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10 de Setembro, 2011 - 11:00 ( Brasília )

Incêndio que devastou banco genético da USP foi intencional, diz Ibama

Análise técnica da região atingida não aponta culpados; laudo ainda não foi encaminhado para a universidade.

Publicado OESP 09 Setembro 2011

O incêndio que atingiu o banco genético da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto em agosto e destruiu 27,3 hectares de floresta foi intencional, afirma o técnico Celso Luiz Ambrósio, do Centro Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevfogo), do Ibama. Segundo Ambrósio, após 15 de análise da região atingida pelo fogo foi possível determinar que o incêndio não foi derivado da queima de lixo ou da queda de uma bituca de cigarro. "Encontramos o ponto de origem do incêndio e não havia nenhum dispositivo de ignição no local, essa característica nos leva a pensar que a queimada foi intencional", afirmou.

O laudo, que ainda não foi encaminhado para a universidade, não aponta culpados. O técnico formula algumas hipóteses que podem ter motivado o incêndio: piromaníacos, criação de pasto para animais ou "até mesmo por vingança".

Dimensão - A floresta queimada tem 75 hectares, sendo que 45 deles fazem parte do banco genético - plantas e sementes de espécies das Bacias Hidrográficas dos Rios Pardo e Mogi, além de mamíferos, aves, fungos, insetos e animais de solo. Segundo a pesquisadora Elenice, na parte do banco genético incendiado existiam 45 espécies arbóreas com 3.375 progênies (matrizes para preservação da variabilidade genética) que serviriam para a criação de novas florestas.

De acordo com a guarda da universidade, esse foi o maior incêndio na história do campus da USP de Ribeirão Preto. Foram perdidos, segundo a USP, material genético de insetos, de aves, ninhos de passarinhos, além de árvores de várias espécies, com sementes de origem conhecida e qualidade garantida, a fim de recuperar áreas degradadas.

Segundo informações da professora de Biologia da Universidade, Elenice Varanda, "guardadas as devidas proporções, a perda da USP é a mesma que aconteceu com o Instituto Butantã", quando o incêndio destruiu a maior coleção de cobras, aranhas e escorpiões do mundo, em maio do ano passado.