|
Opinião
Defesa Aérea (?)
Nelson
F. Düring
Desde 1º Jan
2006, quando o 1º
Grupo de Defesa Aérea pousou
definitivamente seus Mirage III (F-103), a realidade
foi de que o Planalto Central e a Capital Federal
ficaram sem Defesa Aérea. Fato de extrema
importância, que tem outras implicações
não avaliadas em sua extensãonão
só na área de defesa, como o caso
do acidente da Gol, em Setembro de 2006.
Porém um
fato já era de conhecimento dos especialistas,
o 1º GDA não exercia suas funções
de Defesa
Aérea há vários anos,
pois os radares do Mirage III eram míopes,
tinham perdido a capacidade operacional já
há um bom tempo.
Estes assuntos foram
tratados de forma franca com os pilotos do 1º
GDA, quando o Comando da Aeronáutica anunciou
a
compra dos Mirage 2000C/B, na Base
de Anápolis, em Agosto 2005.
O cancelamento
do Programa F-X, pelo presidente Luiz
Inácio em 02 Janeiro 2003, e após
o cancelamento, do que foi chamada a primeira fase,
em 2006, somado aos atrasos incompreensíveis
do Programa
F-5BR levou a uma situação
clara: O Brasil não teve defesa aérea
por quase dois anos e ainda resta provar se a tem,
mesmo que um esboço, no atual momento.
A desativação
dos Mirage III, o longo tempo para por em operação
os Mirage 2000C/B e os atrasos do Programa
F-5BR, e a gestão temerária empreendida
pelo anterior Comando da Aeronáutica, colocou
o país em uma difícil situação.
A reativação
operacional do 1º GDA, com 6 aviões
Mirage 2000C/B, ainda é uma atitude precária
e próxima do temerário. Some-se a
isto o atraso, nunca explicado, pelos conflitos
de gestão e objetivos entre a FAB, o contratista
principal, EMBRAER, e deste com os seus sub-contratistas
no Programa F-5BR.
O atual comandante
da FAB, quando chefe do Estado-Maior, conseguiu,
de alguma forma que o Programa F-5BR andasse o suficiente,
para que a primeira unidade fosse entregue, em 21
de Setembro de 2005, ao 1°/14° Grupo de
Aviação.
O que era auspicioso
novamente foi bloqueado pelas desavenças
e conflitos operacionais do contratista principal
com o Comando da FAB e também com os demais
grupos industriais participantes do Programa
F-5BR.O informe liberado pela FAB na
data da entrega do 1º F-5M indicava o seguinte
cronograma de entrega:
Ano
|
Unidades |
2005 |
14
aviões |
2006 |
18
aviões |
2007 |
16
aviões |
A realidade foi
de até o momento, termos a surpreendente
entrega de 14 Aviões, repartidos entre o
1°/14° GAv (Base de Canoas - RS) e o 1º
GAv (Base de Santa Cruz - RJ). Portanto Faltam 34
aviões.
Pior é a
resposta à pergunta que segue. Temos
14 aviões voando? Não, pois
como não havia caças o Esquadrão
Pampa realizou mais horas de vôo que o planejado.
Isso gerou uma baixa disponibilidade devido aos
aviões estarem alcançando o período
de revisão.
Assim promessas
vãs, incompetência gerencial e má
performance em engenharia, em vários pontos
da estrutura dos Programas da FAB, levaram a uma
situação de crise e a constatação.
O Brasil não tem Defesa Aérea, ou
algo próximo ao que podemos chamar de um
sistema operacional, que garanta o espaço
aéreo brasileiro, mesmo de forma limitada.
Avançamos
sim avançamos. O 1°/14° GAv desenvolveu
novas táticas e integrou o conceito do míssil
Além do Alcance Visual (Beyond Visual
Range – BVR) em sua operações
obtendo uma excelente performance na CRUZEX III.
Resultados que surpreenderam inclusive o Armée
de l´Air, que tinha imposto uma
avassaladora derrota à FAB em 2002, durante
a 1ª CRUZEX.
Porém, hoje
o esquadrão luta para manter seus aviões
no ar.
O Governo, Ministério da Defesa e Comandos
empurram tudo para
o PAC Defesa, que apresentará
suas conclusões, no 7 de Setembro de 2008.
O resultado podemos prever, mais um ano de imobilismo.
Menos para os pilotos da FAB, como os do 1º
GDA, mantiveram o elan por vários anos, mesmo
sabendo que seus equipamentos não respondiam
à responsabilidade, a qual lhes era confiada.
Agoa em parte recomposta com o 1°
GDA reassumindo o serviço de alerta de defesa
aérea com o Mirage-2000 C/B (F-2000) desde
o dia 24 de Setembro. |