|
Argentina
fora da CRUZEX por Desinteresse
do Congresso Argentino
Os políticos
não autorizaram a saída dos Caças
para o Brasil
(texto en español)
Daniel Gallo
A Argentina focou
fora do maior exercício aéreo da região
pelo desinteresse do legislativo em aprovar os exercícios
militares no exterior.
Envolvidos na luta pelos destinos dos fundos das
AFJP (Fundos de Pensão), os deputados não
encontraram tempo para dar a permissão de
saída das tropas, e depois de seis meses
de planificação, os aviões
da Fuerza Aérea Argentina (FAA) permaneceram
em terra, observando como os caças da França,
Chile, Venezuela e Brasil se reúnem na cidade
brasileira de Recife, para participar nas próximas
duas semanas do Exercício CRUZEX.
Os militares argentinos sentem no momento como protagonistas
de um fiasco internacional, que pode ser transformado
em escândalo, por não ter realizado
gestões por uma resolução extrema
por parte da ministra de Defesa, Nilda Garré.
É que no exercício com cerca de 80
aviões de combate, é o maior na América
Latina, é previsto ser empregado pela primeira
vez um software de controle desenvolvido por técnicos
argentinos. Esta situação forçou
a necessidade de que estivessem presentes em Recife
os operadores do sistema para evitar o cancelamento
do exercício. Para isto o Ministério
da Defesa permitiu a viagem de uma delegação
de oficiais, mesmo que os caças argentinos
não tenham se deslocado de sua base de Villa
Reynolds.
Na quarta-feira (29 Outubro), pela manhã,
Garré se comunicou com o deputado Agustín
Rossi para expor a urgência que requeria a
aprovação dos exercícios militares,
uma lista de exercícios que tem a aprovação
do Senado desde o começo de Outubro.
A ministra obteve promessa do presidente do bloco
a “Frente para a Vitória” de
dar luz verde aos exercícios em uma possível
sessão na Quinta-feira (30 Outubro) negociações
pelos fundos de pensão tiveram mais peso
que as expectativas profissionais dos militares.
Não haverá debate até a próxima
Quinta-feira (6 Novembro). Tarde demais para os
iludidos pilotos argentinos.
A FAA não foi a única afetada pela
morosidade legislativa. A Armada já suspendeu
dois exercícios com o Chile. Estes encontros
navais tinham,um marco especial , a comemoração
dos 30 anos do conflito pelo canal de Beagle.
Mostrar os navios de guerra argentinos e chilenos
juntos no mesmo lugar no qual quase entraram em
conflito tinha um significado que superava o âmbito
castrense.
Os principais chefes militares consideram que deve
ser modificado o sistema de autorização
para exercícios com tropas estrangeiras.
"Seria interessante que o Congresso tomasse
conhecimento dos exercícios e manobras, que
serão realizados durante o ano, mas que as
aprovações tenham um mecanismo rápido,
pois nós expomos sempre a estes fiascos",
comentou a LA NACION um importante oficial que faz
pouco tempo não tinha como explicar, ao telefone,
a um colega de um país vizinho mais uma falta
de palavra da Argentina..
O Congresso intervém na aprovação
dos adestramentos com tropas estrangeiras depois
de receber as propostas de Ministério de
Defesa. A lista compreende um período de
doze meses a partir de outubro.
Nos últimos anos foi valorizada a participação
do legislativo porque os Governos “Kirchner”
queriam ter o apoio das Câmaras para negar
os pedidos de imunidades especiais que solicitava
os Estados Unidos para suas forças. Washington
já não solicita acordos particulares,
mas os legisladores mantiveram o poder alcançado
e tratam até um adestramento simples com
o Uruguai como se estivessem ante uma possível
declaração de guerra.
A própria presidenta Cristina Kirchner falou
várias vezes perante aos militares sobre
o objetivo estratégico de convergir em políticas
comuns de defesa com os países vizinhos.
Sem dúvida, os políticos oficialistas
não parecem ter o mesmo foco na integração
regional.
A frustração da Força Aérea
foi maior porque tinha previsto a participação
em Recife de cinco caças A4, um avião
Hércules como transporte e outro como avião
reabastecedor de combustível, prática
tem uma grande importância para o adestramento
dos pilotos.
Garré estava preocupada em conseguir a aprovação
para a saída dos aviões de combate
porque sua política de aumentar as horas
de vôo de treinamento tem a intenção
de aperfeiçoar os pilotos e dar-lhes uma
melhor perspectiva profissional. A ministra sabe
que dezenas de aviadores – incluindo também
os da Armada – dão baixa das forças,
tentados por melhores salários.
|