GUERRA AÉREA - AIR WARFARE
Artigos Tecnologia Aeronáutica e Espacial
Projeto F-X2
 
 
Força Aérea Brasileira
 
Publicado
08h20min
 
 
 
 
 
DEFESA@NET 07 Agosto 2009

Esquadrão Corsário
Transportando na paz e reabastecendo na guerra

Operação Red Flag

Kaiser Konrad
Enviado especial ao Rio de Janeiro

Há exatamente um ano a Força Aérea Brasileira retornava da sua mais exitosa participação em exercícios aéreos internacionais. Em 2008, durante a edição 08.3 do Red Flag, realizada na Base Aérea de Nellis, nos Estados Unidos, os esquadrões Pampa (1º/14º GAv) e Corsário (2º/2º GT) elevaram o nome da FAB ao nível das mais treinadas e poderosas forças aéreas do continente americano.

Os feitos do Esquadrão Pampa já foram revelados numa exclusiva série de reportagens publicadas no ano passado. Seus pilotos atingiram com o F-5M o mesmo índice de vitórias em combate aéreo alcançado pelos pilotos da USAF no mesmo exercício e utilizando caças F-15 e F-16, muito superiores tecnologicamente. Esse fato deixou os americanos de “cabelo em pé” e surpreendeu, inclusive, membros do alto-comando da FAB que, receosos, não permitiram a presença da imprensa brasileira por acreditarem que todos os seus pilotos seriam facilmente abatidos já na primeira fase do exercício.

Ainda pouco conhecida é a participação do 2º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte, o Corsário. A unidade sediada na Base Aérea do Galeão está equipada com o KC-137, a versão militar do Boeing 707, e teve importância fundamental no deslocamento de Canoas até Nellis, transportando pilotos, mecânicos e fazendo o reabastecimento em voo. No contexto tático, a presença do Corsário foi essencial ao sucesso dos “ases brasileiros”, ao cumprir a função tanker e realizar os REVOs(reabastecimento em voo) aumentando o tempo de permanência em zona de combate das aeronaves de caça brasileiras.

Deslocamento

O planejamento da missão começou vários meses antes. Os pontos de REVO, quantidade de combustível a ser transferido; procedimentos de emergência em caso de mau tempo, afastamento ou perda de contato visual entre as aeronaves, pistas de pouso auxiliares, tudo isso foi previsto nessa fase. A primeira etapa do deslocamento aéreo foi de Canoas a Anápolis. Embarcados no KC-137 estavam todos militares da FAB envolvidos na manobra. No outro dia seguiram para Boa Vista, onde houve um briefing geral. Posteriormente seguiram para Barranquilla, na Colômbia. Nessa etapa tiveram de enfrentar o mau tempo.

O Corsário decolou primeiro seguido pelos caças com separação radar, reunindo visual após passarem a camada de nuvens. Durante a decolagem um dos F-5M sofreu uma pane no motor e pela doutrina da caça quando um retorna outro o acompanha. Neste caso, devido às condições atmosféricas um pousou em Boa Vista e outro em Manaus, enquanto as demais aeronaves seguiam para a Colômbia. A próxima etapa seria até Mérida, no México. A última e mais longa foi até os Estados Unidos. Em cada uma delas eram realizados dois REVOs. Em Nellis, os caças pousaram primeiro. No outro dia, mesmo com o cansaço da tripulação, o Corsário retornou mais uma etapa para se reunir com os dois F-5M retardatários, pois eles não poderiam fazer a travessia sem REVO.

Operação Red Flag

As aeronaves Tanker da operação eram formadas por dois KC-135 da Força Aérea Americana, dois KC-135 da Força Aérea da Turquia e um KC-137 da Força Aérea Brasileira. Os REVOs aconteciam numa área imensa chamada Nellis Test Trainning Range. Para cumprir a missão, primeiro decolavam as aeronaves consideradas de alto valor (HVAA), que são o E-3 AWACS, que ficava fazendo a cobertura radar dos aviões amigos e inimigos numa área próxima a dos REVOs, e os Tankers, as aeronaves reabastecedoras.

Nesse pacote a única força aérea que não tinha dois aviões-tanque em operação era a brasileira, embora só se pudesse utilizar um deles durante cada surtida. Entre os caças, os F-5M eram as primeiras aeronaves a decolar, seguindo direto para a reunião com o Corsário e o reabastecimento de quatro aeronaves. Enquanto eram abastecidos, os demais caças decolavam e prosseguiam para um ponto chamado Hold Point, onde ficavam em órbita aguardando o posicionamento de todas as esquadrilhas e o horário planejado para iniciar a ação. Este horário é chamado de Push Time, e cada esquadrilha possui um Push Point e um Push Time diferente. Os F-5M, nas missões ofensivas, realizavam o Push Time junto com os F-15, a fim de seguir a frente dos Strikers e tentar eliminar o máximo de inimigos possíveis ou tirá-los do caminho dos Strikers, garantindo seu ingresso e regresso em segurança.

Se o Corsário não pudesse efetuar o reabastecimento pré-combate, o tempo de engajamento dos F-5M do Pampa não seria suficiente para cobrir toda a janela de ação do pacote, e os Strikers poderiam ter ficado vulneráveis na evasão do território inimigo. O planejamento inicial era sempre para apenas um REVO pré-combate, mesmo assim o Corsário permanecia em órbita até o pouso do último caça brasileiro, para o caso de algum necessitar de reabastecimento extra, o que poderia acontecer se houvesse um excesso de consumo de combustível devido ao combate aéreo.

Num voo em que são mantidos os mesmos parâmetros de velocidade e altitude que foram planejados no chão, dificilmente se necessita de um REVO extra. Mas numa missão que envolve combate contra outras aeronaves, pode ocorrer de se utilizar mais pós-combustão do que o planejado para permitir realizar mais manobras defensivas e ofensivas. Nesses casos pode surgir a necessidade de um REVO fora do planejamento inicial. Estas modificações de planejamento ocorriam com mais frequência nas missões defensivas, onde, após realizar o REVO pré-combate, os F-5M permaneciam numa Patrulha Aérea de Combate, e os engajamentos eram intensos.

Durante a ação o E-3 AWACS informava permanentemente os Tankers sobre a ameaça e a posição dos Agressores, o que os obrigava a efetuar um circuito enquanto os caças efetuavam a defesa da área, se engajando no combate ou dissuadindo a aproximação inimiga. Nesta edição do Red Flag nenhum dos aviões-tanque foi perdido mas o B-52 foi derrubado.

No Red Flag, cada país é responsável por reabastecer em voo suas aeronaves. Num determinado momento os americanos tiveram uma pane em seu avião-tanque e solicitaram que a FAB fizesse o REVO no EA-6B Prowler, de guerra eletrônica, mas como isso não estava no contrato o reabastecimento não pôde ser efetuado. Um dos Tankers turco e outro americano chegaram a ficar dois dias parados devido a panes. Mesmo assim, essa edição do Red Flag ficou marcada como a que teve melhor participação das aeronaves reabastecedoras, que conseguiram cumprir 90% de suas missões.

Enfrentando duas missões diárias e com número insuficiente de pilotos, que tinham que se revezar entre briefings e voos, o Corsário perdeu uma única surtida em toda a operação. Apelidado de “sucatão”, defasado tecnológicamente e próximo do final de sua vida útil, o KC-137 do Esquadrão Corsário alcançou 95% de sucesso em suas missões, superando a marca de todos os aviões-tanque participantes do exercício, fato que foi reconhecido pela Força Aérea Americana na reunião de fechamento.

No Red Flag 08.3, Corsário e Pampa mostraram a qualidade e o profissionalismo do piloto de combate brasileiro e, principalmente, sua capacidade de fazer o melhor com o equipamento que tem disponível.


Defesa@Net

Leia a cobertura completa com vídeos, fotos e reportagens exclusivas sobre a participação da Força Aérea Brasileira no Red Flag

Série de Artigos Analisando a participação da FAB no Red Flag
1 - Red Flag: O Caminho Até Nellis
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_1.htm
2 - Em Nellis: Lutar, Sobreviver e Vencer
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_2.htm
3 - FAB: O Caminho Pós-Nellis
http://www.defesanet.com.br/fab1/rf_3.htm

11 Agosto 2008 Detalhes acidente F-15D Agressors durante a Red Flag 08-3
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_18.htm

06 Agosto 2008 Comandante da III FAE e chefe da delegação brasileira no Red Flag agradece o DEFESA@NET e seus leitores (inclui vídeo)
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_17.htm

06 Agosto 2008 Base Aérea de Canoas recepciona os “veteranos” da Red Flag http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_16.htm (inclui video)

05 Agosto 2008 Iniciado o Retorno ao Brasil
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_15.htm (inclui video)

04 Agosto 2008 Militares que participaram da Red Flag chegam amanhã a Canoas
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_14.htm

03 Agosto 2008 Vídeo - Imagens da viagem de ida até a Base Aérea de Nellis nos EUA
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_13.htm

02 Agosto 2008 Vídeo - Imagens geradas pela USAF
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_12.htm

02 Agosto 2008 Vídeo - Homenagem Póstuma ao Tenente-Coronel Thomas Bouley (USAF), comandante do 65º Esquadrão Agressors, morto em 30 de julho de 2008
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_11.htm

01 Agosto 2008 57th Wing commander prepared statement
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_10.htm

31 Julho 2008 F-15D dos Agressors cai durante Red Flag 08.3 http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_9.htm

28 Julho 2008 Video das Operações do Red Flag
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_8.htm

28 Julho 2008 Ministro da Defesa e o Comandante da Aeronáutica visitam o Red Flag
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_7.htm

22 julho 2008 Aviões da FAB fazem os primeiros vôos no Red Flag
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_4.htm

21 Julho 2008 A Operação Red Flag - Detalhes e inclui vídeo institucional do 1º/14º GAV - Excelente descrição do F-5EM
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_3.htm

14 Julho 2008 Esquadrão Pampa inicia deslocamento aéreo (inclui vídeo)
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_2.htm

11 Julho 2008 À la chasse Tchê - Esquadrão Pampa voa alto e parte para o Red Flag
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab_1.htm

08 Julho 2008 FAB no Red Flag
http://www.defesanet.com.br/usa1/rf_fab.htm

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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