COBERTURA ESPECIAL - Front Interno - Segurança

23 de Março, 2007 - 12:00 ( Brasília )

TUCURUÍ - Governo autoriza uso do Exército


Guerra Irregular Moderna


Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília


O uso das Forças Armadas para conter a manifestação na usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, foi autorizado nesta quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Homens do Exército e da Polícia Federal serão deslocados para o local, que é ocupado desde a madrugada de hoje por integrantes de vário movimentos sociais, entre eles Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

A Polícia Federal (PF) informou que enviou 15 homens para Tucuruí. O Exército, que não divulgou o contingente que será utilizado, informou que soldados estão saindo do quartel de Marabá (PA) para se juntar com um esquadrão de militares de Tucuruí. Segundo comunicado divulgado na tarde de hoje, os militares estão sendo enviados "com a finalidade de ficar em condições de garantir a preservação do patrimônio público e, principalmente, o adequado funcionamento da usina".

A assessoria do Planalto informou que já foi feita uma negociação com os manifestantes e que a maior parte das 600 pessoas que ocupavam a usina já teriam começado a deixar o local. Apenas dez manifestantes permanecem na sala de controle da usina, aguardando a finalização da negociação. Entre promessas feitas pelo governo está o compromisso de receber uma comitiva de representantes até semana que vem, para negociar a pauta de reivindicações. As negociações com os manifestantes estão sendo feitas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Secretaria-Geral da Presidência.

A assessoria da Presidência da República informou também que o juiz da 1ª e 3ª varas da Comarca de Tucuruí concedeu, na tarde desta quarta-feira, uma liminar para reintegração de posse. O pedido foi feito pela companhia de energia Eletronorte.

Os movimentos reivindicam a implementação de projetos de desenvolvimento para atingidos por barragens, educação de qualidade no campo, melhor atendimento de saúde pública, construção de poços artesianos, instalação de telefones públicos em zonas rurais e mudanças na política econômica do governo. Há também reivindicações relacionadas à energia elétrica, como redução dos preços e instalação de rede elétrica para populações que vivem as margens das barragens.

Para discutir a desocupação, os manifestantes querem a presença de um grupo formado por órgãos do governo federal, como Ministério de Minas e Energia e Casa Civil. "Eles viabilizando tudo isso vamos desocupar, enquanto não fizerem permanecemos aqui", diz a coordenadora nacional do MAB, Elvanice de Jesus.

A Eletronorte afirma que, apesar de ter sido ocupada uma sala de comando da usina, as operações de fornecimento de energia não estão interrompidas e até o momento não há risco de desabastecimento. Na avaliação da empresa, entre 200 e 250 pessoas ocupam Tucuruí.

Além de atender os Estados do Pará, Maranhão e Tocantins, a hidrelétrica de Tucuruí exporta energia para os sistemas Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A usina é parte essencial do Sistema Elétrico Interligado Nacional (SIN).