Brasil
terá avião com motor flex fuel
Virgínia Silveira
São José dos Campos (SP), 25 de Outubro
de 2005 - CTA e Magneti Marelli formalizam nos próximos
15 dias um contrato de desenvolvimento. O Centro Técnico
Aeroespacial (CTA) e a empresa Magneti Marelli formalizam
nos próximos 15 dias um contrato de desenvolvimento
de um sistema de gerenciamento eletrônico de motor
com aplicação aeronáutica. O objetivo
do acordo, segundo o diretor do CTA, brigadeiro Adenir
Siqueira Viana, é o desenvolvimento de uma aeronave
com motor flex fuel, com capacidade para operar tanto
com querosene de aviação, quanto com gasolina
automotiva e álcool.
A
primeira fase do projeto envolve a adaptação
de um sistema de gerenciamento eletrônico de combustível
em um motor já existente, o Lycoming 0-360, que
equipa a aeronave L-42 Regente, da Força Aérea
Brasileira (FAB). "O passo seguinte é o desenvolvimento
do motor aeronáutico flex brasileiro, que será
o primeiro do mundo nessa categoria", explica um
dos gerentes do projeto do motor aeronáutico a
álcool no CTA, major César Demétrio
Santos.
A
Magneti Marelli foi uma das precursoras do sistema flex
para automóveis no Brasil, que hoje responde por
mais de 65% das vendas de carros no país. "O
motor aeronáutico flex será o primeiro desenvolvimento
da empresa nessa área no Brasil e também
no mundo", disse o gerente comercial da Magneti Marelli,
Eduardo Augusto de Campos.
A
empresa e o CTA, segundo ele, já começaram
a trabalhar na fase de concepção do sistema
e a expectativa é que em três semanas seja
montado o primeiro sistema do motor. "Em três
meses devemos iniciar os testes com o motor em funcionamento",
disse o executivo.
O
desenvolvimento do motor aeronáutico flex está
inserido no contexto de um projeto maior, dos motores
aeronáuticos a álcool, retomado no ano passado
pela direção do CTA. O objetivo inicial
do projeto, segundo o brigadeiro Viana, é viabilizar
a conversão de toda a frota de aeronaves T-25 (
modelo que serviu de base para o novo motor) da FAB, hoje
estimada em 100 aeronaves. O T-25 é uma aeronave
de instrução primária e básica
dos cadetes da Academia da Força Aérea (AFA).
No
último final de semana, o CTA realizou, com sucesso,
o primeiro vôo da versão a álcool
do T-25, também conhecido pelo nome Universal.
A aeronave foi fabricada no Brasil pela empresa Neiva,
subsidiária da Embraer. A empresa também
desenvolveu uma versão a álcool do avião
agrícola Ipanema, o primeiro do mundo nessa categoria.
O
projeto do motor a álcool do CTA , iniciado na
década de 80, também serviu de base para
o modelo a álcool certificado pela Neiva em 2004.
Na primeira fase do projeto do motor flex, o CTA utilizará
o motor Lycoming do avião Regente, pois o T-25
possui seis cilindros e a Magneti Marelli tem experiência
com motores de quatro cilindros.
Segundo
o brigadeiro Viana, o motor aeronáutico a álcool
do CTA deverá ser homologado em janeiro do próximo
ano. Para ser qualificada, a aeronave T-25 a álcool
precisará completar uma série de 56 ensaios
em vôo. O projeto do motor a álcool é
visto com prioridade na Aeronáutica, tendo em vista
a escassez e o alto custo da gasolina de aviação.
O Comando da Aeronáutica tem interesse que as pesquisas
nessa área também incluam a possibilidade
de o Brasil exportar a tecnologia do motor e o combustível
para outros países do mundo.
No
teste em vôo realizado no último domingo,
segundo o pesquisador César Demétrio Santos,
o motor a álcool do T-25 apresentou um desempenho
superior ao motor a gasolina. "Embora o consumo de
combustível no motor a álcool seja 20% maior
que o motor a gasolina, a potência dele é
de 5% a 10% maior, sem contar as vantagens de durabilidade,
estabilidade, segurança e ambiental, pois não
é poluente", explicou.