COBERTURA ESPECIAL - Fidae - Geopolítica

07 de Abril, 2012 - 11:31 ( Brasília )

Rússia - À conquista da América Latina

Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE-2012) chegou ao fim na capital chilena, e as expectativas das empresas russas aumentaram com a receptividade e possíveis negociações na região.

O stand russo contou com a exposição das maquetes de aviões de caça de múltiplas funções Su-35 e Su-30MK2, aviões de treino e combate Iak-130, helicópteros de carga militar Mi-17, de ataque Mi-28NE, entre outros destaques.

A maioria das peças foi apresentada em forma de maquetes, vídeos e cartazes publicitários. “É muito caro levar veículos e aeronaves em tamanho natural para a outra extremidade do mundo”, afirmaram os especialistas Rosoboronexport, empresa exportadora de equipamento de guerra.

Ainda assim, os países que se interessam em adquirir alguns dos modelos expostos têm a vantagem de poder vê-los em ação em um campo de provas local ou na Rússia.

“O mercado latino-americano é muito promissor e, desde sua criação, a Rosoboronexport tem procurado consolidar as posições da Rússia na região”, disse o chefe da delegação russa, Serguêi Svechnikov, em entrevista à imprensa.

Segundo Svechnikov, sua empresa vem realizando propostas de cooperação para discutir com quase todos os países da região. “Nem tudo será concretizado, mas para nós o mais importante é manter um diálogo intenso, sobretudo por causa do crescente interesse demonstrado”, completou.

No segmento de meios de defesa, os principais destaques foram sistemas de defesa antiaérea e antimíssil como Buk-M2E, Tor-M2E, Antei-2500, Pâncir-S1, sistema antiaéreo portátil Iglá-S e vários sistemas de radar.

Em relação aos blindados, o carro de combate atualizado T-90S, os sistemas móveis de lança-foguetes “Smerch”, canhão autopropulsado MSTA-S calibre 155 mm, foram uns dos itens que mais atraíram a atenção de visitantes e especialistas.

De olho no Brasil

Paralelamente, o Brasil realizou testes com o veículo blindado Tigre, construído na cidade de Arzamas, nos arredores de Níjni Nóvgorod (na região do Volga).

Além de atender a demandas da polícia no patrulhamento de zonas com altas taxas de criminalidade, o veículo poderá ser utilizado para manter a segurança em eventos de importância mundial, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Na Rússia, o Tigre está em serviço no FSB (Serviço Federal de Segurança) e na polícia de choque.

De acordo com vice-diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, Aleksandr Fomín, o Brasil também se interessa pelo avião de múltiplas funções Su-35, que concorre a uma licitação lançada pelo governo brasileiro para a compra de caças.

O Brasil não exclui a possibilidade de adquirir um Su-35, segundo informou a agência Interfax. No entanto, a aquisição estaria condicionada à compra de aeronaves de passageiros brasileiras pelo russos.

No setor de helicópteros, a situação é mais clara. Recentemente, a  fabricante de helicópteros russa “Vertoliôti Rossi” (Russian Helicopters)  finalizou a primeira venda de um Kamov (Ka-32A11VS) de múltiplas funções com rotores coaxiais à operadora brasileira de transporte aéreo Helipark Táxi Aéreo.    

Concessão de benefícios

Embora o Brasil e o Chile ocupem um lugar de destaque nas negociações, Argentina e Peru também estão na mira dos exportadores russos.

Em entrevista à imprensa durante a FIDAE-2012, o chefe da missão da corporação estatal Russian Technologies, Serguêi Goreslávski, disse que o país concederá à Argentina um crédito para a compra de mais um lote de três helicópteros Mi-171E.

“O ministério da Defesa da Argentina fechou um contrato para de cinco helicópteros Mi-171E.. A primeira parcela de duas aeronaves foi paga pela Argentina e já foi entregue ao cliente em dezembro passado. Os três restantes helicópteros serão entregues no âmbito de um outro contrato e serão pagos com o dinheiro a ser emprestado pela Rússia”, explicou.

O Peru, por sua vez,  tem um parque blindado arcaico. Seu principal carro de combate, o T-55, foi produzido nos anos 60 do século passado e não atende mais as condições de combate.

Em 2009, o país criou um grupo operacional para compra de carros de combate chefiado pelo general Jorge Vega. No mesmo ano, a equipe publicou um relatório no qual destacou o carro de combate russo T-90S, o ucraniano Oplot e o alemão Leopard 2A6 como mais adequados aos requisitos tecnológicos do exército peruano.

Como o órgão tem mais de quarenta anos de experiência com carros produzidos na Rússia, os especialistas consideram que o carro de combate russo tem maiores chances de vencer a licitação.

Além disso, possui consumo de combustível reduzido, maior facilidade de manobra e permite realizar  algumas operações de reparação como, por exemplo, a substituição do motor avariado, regionalmente.

Com a intenção de fechar a compra, a Rússia reduziu o preço do veículo e se dispõe a transferir a tecnologia de produção. Para tanto, o Peru deve assumir algumas contrapartidas que preveem, entre outras coisas, a entrega de peças de reposição, manutenção técnica e serviços de reparação.

“O T-90S é um dos melhores carros de combate para equipar o exército e torná-lo apto a operar em todas as regiões do Peru”, afirmam fontes da Rosoboronexport.

Moscou espera que o governo peruano siga o exemplo da Venezuela e da Índia, e venha a escolher o veículo. A Índia, por exemplo, pretende comprar outros 1500 carros de combate T-90S para completar seu parque de 350 veículos russos comprados anteriormente.



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