| RED
FLAG
 |
2
- Em Nellis: Lutar,
Sobreviver e Vencer
Nelson During
Editor-Chefe DEFESA@NET
Nota
- fotos Cecomsaer
com exceção das indicadas
|
A participação
da Força Aérea Brasileira (FAB) na
Red Flag 08-3 é um divisor de águas
em sua história recente. DEFESA@NET tratará
em três artigos o atual momento da aviação
de caça do Brasil, o caminho que a levou
até Nellis, a atuação na Red
Flag e o roteiro pós Nellis e as implicações
no Programa F-X2.
Em Nellis: Lutar, Sobreviver e Vencer
A participação
da FAB na Red Flag 08-3 foi preparada com esmero.
Intensa preparação em simuladores
e operações combinadas complexas como
a Centro-Oeste realizada no primeiro semestre de
2008. Uma participação convincente
serviria para definir e cristalizar conceitos e
doutrina operacional. Além de servir de importante
balizamento no atual momento em que o Programa F-X2
dá partida.
Após a débâcle
de Maio de 2002 a FAB procurou com determinação
o domínio e capacitação de
operações em ambientes BVR. Operar
neste ambiente não significa somente habilidades
dos pilotos de caça, excelente plataforma,
ter os mísseis e um bom radar. Significa
interoperar com as demais aviações,
operações de REVO (Reabastecimento
em Vôo), aviões de alerta antecipada
(AWACS) e um domínio avançado em C3I
(Comando, Controle, Comunicação e
Inteligência).
|
|
F-5EM
decolan de Nellis para
mais uma missão |
O
KC-137 do 2º /2º ao fundo um B-52H |
Assim o 2º/2º
Esquadrão Corsário também seria
testado não só nas performances de
REVO, mas como de operar em ambientes BVR e com
C3I. Operar dentro das áreas seguras à
retaguarda e acionar táticas evasivas caso
o inimigo consiga penetrar na retaguarda.
Um controlador de
vôo da Base Aérea de Canoas também
participou das operações de C2 da
Direção do Exercício.
A Red Flag
Uma relatório
detalhado da participação da FAB no
Red Flag ainda está sendo redigido pela equipe
do Brigadeiro Machado, comandante da III FAE e chefe
da delegação da FAB ao evento. DEFESA@NET
adianta alguns detalhes.
A complexidade dos
exercícios aumenta com o seu desenrolar.
Enfrentar dois experientes esquadrões americanos
na função de agressors, os 64º
Squadron (F-16) e o 65º Squadron (F-15), não
é uma tarefa fácil pois certamente
são os mais provados em combate, já
que operam quase que todas semanas na realização
dos “combates” contra os mais diferentes
tipos de unidades equipamentos e origens. Além
de terem o perfeito conhecimento do terreno em que
estão operando.
|
|
Operações
das equipes de apoio
tiveram de superar os 50ºC do deserto |
EA-6B
Prowler de Guerra Eletrônica |
Os participantes
Origem |
Unidade |
Equipamento |
| Brasil
|
1º/14º GAV
|
06 F-5EM |
| 2º/2º
GT |
01
KC-137 |
| 1º
GT 1º/1º GT |
01
C-130 |
| EUA |
493 FS |
12 F-15 C/D |
| 23
BS |
3
B-52H |
4
FS
|
16
F-16CG |
| VAQ-133
|
4
EA 6B |
| 552
ACW |
1
E-3 |
| 726
ACS |
CRC |
| 92
ARW |
2
KC-135 |
| Turquia
|
141 FS |
6 F-16 CG |
| TAF |
2 KC-135 |
| Suécia |
21 FS |
7 JAS 39 C/D |
| NATO |
NATO |
1 E-3 |
| México |
Observadores |
- |
O Programa F-5BR
lançado em 2001 com data para terminar em
2006, ainda avança, com cerca de 24 aviões
entregues, algo em torno de 50% das plataformas
que seriam modernizadas. Os aviões que foram
a Nellis não apresentam a totalidade das
modernizações previstas. Faltam incorporar
dois importantes itens: o HMD (Helmet Mounted Display)
e o Data Link e o software definitivo, que deverá
estar certificado ao final de 2008.
A aquisição
de uma plataforma e armas é a parte menor
e parte visível dos custos. Operar, treinar
e manter uma cadeia logística viável
que garanta uma boa disponibilidade dos sistemas
de armas é a parte invisível, porém
a mais importante dos custos. E no final é
o que definirá se a unidade é operacional
ou não. Como as unidades treinarão,
capacitarão seus pilotos e equipes de terra
é crucial.
A FAB adotou junto
com a Aeroeletronica, fornecedora de todos os aviônicos
do Programa F-5BR e também do Super Tucano,
uma estratégia de CLS (Contracted Logistic
Support). Há sempre módulos dos equipamentos
aviônicos disponíveis nas bases para
substituição imediata e o defeituoso
retorna à Aeroeletronica para manutenção.
Este mais os centros de simulação
junto às unidades tornaram os esquadrões
(F-5 e Super Tucanos) com um sentido de operacionalidade
até então não vivenciado na
FAB.
A Estratégia (Lutar
e Sobreviver)
Ao Pampa estava
reservada a missão de proteção
às forças que iriam atacar alvos terrestres,
em especial os Gripen da Força Aérea
Sueca e os F-16 da USAF e da Força Aérea
da Turquia, assim como os B-52 e as áreas
de retaguarda com o E-3 AWACS e aviões tanque,
operando em conjunto com os E-6 Prowler de Guerra
Eletrônica.
|
|
| Piloto de F-5EM verifica
instrumentos ao fundo um Gripen C da Força
Aérea da Suécia |
Piloto de um F-16C
do 4º FS realiza verificação
de instrumentos antes da decolagem - Foto USAF
|
A Força Aérea
da Suécia buscava na sua primeira RED FLAG
a qualificação para operar com armas
guiadas prevendo o lançamento de até
8 bombas guiadas a laser GBU-12. No momento só
a Força Aérea Francesa tem certificação
para lançar armas guiadas ao solo onde operam
forças americanas. Os suecos buscam esta
qualificação para poderem participar
de forças de coalizão no futuro.
A performance em ambiente BVR
apresenta vários parâmetros, listamos
alguns:
- Fazer que o inimigo
dispare seus mísseis a uma distância
que seja possível realizar manobras evasivas;
- Negar o espaço aéreo ao inimigo
pela presença da força de caças
amiga economizar armas e combustível;
- Conservar ao máximo os mísseis
para ter sempre a vantagem da resposta;
- Uma visão mais clara possível
da cena de combate (importância do AWACS)
e controladores e da inteligência.
Nos itens descritos
acima o que destaca é o trabalho de conjunto,
não só do Esquadrão que está
operando, como com as demais unidades de apoio,:
controladores aéreos, operadores de REVO,
inteligência, etc.
“Combatíamos
à 30/ 40 / 50 milhas, quando o combate
era abaixo de 10 milhas (18km) tínhamos
a certeza de que algo errado tinha acontecido”. |
No complexo de Nellis
há simulação de diversos tipos
de defesas anti-aérea representando os sistemas
russos de mísseis terra-ar SAM 2 / 3 / 6
e 8 porém o Esquadrão operava acima
de 20.000 ft (7.000m) e como não realizava
operações de ataque ao solo não
enfrentou ameaças diretas. É possível
plotar no Display de Situação Tática,
as áreas que não devem ser sobrevoadas,
e com base nas atualizações de inteligência
inserir estes dados no sistema.
O Resultado (Vencer)
A grande expectativa
era como seria o comportamento das tripulações
e do equipamento operando em um ambiente onde todas
as ameaças e ações ofensivas
e defensivas são executadas: Guerra Eletrônica
(EW), Defesa Anti-Aéreas e Ambiente BVR,
etc.
|
|
Centro
de controle de operações aéreas.
Desde a CRUZEX a FAB adotou o padrão
OTAN e que vem aperfeiçoiando e adaptando
às suas necessidades
Foto DEFESA@NET |
Caças
do 1º/14º decolam tendo ao fundo
os E-3 AWACS (USAF e OTAN) |
A taxa de vitórias
versus as derrotas foi de 40 a 60 % de mais vitórias
que perdas. Esse número é excepcional
pois em muitos momentos a desvantagem da plataforma
brasileira era sentida. Por exemplo o F-16 Agressor
leva seis mísseis AIM-120 AMRAAM enquanto
o F-5EM leva dois Derby. Embora os mísseis
sejam similares em performance o poder de fogo de
um agressor era 300 % maior. Outro ponto era que
nas áreas de “recuperação”
os Agressors recuperavam a sua vida e a carga de
mísseis retornando prontamente ao combate.
Não ter o
data link também influenciou pois tornava
os pilotos mais dependentes do controle do E-3 AWACS
da OTAN. Fato superado pela determinação
e profissionalismo dos pilotos brasileiros.
Outro ponto salientado
é que o KC-137, do Esquadrão Corsário,
não foi abatido nenhuma vez durante os exercícios.
Fato muito ressaltado e elogiado pela direção
do exercício.
A disponibilidade
do F-5EM par ter sempre 4 aviões disponíveis
para os vôos duas vezes ao dia pos 10 dias
seguidos impôs uma demanda excepcional às
equipes de apoio e também mostrou a qualidade
destas em operar na pista de Nellis com uma temperatura
de até 50º C. Uma demanda técnica
e profissional porém também física
tantos para os pilotos como para as equipes de terra.
O ambiente
dos combates BVR e o resultado final pode ser medido
nas palavras de um piloto à DEFESA@NET: “Combatíamos
à 30/ 40 / 50 milhas, quando o combate era
abaixo de 10 milhas (18km) tínhamos a certeza
de que algo errado tinha acontecido”.
|