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RED FLAG

DEFESA@NET 27 Agosto 2008

Exclusivo DEFESA @ NET

RED FLAG

3 - FAB: O Caminho
Pós-Nellis


Nelson During
Editor-Chefe DEFESA@NET

A participação da Força Aérea Brasileira (FAB) na Red Flag 08-3 é um divisor de águas em sua história recente. DEFESA@NET tratará em três artigos o atual momento da aviação de caça do Brasil, o caminho que a levou até Nellis, a atuação na Red Flag e o roteiro pós Nellis e as implicações no Programa F-X2.

DEFESA@NET
1 - Red Flag: O Caminho Até Nellis
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_1.htm
2 - Em Nellis: Lutar, Sobreviver e Vencer
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_2.htm
3 - FAB: O Caminho Pós-Nellis
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_3.htm

FAB: O Caminho Pós-Nellis

Nelson During

Com a boa participação na Red Flag 08-3 a Força Aérea Brasileira apresenta pontos não só para análise como indica rumos para o futuro, inclusive com implicações no Programa F-X2.

Algumas discussões e conceitos que podem ser simples ou ter o mesmo significado apresentam caminhos que chegam a resultados muito diferentes.

Para o leitor o Programa F-X2 significa a compra de um novo caça para a FAB. No senso comum este caça deverá incorporar novas capacidades e tecnologias que dêem mais músculos e braços mais longos para a Força Aérea.

Falamos em aviões multi-missão (multirole), as diversas gerações do desenvolvimento de aviões, sistema centrado em redes (network warfare), guerra eletrônica, etc. Mas o que significa isto dentro de um conceito operacional?

Em tempos de jogos olímpicos podemos comparar as ações de uma Força Aérea com duas competições: as provas de 100 m rasos e o 4x100. Na prova de 100 metros é o atleta em uma corrida solo com o máximo de velocidade. A prova de revezamento 4 x 100 é mais complexa, requerendo coordenação de equipe. Pela primeira vez desde 1948 os EUA não estiveram na final feminina do revezamento 4x100 m.

F-5EM com míssil Python 3 e BVR Derby ambos da empresa Rafael

País com a maioria dos melhores velocistas do mundo, os EUA costumam confiar na velocidade individual dos seus melhores atletas, que se encontram apenas no Mundial e na Olimpíada para treinar a passagem do bastão. Envolvidos com várias eliminatórias, semifinais e finais individuais, velocistas e técnicos dos EUA admitem que não dão muita atenção ao fato, porque o desempenho de cada um costuma compensar eventuais falhas. A vitória é o resultado de um enorme conjunto de fatores do qual a sorte tem sua parte. Mas quem for para a batalha confiando e dependendo muito dela já está a meio caminho de sua derrota.

A Doutrina

As estratégias e os conceitos doutrinários de operações de uma Força Aérea são similares à comparação entre as equipes de 100 metros rasos e de revezamento. Se quero ter o trabalho solitário de um piloto, sei que ele pode ser otimizado, porém tem distância curta. Se desejo multiplicar a nossa força é preciso azeitar as engrenagens e ter uma coordenação não somente com os esquadrões de caças, mas estes com os demais componentes que formam uma Força Aérea (FAE):operações REVO, transporte, guerra eletrônica, C3I, etc. Assim ter o Controle do Espaço Aéreo sobre o território nacional ou em Teatro de Operações e conseguir impor sua presença neste cenário não é fruto de um componente em especial, mas de um conjunto deles operando de forma integrada.

Como nas palavras do Comandante do COMGAR (Comando-Geral de Operações Aéreas), Tenente-Brigadeiro-do-ar João Manoel Sandim de Rezende à DEFESA@NET: “Nenhuma aviação é independente. Basta ver os resultados das CRUZEX. Há uma interação entre as aviações. Nenhuma delas age sozinha, elas são interdependentes. A aviação de caça precisa da aviação de transporte para se locomover. As unidades de caça precisam da presença de unidades C-SAR, caso um piloto venha a ser abatido. As Forças Aéreas (FAE) estão muito coesas na FAB e os comandantes estão aprendendo uns com os outros. O que é fundamental para a sobrevivência de nossa força aérea.”

Uma operação aérea hoje sem a presença de aviões tanque para o reabastecimento em vôo (REVO) é uma operação muito limitada, em especial pelo uso sempre polêmico dos tanques externos para aumentar o raio de ação.

Estrutura das Forças Aéreas (FAE) da FAB

 
Sede
Especialização
I FAE
Natal
especializa os pilotos da Força Aérea nas aviações de Caça, Asas Rotativas, Transporte, Reconhecimento e Patrulha.
II FAE
Rio de Janeiro
emprega aeronaves em operações aerotáticas independentes ou com as Forças Navais
III FAE
Brasília
emprega caças estratégicos e táticos, aeronaves de reconhecimento e de defesa aérea
V FAE
Rio de Janeiro
emprega aviões de transporte

A participação do F-5EM, uma plataforma limitada, porém com uma aviônica moderna que permite ao piloto um maior domínio da área de combate conseguiu reduzir o “gap” tecnológico e operacional da FAB. A introdução do Visor Montado no Capacete (HMD – Helmet Mounted Display) e o Data Link garantirão uma atualização tecnológica que permitirá ao F-5EM operar na FAB até a chegada dos novos caças (2015-2020). A modernização dos A-1 (AMX) ao mesmo nível tecnológico permitira o lançamento de armas guiadas de precisão e o emprego mais amplo assim como operar em ambientes de Guerra Eletrônica .

Leituras preliminares do que os ministros Mangabeira Unger e Nelson Jobim falam sobre a FAB no que chamam de “reorganização e reorientação” permanecem confusas. Algumas vezes focam a questão soberania dando ênfase à questão da Defesa Aérea. Caso seja esse caminho, o que a FAB tem trabalhado, proposto, exercitado e adquirido até o momento poderá ser alterado para um resultado bem diferente.

Uma atualização "mid-life" dos
R-99A está nos planos da FAB

O risco é muito grande pois no presente momento algumas aviações mostram uma fadiga proveniente da extensão das suas operações. Particularmente notada na Aviação de Transporte onde as missões REVO e de transporte em apoio às mais diferentes operações, incluindo as humanitárias e militares, estão impondo uma carga de trabalho adicional além da prevista. A espera pelo projeto EMBRAER C-390, que pode incorporar a função REVO. não pode ser muito longa. Mesmo que seja tomada agora a decisão de avançar com o programa, as primeiras unidades só chegarão à FAB em 2013/2015.

Na área de C3I uma modernização dos sistemas dos aviões R-99A deve ser planejada, não só incorporando a redução de peso e consumo de energia com a miniaturização de componentes eletrônicos. A própria modernização do radar SAAB Erieye, dando maior capacidade pode ser incorporada

O Cenário Latino-Americano.

A FAB conseguiu adquirir o domínio operacional em ambiente BVR (mais detalhes no primeiro artigo). E as ações na Red Flag foram totalmente em ambiente BVR. Quando não acontecia assim algo tinha saído errado na palavras de piloto do Esquadrão Pampa. Não é só "lock" (fixar no alvo) e disparar o míssil, mas ter o total controle do espaço aéreo. Mais do que isso, o domínio em operações integradas com as diferentes aviações.

No continente latino-americano tanto a Fuerza Aérea de Chile (FACh), F-16C/D Block 50, e a Fuerza Aérea de Venezuela (FAV), com o Su-30MK2 possuem plataformas mais capazes que a FAB com os F-5EM e o Mirage 2000C/B.

Olhado de uma forma integrada a comparação quanto às demais capacidades fica:

País
Alerta Antecipado
Domínio
BVR
REVO
C-SAR
BRASIL
Sim ( R99A)
Sim
Sim
Sim
Chile
Não+
?
Não*
Não
Venezuela
Não*
Não
Não*
?
Legendas
* Em negociação para aquisição
+ A aeronave Condor AEW apresenta limitações de disponibilidade

BVR - A FACh tem liberado fotos de F-16 com mísseis AIM-120 AMRAAM, porém é desconhecido o emprego e a qualificação dos pilotos chilenos no domínio de combates em ambiente BVR. Quanto à Venezuela em recente demonstração do Su-30Mk2 não foram lançados mísseis ar-ar e só mencionado o emprego, porém sem comprovação de armas ar-terra.

REVO - O nível alcançado na área de REVO pela FAB pode ser mensurado pela sua participação na Red Flag, onde os Gripen da Força Aérea Sueca operavam com três tanques de combustível externos pois seus pilotos “não estavam qualificados” para operações REVO. A Suécia não tem aviões reabastecedores em número suficiente o que a obriga a ser dependente de operações da OTAN. A qualificação do sistema de reabastecimento do SAAB Gripen foi com um avião tanque da Força Aérea da África do Sul.

Operando em várias frentes o Armée de l´Air solicitou à FAB que propiciasse operações REVO para o retorno de seus Mirage 2000N que operaram na Red Flag Alaska, no primeiro semestre de 2007. Assim o 2º/2º GT Esquadrão Corsário levou do Alaska até a França esquadrão de Mirages franceses.

F-16 do Chile com míssil
AIM-120 BVR AMRAAN
Avião AEW Condor

Alerta Aéreo Antecipado - Os R-99A e B são os únicos aviões de inteligência efetivamente operacionais na área da América do Sul. O avião Condor da FACh não está mais com status operacional e a Venezuela não tem mostrado indícios de uma negociação para aquisição de um avião de alerta antecipado e controle como o russo A-50 (Ilyushin 76MD)

Estes dois fatos demonstram que o domínio de uma Força Aérea não está numa única arma mas em uma operação integrada de diferentes plataformas.

A comparação com potências internacionais mostra resultados interessantes mas não menos surpreendentes.

País
Alerta Antecipado
Domínio BVR
REVO
Vigilância Terrestre
Brasil
SIM
SIM
SIM
SIM
R-99B
USA
SIM
SIM
SIM
SIM
E-8 JSTAR
Inglaterra
SIM
?
SIM
Sendo Introduzido
Astor
França
SIM
SIM
SIM
Não
-
Rússia
SIM
?
SIM
Não
-

CRUZEX 4

A CRUZEX 4 que será realizada nas cidades de Natal e Fortaleza, no mês de novembro deste ano indicará muitas e importantes respostas. Qual o caminho que será adotado pela FAB? Como reagirão os países vizinhos, em especial o Chile e a Venezuela? Já foi anunciado que os dois países serão representados respectivamente pelos F-5 Tigre III e F-16.

Continuará a FAB no seu crescendo de conhecimento e desafios? O que pensa o Estado-Maior da Aeronáutica e seu comandante sobre as urgentes decisões a serem tomadas?

Os desafios e encargos que serão depositados na FAB são enormes e para eles as respostas serão dadas. Pelo menos uma podemos adiantar.

Ficam as palavras do Ten Brig Sandim: “O Brig Saito determinou que buscássemos a participação em outras edições da RED FLAG e exercícios internacionais dentro dos recursos disponíveis.”

Su-30MK2 da FAV. O grande raio de ação e a capacidade de carga o torna um elemento importante no cenário sul-americano

DEFESA@NET

O F-5 M ( Modernizado ) - 21 Setembro 2005
http://www.defesanet.com.br/rv/f5m/baco.htm

Entrevista com Tenente-Brigadeiro-do-Ar José Carlos Pereira, Comandante do Comando-Geral de Operações Aéreas ( COMGAR), da Força Aérea Brasileira – Março 2005
http://www.defesanet.com.br/fx/jcarlos.htm

Inaugurado Simulador de Vôo do F-5M - Agosto 2006
http://www.defesanet.com.br/fab/f5m_baco_sim.htm

Nuevo avión de combate de la FACh: Cuatro segundos duró debut del F-16 en la Parada Militar - Setembro 2006
http://www.defesanet.com.br/notas/chile_19aet06.htm

   
   
 

 

 

 

 

   
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