Reportagem
especial
Forças
Aéreas do Brasil e Argentina
realizam operação Prata VI
Militares
simulam operações combinadas
de defesa
aérea na região de fronteira
Kaiser Konrad
Reportagem,
fotos e vídeos
Enviado Especial a Santa Maria/RS e Posadas/Missiones
As
Forças Aéreas do Brasil e da
Argentina realizam nesta semana a sexta edição
da Operação Prata. A manobra
tem como objetivo treinar os procedimentos
coordenados de combate ao tráfego aéreo
ilícito na região de fronteira
e preparar pilotos e controladores da Defesa
Aérea dos dois países para acionamentos
reais, de acordo com as Normas Binacionais
de Defesa Aeroespacial - NBDA 01 BR/AR –
em vigor desde 2004.
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Aeronaves
A-29 Super Tucano do 3º/3 GAV e
IA-58 Pucará do 3º Grupo
de Ataque realizam interceptações
na Operação Prata VI
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“A Operação
Prata consiste no emprego de aeronaves-alvo
que vão simular um tráfego aéreo
ilícito e ingressar no espaço
aéreo do outro país, onde após
uma coordenação conjunta dos
comandos de defesa aérea ele será
interceptado, momento em que serão
adotadas todas as Medidas de Policiamento
do Espaço Aéreo”, disse
o coordenador do exercício, Ten Cel
Douglas Luiz Wagnitz, do COMDABRA.
A zona de
interceptação está situada
a 50 milhas da fronteira de cada país.
“Quando a aeronave-alvo ingressa nesta
faixa ela desliga o transponder e faz uma
mudança brusca de 70°, e quando
atravessa a fronteira faz outra mudança
de rota, condições de voo que
vão caracterizar aos controladores
um tráfego anômalo”, disse
o Major-aviador Ricardo Kabzas. Quando isso
acontece os controladores de voo do Brasil
e Argentina, iniciam a troca de informações
em tempo real com o objetivo de identificar
o alvo.
No
âmbito da FAB, o exercício acontece
a partir da Base Aérea de Santa Maria,
no Rio Grande do Sul, onde estão desdobrados
140 militares do Comando de Defesa Aeroespacial
Brasileiro (COMDABRA), aeronaves de interceptação
A-29 Super Tucano do 3º/3º GAV –
Esquadrão Flecha, um helicóptero
H-1H do 5º/8º GAV – Esquadrão
Pantera – e um SC-95 Bandeirante do
2º/10º GAV – Esquadrão
Pelicano – para missões SAR.
Também estão sendo usados como
aeronaves-alvo dois C-98 Caravan orgânicos
das bases aéreas de Santa Maria e Florianópolis.
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IA-58
Pucará – Força Aérea
Argentina |
O
Controle das interceptações
está sendo feito pelo 4º Esquadrão
do 1º Grupo de Comunicações
e Controle – Mangrulho -, a partir do
seu sitio radar localizado em Silveira Martins-RS.
No local, está instalado um Centro
Diretor Aéreo do Teatro de Operações,
onde é feito também o enlace
das comunicações junto às
aeronaves da defesa aérea e com a Força
Aérea Argentina.
O Mangrulho opera um sistema radar Alenia
Marconi System MRCS 403. Para o comandante
do esquadrão, Major-aviador Edson Balbinot,
“ nossa missão é de fundamental
importância pois sem o trabalho dos
técnicos que são responsáveis
pelo funcionamento do radar e dos controladores
que vetoram as interceptações
não haveria operação”.
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CDAT
– 4º/1° GCC – Os
olhos e ouvidos do COMDABRA na Prata
VI |
Sistema
Radar MRCS 403 – Sitio do Esquadrão
Mangrulho em Silveira Martins-RS
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| Aviação
de caça da Prata VI
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A Força
Aérea Argentina participa da Operação
Prata a partir do aeródromo de Posadas,
onde concentra um efetivo de 110 militares
e desdobrou cinco aeronaves de ataque IA-58
Pucará e aeronaves-alvo modelo Sêneca
e Dakota, além de um helicóptero
Bell 212 em permanente alerta SAR. No local
foi instalado um sistema radar Westinghouse
TPS 43 do Grupo 1 de Comunicações
Escola.
Segundo o
Cel Arberto Baratti, responsável pelo
sistema de comunicações da FAA,
“o país possui atualmente um
sistema integrado nacional de vigilância
e controle, sediado em Buenos Aires. Ele tem
suas estações de vigilância
e interceptação, com radares
de vigilância localizados em Posadas
e Resistência e que são os olhos
do C² do Comando de Operações
Aéreas da Força Aérea
Argentina, de forma a salvaguardar a soberania
do espaço aéreo argentino. Nossa
aviação de caça está
preparada para intervir em caso de um acionamento
real”.
Na FAA existem
três níveis de alerta de acionamento
de aviões da defesa aérea: cinco,
quinze e trinta minutos. Estes tempos variam
de acordo com a altitude e localização
do alvo e a disponibilidade e preparação
das aeronaves interceptadoras. Na Argentina
não existe uma legislação
que permita abater aeronaves em voo. Após
os atentados terroristas de 11 de setembro,
nos EUA, o Congresso argentino iniciou uma
série de estudos para a criação
de uma legislação que permita
à Força Aérea abater
aeronaves que não cumpram as ordens
das aeronaves interceptadoras. “Esta
é uma decisão política
e temos interesse de possuir uma Lei do Abate,
como existe no Brasil”, disse um dos
pilotos.
Quando os
caças argentinos realizam uma interceptação,
eles identificam a matricula e o modelo da
aeronave suspeita. Estes dados são
repassados imediatamente aos órgãos
de segurança pública para que,
em solo, possam fazer a abordagem da aeronave,
a identificação dos seus ocupantes
e da carga transportada. Embora não
podendo abater aeronaves em voo, os aviões
Pucará decolam armados com dois canhões
20 mm e quatro metralhadoras calibre 7,62
mm.
Os
IA-58 Pucará participantes da operação
fazem parte do Grupo n°3 de Ataque, sediado
em Reconquista, Santa Fé. O esquadrão
teve seu batismo de fogo em 1982, na Guerra
das Malvinas, onde operou desdobrado a partir
do aeródromo de Puerto Argentino -
“Port Stanley”. Um avião
desta unidade logrou o feito de abater um
helicóptero CH-47 Chinook do 18º
Esquadrão da RAF, que fazia o transporte
de tropas.
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IA-58
Pucará – Força Aérea
Argentina – 1982 – Batismo
de Fogo – Guerra das Malvinas
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“Os
pilotos brasileiros assim como os argentinos
estão muito bem preparados e isso é
muito importante para caso algum dia venhamos
a operar em conjunto”, disse o 1º
Tenente Juan Ignacio Caniza, da FAA.
| Defesa@Net
agradece ao Major Venâncio do Centro
de Comunicação Social da
Aeronáutica (FAB), e aos militares
da Força Aérea Argentina
pelo apoio a realização
desta reportagem. |