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DEFESA@NET 29 Maio 2008
adicionado Fotos 01 Ago 2008

Exclusivo DEFESA@NET
Reportagem Especial
Exercício simula acidente com caça F-5 em Canoas

Kaiser Konrad
Fotos Com Social BACO

É um fim de tarde chuvoso e com forte nevoeiro, condição de tempo comum nesta época do ano em Canoas, o que torna impossível ver do alto qualquer sinal da cidade. Um caça F5 FM do 1º/14º GAV carregando mísseis BVR Derby sob as asas acaba de retornar de uma missão simulada de combate aéreo. Seus experientes pilotos têm feito isso todos os dias como preparação para o Red Flag, o mais importante exercício aeronáutico do mundo, em julho, nos Estados Unidos.

A tripulação solicita autorização da torre de controle da base aérea para efetuar o pouso por instrumentos e iniciar a aproximação final. O supersônico reduz a velocidade e a altura. Rajadas de vento e chuva provocam uma enorme turbulência, mas nada que pudesse afetar a segurança do vôo, até que uma pane hidráulica deixa a aeronave sem controle.

Eles voavam baixo e a uma distância de apenas dez quilômetros da cabeceira da pista. Num ato instintivo de sobrevivência, comum a todos os pilotos de caça, eles têm de tomar uma decisão de vida ou morte em poucos segundos. A situação para qual treinaram exaustivamente e esperavam jamais ter que enfrentar havia chegado. A alavanca de ejeção, até aquele momento intocável deveria ser acionada. O comandante da aeronave abre o rádio e desesperadamente avisa: “Charlie Oscar, Charlie Oscar...Pampa zero uno ejetando...”

Não muito distante dali, o Comandante do Socorro, Sargento Roberto Carlos Subtil estranhava a aparente calma do expediente. “Fim de tarde e chuva, geralmente atendia muitos acidentes de trânsito, mas até agora não recebemos nenhum chamado”. Em Canoas está sediado o 8º Comando Regional dos Bombeiros da Brigada Militar. Comandado pelo Tenente Coronel Hermito César Bortoluzzi, é responsável por atender todo o anel metropolitano.

Além da base aérea, a cidade abriga um importante parque industrial, universidades e a Refinaria Alberto Pasqualini, que por si só já obriga a cidade a possuir uma unidade de bombeiros bem equipada e preparada. Comandada pelo Capitão Julimar Fortes Pinheiro, a Seção de Combate a Incêndios de Canoas é a que está em melhor situação no Estado do Rio Grande do Sul. Utiliza três caminhões, possui uma série de outros itens necessários as atividades de resgate, como barcos, EPIs especiais e até inter-comunicadores individuais. É formada por um efetivo diário de nove militares e está subordinada ao 8º CRB.

Na sala de operações o Sargento Maurício Ezequiel, responsável pelo atendimento e triagem das ocorrências recebe um telefonema. É do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Canoas, informando uma emergência real com uma aeronave acidentada em área urbana e solicitando apoio. O Sgt Maurício imediatamente “põe o dedo no ferro” e aciona o efetivo.

Em menos de trinta segundos os militares que estavam no segundo andar descem escorregando no tradicional ferro e começam a se equipar. Todos vestem suas capas, pegam seus rádios e dirigem-se rapidamente ao caminhão que já está pronto para sair. O Capitão Fortes coloca seu capacete branco de oficial e começa a dar as ordens. Em menos de dois minutos após o acionamento, um caminhão de combate a incêndio e uma viatura de comando e apoio já se dirigem ao local do acidente. Contornando o trânsito caótico, os bombeiros militares demoram somente três minutos para chegar.

O local da queda do caça F5 é desolador. Situado ao lado da sede do V Comar, já abrigou uma das mais importantes escolas de aeronáutica do país. Hoje é um parque municipal. Nele podem ser vistas grandes labaredas que ofuscam a visão e uma densa fumaça negra que torna a respiração difícil. Os destroços estão espalhados numa grande área situada bem próxima a uma estação do metrô, que naquela hora estava lotada.

O risco de explosão é enorme porque a aeronave carregava armamento real. A unidade de contra-incêndio da Base Aérea de Canoas, que só pode sair da área militar num caso excepcional como este, demorou mais de cinco minutos para chegar, embora tenha sido informada sobre o acidente com minutos de antecedência e tivesse uma distância menor a percorrer que os bombeiros da Brigada Militar.

Segundo informações da equipe de resgate, um dos pilotos teria morrido e o outro sofreu uma série de traumatismos e foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro. Devido à ejeção ter sido realizada a uma altura muito baixa, cerca de 200 metros e com condições de tempo bem difíceis, um dos pára-quedas não foi aberto completamente.

Defesanet foi o único veículo de comunicação a realizar a cobertura deste importante exercício que há muito tempo não era realizado em Canoas. No último ano uma série de acidentes ocorridos em grandes centros urbanos envolvendo aviões civis e militares, como o do Airbus da TAM em São Paulo ou do A-29 da FAB em Boa Vista, numa situação com características semelhantes à relatada nesta reportagem, mostram que o adestramento, a prontidão, a comunicação e a padronização das técnicas de socorro, são fundamentais para evitar desastres ainda maiores.

O Esquadrão Pampa foi utilizado como exemplo nesta reportagem por ser o grupo de caça sediado na Base Aérea de Canoas. Entretanto, cabe ressaltar que nos últimos 10 anos, enfrentou situações semelhantes em dois acidentes ocorridos, respectivamente na região do Delta do Jacuí e de Estrela, onde no primeiro o piloto não conseguiu ejetar por defeito no assento e no segundo por voar rápido e baixo demais. Defesanet espera que situações como essas não se repitam mais.

Acompanhe as imagens do deslocamento da unidade de Combate a Incêndio da Brigada Militar ao local da queda da aeronave:

DEFESA@NET

EJEÇÃO Kaiser Konrad - 2003 - DEFESA@NET
http://www.defesanet.com.br/rv/tac2003/ejetado/

Bombeiros - Kaiser Konrad - 2005 - DEFESA@NET
http://www.defesanet.com.br/security/bombeiro.htm

   
   
   
 

 

 

 

   
   
   
 
   
 
   
   
   
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