, a exemplo do Rio de Janeiro, de São Paulo, nossas capitais e regiões metropolitanas. Aqui é onde temos o nascedouro do crime organizado, fazendo o tráfico de drogas e armas. Trocando informações, integração entre as polícias, com comandos operacionais conjuntas e com tudo aquilo que permite detectar, vamos identificar e golpear o crime”, disse o ministro Raul Jungmann.

Foram anunciadas operações conjuntas de inteligência com o governo do Peru para combater o tráfico de drogas, armas e crimes ambientais. A estratégia, segundo o ministro, é atuar em cooperação com as agências e pelotões de fronteiras.

Há limites

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, disse no Twitter que está fazendo o "dever de casa" diante dos cortes orçamentários, mas afirmou que "há limites". Ele também escreveu que vem participando de reuniões para discutir o contingenciamento de recursos e buscar soluções.

“Conduzo seguidas reuniões sobre a gestão dos cortes orçamentários impostos ao Exército. Fazemos nosso dever de casa, mas há limites”, afirmou Villas Boas.


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