As perigosas relações
com o Paquistão
França quer investigação sobre
atentados de 2002
Deputados da oposição socialista pediram
nesta quinta-feira a abertura de uma comissão
parlamentar de inquérito para investigar as
circunstâncias da morte de 11 engenheiros franceses
em um atentado no Paquistão em 2002.
Segundo um advogado de familiares de vítimas,
as investigações sobre o ataque estão
direcionadas agora na decisão da França
de suspender o pagamento a intermediários paquistaneses
de comissões ligadas a um contrato para a construção
de submarinos no Paquistão com tecnologia francesa.
A hipótese de represália foi levantada
pelo jornal francês Libération em duas
matérias publicadas esta semana.

Os
restos do ônibus que transportava onze
engenheiros franceses e três paquistaneses
em Karachi, no Paquistão, depois do atentado
de 8 maio de 2002. Foto:AFP |
Em 8 de maio de 2002 na cidade de Karachi, um carro
cheio de explosivos colidiu com um minivan que transportava
os onze engenheiros franceses que trabalhavam para
a empresa estatal francesa DCN (atualmente DCNS) e
três paquistaneses, que também morreram.
Dois supostos militantes de um grupo ligado à
rede al-Qaeda chegaram a ser indiciados no Paquistão
em 2003 pelo atentado, mas ambos foram inocentados
no mês passado por falta de provas.
As investigações dos serviços
franceses antiterrorismo se interessam agora em saber
se o ataque pode ter sido organizado como represália,
depois que a França decidiu suspender o pagamento
de comissões a intermediários paquistaneses
no contrato dos submarinos.
Familiares
das vítimas acreditam que os ataques foram
ordenados por Asif Ali Zardari, ministro em 2002 e
agora presidente do Paquistão, após
a suspensão do pagamento das comissões.
Essas comissões, que constavam do contrato
inicial, foram autorizadas pelo governo do então
primeiro-ministro Edouard Balladur. Elas foram suspensas
depois que seu rival, Jacques Chirac, foi eleito presidente
em 1995. Ainda segundo o advogado das famílias
das vítimas, Chirac teria ordenado a suspensão
do pagamento das comissões por acreditar que
parte do dinheiro teria sido desviado para financiar
a campanha eleitoral de Balladur.