GUERRA AÉREA - AIR WARFARE
Artigos Tecnologia Aeronáutica e Espacial
Projeto F-X2
 
 
 
Força Aérea Brasileira
DEFESA@NET 22 Junho 2009

Reportagem especial
Forças Aéreas do Brasil e Argentina
realizam operação Prata VI
Militares simulam operações combinadas de defesa
aérea na região de fronteira


Kaiser Konrad
Reportagem, fotos e vídeos
Enviado Especial a Santa Maria/RS e Posadas/Missiones

As Forças Aéreas do Brasil e da Argentina realizam nesta semana a sexta edição da Operação Prata. A manobra tem como objetivo treinar os procedimentos coordenados de combate ao tráfego aéreo ilícito na região de fronteira e preparar pilotos e controladores da Defesa Aérea dos dois países para acionamentos reais, de acordo com as Normas Binacionais de Defesa Aeroespacial - NBDA 01 BR/AR – em vigor desde 2004.

Aeronaves A-29 Super Tucano do 3º/3 GAV e IA-58 Pucará do 3º Grupo de Ataque realizam interceptações na Operação Prata VI

“A Operação Prata consiste no emprego de aeronaves-alvo que vão simular um tráfego aéreo ilícito e ingressar no espaço aéreo do outro país, onde após uma coordenação conjunta dos comandos de defesa aérea ele será interceptado, momento em que serão adotadas todas as Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo”, disse o coordenador do exercício, Ten Cel Douglas Luiz Wagnitz, do COMDABRA.

A zona de interceptação está situada a 50 milhas da fronteira de cada país. “Quando a aeronave-alvo ingressa nesta faixa ela desliga o transponder e faz uma mudança brusca de 70°, e quando atravessa a fronteira faz outra mudança de rota, condições de voo que vão caracterizar aos controladores um tráfego anômalo”, disse o Major-aviador Ricardo Kabzas. Quando isso acontece os controladores de voo do Brasil e Argentina, iniciam a troca de informações em tempo real com o objetivo de identificar o alvo.

No âmbito da FAB, o exercício acontece a partir da Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde estão desdobrados 140 militares do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), aeronaves de interceptação A-29 Super Tucano do 3º/3º GAV – Esquadrão Flecha, um helicóptero H-1H do 5º/8º GAV – Esquadrão Pantera – e um SC-95 Bandeirante do 2º/10º GAV – Esquadrão Pelicano – para missões SAR. Também estão sendo usados como aeronaves-alvo dois C-98 Caravan orgânicos das bases aéreas de Santa Maria e Florianópolis.

IA-58 Pucará – Força Aérea Argentina

O Controle das interceptações está sendo feito pelo 4º Esquadrão do 1º Grupo de Comunicações e Controle – Mangrulho -, a partir do seu sitio radar localizado em Silveira Martins-RS. No local, está instalado um Centro Diretor Aéreo do Teatro de Operações, onde é feito também o enlace das comunicações junto às aeronaves da defesa aérea e com a Força Aérea Argentina.

O Mangrulho opera um sistema radar Alenia Marconi System MRCS 403. Para o comandante do esquadrão, Major-aviador Edson Balbinot, “ nossa missão é de fundamental importância pois sem o trabalho dos técnicos que são responsáveis pelo funcionamento do radar e dos controladores que vetoram as interceptações não haveria operação”.

CDAT – 4º/1° GCC – Os olhos e ouvidos do COMDABRA na Prata VI
Sistema Radar MRCS 403 – Sitio do Esquadrão Mangrulho em Silveira Martins-RS
Aviação de caça da Prata VI

A Força Aérea Argentina participa da Operação Prata a partir do aeródromo de Posadas, onde concentra um efetivo de 110 militares e desdobrou cinco aeronaves de ataque IA-58 Pucará e aeronaves-alvo modelo Sêneca e Dakota, além de um helicóptero Bell 212 em permanente alerta SAR. No local foi instalado um sistema radar Westinghouse TPS 43 do Grupo 1 de Comunicações Escola.

Segundo o Cel Arberto Baratti, responsável pelo sistema de comunicações da FAA, “o país possui atualmente um sistema integrado nacional de vigilância e controle, sediado em Buenos Aires. Ele tem suas estações de vigilância e interceptação, com radares de vigilância localizados em Posadas e Resistência e que são os olhos do C² do Comando de Operações Aéreas da Força Aérea Argentina, de forma a salvaguardar a soberania do espaço aéreo argentino. Nossa aviação de caça está preparada para intervir em caso de um acionamento real”.

Na FAA existem três níveis de alerta de acionamento de aviões da defesa aérea: cinco, quinze e trinta minutos. Estes tempos variam de acordo com a altitude e localização do alvo e a disponibilidade e preparação das aeronaves interceptadoras. Na Argentina não existe uma legislação que permita abater aeronaves em voo. Após os atentados terroristas de 11 de setembro, nos EUA, o Congresso argentino iniciou uma série de estudos para a criação de uma legislação que permita à Força Aérea abater aeronaves que não cumpram as ordens das aeronaves interceptadoras. “Esta é uma decisão política e temos interesse de possuir uma Lei do Abate, como existe no Brasil”, disse um dos pilotos.

Quando os caças argentinos realizam uma interceptação, eles identificam a matricula e o modelo da aeronave suspeita. Estes dados são repassados imediatamente aos órgãos de segurança pública para que, em solo, possam fazer a abordagem da aeronave, a identificação dos seus ocupantes e da carga transportada. Embora não podendo abater aeronaves em voo, os aviões Pucará decolam armados com dois canhões 20 mm e quatro metralhadoras calibre 7,62 mm.

Os IA-58 Pucará participantes da operação fazem parte do Grupo n°3 de Ataque, sediado em Reconquista, Santa Fé. O esquadrão teve seu batismo de fogo em 1982, na Guerra das Malvinas, onde operou desdobrado a partir do aeródromo de Puerto Argentino - “Port Stanley”. Um avião desta unidade logrou o feito de abater um helicóptero CH-47 Chinook do 18º Esquadrão da RAF, que fazia o transporte de tropas.

IA-58 Pucará – Força Aérea Argentina – 1982 – Batismo de Fogo – Guerra das Malvinas

“Os pilotos brasileiros assim como os argentinos estão muito bem preparados e isso é muito importante para caso algum dia venhamos a operar em conjunto”, disse o 1º Tenente Juan Ignacio Caniza, da FAA.

Vídeos
Dois excepcionais vídeos produzidos por Defesa@Net com o apoio da FAB
Interceptação de Aeronaves suspeitas por Super Tucanos do Esquadrão Flecha operando no RS
http://www.defesanet.com.br/dntv/40_19jun09.htm
Pucarás da Força Aérea Argentina Interceptam aeronaves supeitas
http://www.defesanet.com.br/dntv/41_19jun09.htm
Defesa@Net agradece ao Major Venâncio do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (FAB), e aos militares da Força Aérea Argentina pelo apoio a realização desta reportagem.

Defesa@Net

FAB coloca em operação radar de campanha na serra catarinense
http://www.defesanet.com.br/fab1/radar.htm

Operação Prata IV
http://www.defesanet.com.br/fab/prata_04.htm

Contrabando: Secretaria de Segurança da Argentina receberá informação de radares de fronteira
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_ar_radar.htm

Lei do Abate - DECRETO Nº 5.144, DE 16 DE JULHO DE 2004
http://www.defesanet.com.br/fab/dec5144leidoabate/

Acesse também a lei DECRETO No- 5.129, DE 6 DE JULHO DE 2004, que é considerada a Lei do Abate Naval .
http://www.defesanet.com.br/marinha/dl5129/

Recomendamos a leitura do boletim A lei do Abate e o Blowback. Os eventos que podem ser gerados pela Lei do Abate podem ser bem mais abrangentes e imprevisíveis que os seus apoiadores pensam solucionar.
http://www.defesanet.com.br/dn/22JUN04.htm

PF diz que interceptação de aeronave com droga assusta traficantes -
Glauco Araújo - Do G1, em São Paulo

Caça da FAB intercepta, faz tiro de aviso e obriga o pouso de avião com cocaína em Rondônia
http://www.defesanet.com.br/fab1/drugs.htm

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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