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Guerra
Aérea acontece no coração do Brasil
A
partir do dia 07 de agosto, o internauta poderá acompanhar
o treinamento e participar da guerra simulada da , Cruzex
III, pela página exclusiva na internet (www.cruzex.aer.mil.br),
que apresentará uma cobertura completa de todas as
atividades a serem desenvolvidas na Operação.
Por
Tenente Claudio Cinello
"E
o mundo reagiu com indignação... quando ninguém
esperava, a população do pacífico país
Amarelo se viu sob o controle do país Vermelho. Foi
uma invasão relâmpago. Inicialmente foram tentadas
negociações diplomáticas com o país
Vermelho, porém fracassaram. Sob esse clima, a Organização
das Nações Unidas (ONU) aprovou a formação
de uma Força de Coalizão para restabelecer
a paz e devolver a região invadida ao seu legítimo
povo. Então, as nações amigas, lideradas
pelo país Azul, planejaram uma estratégia
para interferir no conflito".
Todo
esse enredo é pura ficção, mas poderia
ser verdade. Essa guerra simulada tem data para começar:
20 de agosto. O local: a Região Centro-Oeste e parte
do Sudeste do Brasil.
Trata-se
da Operação Cruzeiro do Sul (CRUZEX III),
A partir do dia 07 de agosto, o internauta poderá
acompanhar o treinamento e participar da guerra simulada
da, Cruzex III, pela página exclusiva na internet
(http://www.cruzex.aer.mil.br),
que apresentará uma cobertura completa de todas as
atividades a serem desenvolvidas na Operação.
Trata-se
da Operação Cruzeiro do Sul (CRUZEX III),
maior exercício combinado a ser realizado pela Força
Aérea Brasileira (FAB), que contará com as
participações das forças aéreas
da Argentina, Chile, França, Peru, Uruguai e Venezuela.
Muitas nações e um objetivo em comum: organizar
e unir forças para aperfeiçoar procedimentos
aplicáveis, de forma coordenada, em um conflito real.
Um
exercício militar como este serve, dentre outros
objetivos, para treinar as Forças Aéreas no
planejamento de operações combinadas com países
amigos, assim como treinar militares da FAB para operar
dentro da mais moderna estrutura de comando e controle unificado
do poder aéreo, nos mesmos moldes utilizados pela
Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) em conflitos internacionais. Em complementação,
incrementa o intercâmbio de experiências e o
clima de confiança mútua entre os integrantes
de países amigos.
E
por que se adota a estrutura de comando e controle empregada
pela OTAN? Porque se trata de um organismo internacional,
criado em 1949, com muita experiência em conflitos
que envolvem várias nações.
Essa
estrutura, testada e aprovada m exercícios militares
por todo o mundo, mostrou-se eficaz no gerenciamento de
recursos empregados em combate. Os países membros
da OTAN são comprometidos em manter e desenvolver
suas capacidades de defesa, individual e conjunta, o que
proporciona uma base de atuação em conjunto,
assim como se treinará na CRUZEX III. Assim, com
o intuito de modernizar seu modelo de condução
das operações aéreas, por meio do Comando-Geral
de Operações Aéreas (COMGAR), a FAB
vem implementando uma estrutura semelhante.
Vários
países trabalharão juntos nessa operação.
Serão 850 brasileiros e 920 militares estrangeiros.
Para garantir uma boa alimentação para todos
os guerreiros, além do apoio normal do refeitório
da Base Aérea de Anápolis (BAAN), será
utilizado um sistema inovador, que pode ser empregado quando
se necessita operar em localidades distantes e desprovidas
de qualquer apoio logístico. Estamos falando do Módulo
de Alimentação a Pontos Remotos (MAPRE), que
foi idealizado no ano de 2000 pelo Comando Geral de Pessoal
(COMGEP) e já foi utilizado e aprovado em outras
operações. Dessa forma, será possível
fornecer as refeições diárias de alta
qualidade, durante os dias da operação, sem
a necessidade de resuprimento.
E
se ocorrer a necessidade de atendimento médico a
algum combatente? Para esses casos, em acréscimo
aos recursos hospitalares já existentes na BAAN,
o COMGEP também montará um Hospital de Campanha
Tático (HCAMP) com uma estrutura capaz de realizar
atendimento médico emergencial.
Esse
hospital tem sua aplicação prioritária
no socorro a tropas em situação de risco,
sendo que, após os primeiros-socorros, o paciente
é encaminhado para um local adequado. O HCAMP está
capacitado para realizar qualquer cirurgia de caráter
paliativo independente do grau de complexidade.
Durante
doze dias, está programado o emprego de meios aéreos
com mais de 50 aeronaves brasileiras e mais de 40 estrangeiras,
distribuídas pelas cidades de Anápolis (GO),
Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Uberlândia
(MG) e Brasília (DF).
Grande
parte desses aviões estará no "país
Azul", operando a partir de Anápolis (GO). Já
o seu oponente, o "país Vermelho", atuará
somente a partir de Campo Grande (MS) e com aeronaves da
FAB.
Com esse grande número de aviões, certamente
o tráfego aéreo esperado, durante os dias
desse exercício, será bastante intenso. A
fim de garantir um vôo seguro para os participantes
da operação, bem como dos usuários
da malha aeroviária da região, o Departamento
de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) disponibilizará
profissionais especializados e uma estrutura de radares
e de comunicações, de maneira que esse importante
treinamento da Força Aérea seja possível
sem a interferência no dia-a-dia da aviação
civil.
Uma
operação do porte da CRUZEX III exige grandes
esforços de tecnologia da informação.
Para tanto, o DECEA também arquitetou uma complexa
rede de computadores e de comunicação capazes
de permitir que a ordem planejada no mais alto nível
de comando da operação seja corretamente recebida,
por exemplo, pelo piloto que executará uma missão
de ataque. Tudo isso dentro das mais rígidas regras
de segurança da informação, exigência
presente nos conflitos inseridos na era digital.
Para
que as aeronaves engajadas, brasileiras e estrangeiras,
possam cumprir as missões previstas, o Comando-Geral
de Apoio (COMGAP) disponibilizou uma grande estrutura de
suporte logístico. Hangares de manutenção,
por exemplo , com toda a infra-estrutura necessária,
foram colocados à disposição dos países
visitantes. Para manter o abastecimento eficaz das aeronaves
durante toda a operação, um acréscimo
de caminhões-tanque foi conseguido em parceira com
a Petrobrás. Como mais aeronaves exigem maior segurança,
equipes reforçadas de profissionais e veículos
contra-incêndio estarão a postos e preparadas
para qualquer emergência nas localidades da operação.
Além
disso, um minucioso planejamento de suprimento e manutenção
foi desenvolvido para que a FAB possa dispor do quantitativo
ideal de meios aéreos para cumprir suas missões
na CRUZEX III.
A
CRUZEX III funcionará do seguinte modo: a Direção
Geral do Exercício (DIREX) é unificada sob
a responsabilidade de um Tenente-Brigadeiro-do-Ar da FAB,
que determina toda a linha de ação a ser desenvolvida.
Ele é assessorado por Co-Diretores (CO-DIREX), que
são Oficiais-Generais dos outros países participantes.
Uma outra célula da estrutura faz o controle da guerra
simulada, e é responsável por criar situações,
alinhadas com a história da guerra fictícia,
as quais exigem uma pronta resposta, tanto do país
Vermelho, como do Azul. Em uma guerra aérea, responder
rapidamente, significa definir alvos, escolher a melhor
aeronave para cumprir a missão e, finalmente, decolar
para atingir o objetivo.
Paralelamente à guerra aérea, estará
acontecendo uma outra guerra simulada: a de informações.
Ao tentar justificar a invasão, o país Vermelho
buscará conquistar o apoio da sua população
e da comunidade internacional, utilizando a força
da mídia contra a Força de Coalizão,
que, por sua vez, terá que interpor respostas rápidas
e precisas. Para desenvolver esse trabalho, uma equipe de
Comunicação Social multinacional atuará
com profissionais das áreas de Jornalismo, Relações
Públicas e Publicidade. A FAB, em parceria com Instituições
de Ensino Superior da Região Centro-Oeste, contará
com a colaboração ativa de universitários
e professores nessa estrutura proposta para o exercício.
Para
o Major-Brigadeiro-do-Ar Antonio Guilherme Telles Ribeiro,
Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica,
"o trabalho da FAB com universitários, que realizam
estágio durante as operações militares
desde 2002, tem sido muito proveitoso, pois além
de os estudantes aplicarem seus conhecimentos acadêmicos,
atuam como correspondentes de guerra e conhecem o nosso
dia-a-dia.
Poderão ainda contribuir, futuramente, para mostrar
à nossa sociedade uma real imagem, e o trabalho dos
integrantes da nossa Força Aérea".
Um
evento especial, na BAAN, chamado "Dia dos Portões
Abertos", proporcionará para a população
da região a possibilidade de ver aeronaves, brasileiras
e estrangeiras, engajadas na CRUZEX III. Aviões de
caça, como o Mirage-2000 (da França), semelhantes
aos adquiridos em 2005 pela FAB; os F-16 venezuelanos; os
A-4 argentinos e os brasileiros F-5M, que passaram por um
recente processo de modernização, e também
aeronaves-radar, como o E-3F francês e os R-99 brasileiros.
Poderão
ainda ser vistos aviões de transporte, reabastecedores
e de busca e salvamento, além dos helicópteros,
que serão disponibilizadas para a exposição.
Ao final desse dia, o público presente será
brindado com uma apresentação da Esquadrilha
da Fumaça, que demonstrará suas admiráveis
e inesquecíveis acrobacias.
O
Tenente-Brigadeiro-do-Ar William de Oliveira Barros, Comandante-Geral
de Operações Aéreas e Diretor Geral
do Exercício, disse que "muito já se
aprendeu nas duas outras edições da CRUZEX,
em 2002 e 2004, respectivamente nas regiões Sul e
Nordeste do Brasil,.
Essas
experiências nos capacitaram a participar de outras
operações multinacionais, com semelhante concepção,
como a Operação SALITRE, em 2004 no Chile
e a Operação CEIBO, em 2005 na Argentina.
"Com
a realização da CRUZEX III, é esperado
um ganho de treinamento ainda maior, pois a Força
Aérea Brasileira precisa continuar aperfeiçoando
a sua capacidade operacional e modernizando seus procedimentos,
a fim de se colocar entre as principais Forças Aéreas
do mundo", ressaltou.
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