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RED FLAG

DEFESA@NET 20 Agosto 2008
atualizado 14:30

Exclusivo DEFESA @ NET

RED FLAG

2 - Em Nellis: Lutar,
Sobreviver e Vencer


Nelson During
Editor-Chefe DEFESA@NET

Nota - fotos Cecomsaer
com exceção das indicadas

A participação da Força Aérea Brasileira (FAB) na Red Flag 08-3 é um divisor de águas em sua história recente. DEFESA@NET tratará em três artigos o atual momento da aviação de caça do Brasil, o caminho que a levou até Nellis, a atuação na Red Flag e o roteiro pós Nellis e as implicações no Programa F-X2.

DEFESA@NET
1 - Red Flag: O Caminho Até Nellis
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_1.htm
2 - Em Nellis: Lutar, Sobreviver e Vencer
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_2.htm


Em Nellis: Lutar, Sobreviver e Vencer

A participação da FAB na Red Flag 08-3 foi preparada com esmero. Intensa preparação em simuladores e operações combinadas complexas como a Centro-Oeste realizada no primeiro semestre de 2008. Uma participação convincente serviria para definir e cristalizar conceitos e doutrina operacional. Além de servir de importante balizamento no atual momento em que o Programa F-X2 dá partida.

Após a débâcle de Maio de 2002 a FAB procurou com determinação o domínio e capacitação de operações em ambientes BVR. Operar neste ambiente não significa somente habilidades dos pilotos de caça, excelente plataforma, ter os mísseis e um bom radar. Significa interoperar com as demais aviações, operações de REVO (Reabastecimento em Vôo), aviões de alerta antecipada (AWACS) e um domínio avançado em C3I (Comando, Controle, Comunicação e Inteligência).

F-5EM decolan de Nellis para
mais uma missão
O KC-137 do 2º /2º ao fundo um B-52H

Assim o 2º/2º Esquadrão Corsário também seria testado não só nas performances de REVO, mas como de operar em ambientes BVR e com C3I. Operar dentro das áreas seguras à retaguarda e acionar táticas evasivas caso o inimigo consiga penetrar na retaguarda.

Um controlador de vôo da Base Aérea de Canoas também participou das operações de C2 da Direção do Exercício.

A Red Flag

Uma relatório detalhado da participação da FAB no Red Flag ainda está sendo redigido pela equipe do Brigadeiro Machado, comandante da III FAE e chefe da delegação da FAB ao evento. DEFESA@NET adianta alguns detalhes.

A complexidade dos exercícios aumenta com o seu desenrolar. Enfrentar dois experientes esquadrões americanos na função de agressors, os 64º Squadron (F-16) e o 65º Squadron (F-15), não é uma tarefa fácil pois certamente são os mais provados em combate, já que operam quase que todas semanas na realização dos “combates” contra os mais diferentes tipos de unidades equipamentos e origens. Além de terem o perfeito conhecimento do terreno em que estão operando.

Operações das equipes de apoio
tiveram de superar os 50ºC do deserto
EA-6B Prowler de Guerra Eletrônica

Os participantes

Origem
Unidade
Equipamento
Brasil 1º/14º GAV 06 F-5EM
2º/2º GT 01 KC-137
1º GT 1º/1º GT 01 C-130
EUA 493 FS 12 F-15 C/D
23 BS 3 B-52H
4 FS
16 F-16CG
VAQ-133 4 EA 6B
552 ACW 1 E-3
726 ACS CRC
92 ARW 2 KC-135
Turquia   141 FS 6 F-16 CG
TAF 2 KC-135
Suécia 21 FS 7 JAS 39 C/D
NATO NATO 1 E-3
México Observadores -

O Programa F-5BR lançado em 2001 com data para terminar em 2006, ainda avança, com cerca de 24 aviões entregues, algo em torno de 50% das plataformas que seriam modernizadas. Os aviões que foram a Nellis não apresentam a totalidade das modernizações previstas. Faltam incorporar dois importantes itens: o HMD (Helmet Mounted Display) e o Data Link e o software definitivo, que deverá estar certificado ao final de 2008.

A aquisição de uma plataforma e armas é a parte menor e parte visível dos custos. Operar, treinar e manter uma cadeia logística viável que garanta uma boa disponibilidade dos sistemas de armas é a parte invisível, porém a mais importante dos custos. E no final é o que definirá se a unidade é operacional ou não. Como as unidades treinarão, capacitarão seus pilotos e equipes de terra é crucial.

A FAB adotou junto com a Aeroeletronica, fornecedora de todos os aviônicos do Programa F-5BR e também do Super Tucano, uma estratégia de CLS (Contracted Logistic Support). Há sempre módulos dos equipamentos aviônicos disponíveis nas bases para substituição imediata e o defeituoso retorna à Aeroeletronica para manutenção. Este mais os centros de simulação junto às unidades tornaram os esquadrões (F-5 e Super Tucanos) com um sentido de operacionalidade até então não vivenciado na FAB.

A Estratégia (Lutar e Sobreviver)

Ao Pampa estava reservada a missão de proteção às forças que iriam atacar alvos terrestres, em especial os Gripen da Força Aérea Sueca e os F-16 da USAF e da Força Aérea da Turquia, assim como os B-52 e as áreas de retaguarda com o E-3 AWACS e aviões tanque, operando em conjunto com os E-6 Prowler de Guerra Eletrônica.

Piloto de F-5EM verifica instrumentos ao fundo um Gripen C da Força Aérea da Suécia Piloto de um F-16C do 4º FS realiza verificação de instrumentos antes da decolagem - Foto USAF

A Força Aérea da Suécia buscava na sua primeira RED FLAG a qualificação para operar com armas guiadas prevendo o lançamento de até 8 bombas guiadas a laser GBU-12. No momento só a Força Aérea Francesa tem certificação para lançar armas guiadas ao solo onde operam forças americanas. Os suecos buscam esta qualificação para poderem participar de forças de coalizão no futuro.

A performance em ambiente BVR apresenta vários parâmetros, listamos alguns:

- Fazer que o inimigo dispare seus mísseis a uma distância que seja possível realizar manobras evasivas;
- Negar o espaço aéreo ao inimigo pela presença da força de caças amiga economizar armas e combustível;
- Conservar ao máximo os mísseis para ter sempre a vantagem da resposta;
- Uma visão mais clara possível da cena de combate (importância do AWACS) e controladores e da inteligência.

Nos itens descritos acima o que destaca é o trabalho de conjunto, não só do Esquadrão que está operando, como com as demais unidades de apoio,: controladores aéreos, operadores de REVO, inteligência, etc.

“Combatíamos à 30/ 40 / 50 milhas, quando o combate era abaixo de 10 milhas (18km) tínhamos a certeza de que algo errado tinha acontecido”.

No complexo de Nellis há simulação de diversos tipos de defesas anti-aérea representando os sistemas russos de mísseis terra-ar SAM 2 / 3 / 6 e 8 porém o Esquadrão operava acima de 20.000 ft (7.000m) e como não realizava operações de ataque ao solo não enfrentou ameaças diretas. É possível plotar no Display de Situação Tática, as áreas que não devem ser sobrevoadas, e com base nas atualizações de inteligência inserir estes dados no sistema.

O Resultado (Vencer)

A grande expectativa era como seria o comportamento das tripulações e do equipamento operando em um ambiente onde todas as ameaças e ações ofensivas e defensivas são executadas: Guerra Eletrônica (EW), Defesa Anti-Aéreas e Ambiente BVR, etc.

Centro de controle de operações aéreas. Desde a CRUZEX a FAB adotou o padrão OTAN e que vem aperfeiçoiando e adaptando às suas necessidades
Foto DEFESA@NET
Caças do 1º/14º decolam tendo ao fundo os E-3 AWACS (USAF e OTAN)

A taxa de vitórias versus as derrotas foi de 40 a 60 % de mais vitórias que perdas. Esse número é excepcional pois em muitos momentos a desvantagem da plataforma brasileira era sentida. Por exemplo o F-16 Agressor leva seis mísseis AIM-120 AMRAAM enquanto o F-5EM leva dois Derby. Embora os mísseis sejam similares em performance o poder de fogo de um agressor era 300 % maior. Outro ponto era que nas áreas de “recuperação” os Agressors recuperavam a sua vida e a carga de mísseis retornando prontamente ao combate.

Não ter o data link também influenciou pois tornava os pilotos mais dependentes do controle do E-3 AWACS da OTAN. Fato superado pela determinação e profissionalismo dos pilotos brasileiros.

Outro ponto salientado é que o KC-137, do Esquadrão Corsário, não foi abatido nenhuma vez durante os exercícios. Fato muito ressaltado e elogiado pela direção do exercício.

A disponibilidade do F-5EM par ter sempre 4 aviões disponíveis para os vôos duas vezes ao dia pos 10 dias seguidos impôs uma demanda excepcional às equipes de apoio e também mostrou a qualidade destas em operar na pista de Nellis com uma temperatura de até 50º C. Uma demanda técnica e profissional porém também física tantos para os pilotos como para as equipes de terra.

O ambiente dos combates BVR e o resultado final pode ser medido nas palavras de um piloto à DEFESA@NET: “Combatíamos à 30/ 40 / 50 milhas, quando o combate era abaixo de 10 milhas (18km) tínhamos a certeza de que algo errado tinha acontecido”.

DEFESA@NET

O F-5 M ( Modernizado ) - 21 Setembro 2005
http://www.defesanet.com.br/rv/f5m/baco.htm

Entrevista com Tenente-Brigadeiro-do-Ar José Carlos Pereira, Comandante do Comando-Geral de Operações Aéreas ( COMGAR), da Força Aérea Brasileira – Março 2005
http://www.defesanet.com.br/fx/jcarlos.htm

Inaugurado Simulador de Vôo do F-5M - Agosto 2006
http://www.defesanet.com.br/fab/f5m_baco_sim.htm

Nuevo avión de combate de la FACh: Cuatro segundos duró debut del F-16 en la Parada Militar - Setembro 2006
http://www.defesanet.com.br/notas/chile_19aet06.htm

   
   
 

 

 

 

 

   
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