COBERTURA ESPECIAL - Modernização FAB - Aviação

18 de Maio, 2017 - 10:00 ( Brasília )

Projetos estratégicos da FAB são apresentados na Câmara dos Deputados

À frente do Comando da Aeronáutica há dois anos e meio, Oficial-General mostra como a Força Aérea cumpre sua missão

Tenente Raquel Sigaud


O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, participou de audiência pública, nesta quarta-feira (17/05), na Câmara dos Deputados e destacou a necessidade de o País destinar recursos para as ações de defesa, além de buscar o desenvolvimento do setor espacial.

A audiência foi solicitada pela presidente e pelo vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), deputados Bruna Furlan e Pedro Fernandes.

A proposta da Comissão é ouvir os Comandantes das três Forças Armadas e debater a situação dos projetos estratégicos existentes, os programas de cooperação internacional do Brasil na área de Defesa e os planos para o desenvolvimento tecnológico de cada Força.

O Comandante da Aeronáutica apresentou os assuntos que, segundo ele, “são de interesse da FAB e da sociedade”. Explicou de forma didática a atuação da FAB dividida em três eixos: controle de tráfego aéreo, defesa aérea nas fronteiras e integração do país por meio da aviação de transporte. A FAB é responsável por monitorar um espaço aéreo de 22 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a 2 bilhões de campos de futebol, somando território, zona econômica exclusiva e parte do Oceano Atlântico.

Controle de tráfego aéreo

No controle de tráfego aéreo, a FAB emprega cerca de 12 mil profissionais. O Comandante anunciou a Parceria Público-Privada (PPP) que está em andamento para gerência das redes de telecomunicações do Comando da Aeronáutica. “Haverá um contrato único para substituição de 68 existentes, economia de 25% dos valores que são gastos hoje, além do acompanhamento de inovações tecnológicas”, detalhou os benefícios que a PPP trará para a FAB. A previsão de contratação é no final de 2017.

Defesa aérea

Tenente-Brigadeiro Rossato afirmou que para fiscalizar 17 mil quilômetros de fronteira é preciso aeronaves mais modernas. “Temos A1-AMX e F5 com mais de 40 anos de atividade, aeronaves de alcance restrito”, explicou. Por isso, a FAB tem grande expectativa com a chegada dos caças suecos, o Gripen NG.

“Compramos 36 Gripen, escolha que ficou em discussão por quase 20 anos. Absorção de tecnologia, desenvolvimento da indústria nacional, além de grande capacidade dissuasória são os destaques dessa aquisição para o País”, enfatizou.

Integração do Brasil

Metade da frota de aeronaves da FAB é para transporte. “Isso não é comum nas outras Forças Aéreas, mas sim no Brasil, devido as suas características”, afirmou o Comandante, ao explicar o trabalho da FAB na região Norte do País, em apoio ao Exército Brasileiro, que emprega cerca de 26 mil militares na região amazônica.

Além disso, a FAB atua na construção de pistas de pouso para facilitar o tráfego aéreo numa região carente de rodovias. A realização é da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA).

O Comandante destacou que para manter todo esse trabalho em pleno funcionamento é preciso recursos. “O contingenciamento atrapalha muito. Se não houver recursos garantidos para manutenção do que foi construído, o número de pistas vai diminuir, até ficar igual ao da década de 1950”, alertou.

KC-390

“A aviação é indispensável e cara. Com o projeto estratégico da aeronave de transporte e reabastecedora KC-390 já foi gasto R$ 4 bilhões. A entrega de 28 aeronaves começa em 2018”, afirma o Tenente-Brigadeiro Rossato. A concepção e desenvolvimento do projeto do cargueiro é 100% nacional. “A importância do KC-390 se explica não só pela capacidade de exportação e geração de riquezas, mas a criação de 8.500 empregos”.

Setor espacial

Aos parlamentares presentes, o Tenente-Brigadeiro Rossato lembrou o sucesso do lançamento do primeiro satélite brasileiro, o SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), no dia 4 de maio.

O satélite já está em órbita, em fase de testes. O Comandante da Aeronáutica anunciou que os requisitos para um segundo SGDC já estão sendo levantados.

Ele analisou a valorização do setor aeroespacial em países vizinhos. “A Argentina investe 1,2% do PIB no setor aeroespacial, enquanto o Brasil investe 0,1%”, comparou.

A Comissão Aeronáutica do Brasil na Europa está conduzindo a licitação para contratação de serviços de satélite, que poderão ser usados por diversos órgãos públicos, como o Ministério da Defesa e o Ministério do Meio Ambiente.

Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

De localização privilegiada para o lançamento de artefatos aeroespaciais, o “Centro de Lançamento de Alcântara poderá ser usado para qualquer país que tenha interesse em fazer acordo com o Brasil”, garantiu o Oficial-General.

A deputada Bruna Furlan, presidente da CREDN, aproveitou para anunciar que uma Audiência Pública, no dia 7 de junho, discutirá a modernização do CLA.

Nesta quinta-feira, o Comandante da Aeronáutica participará de Audiência Pública no Senado Federal, também sobre projetos estratégicos da Força.



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