|
Brasil
desenvolve míssil com a África do Sul
Conforme a previsão inicial, o
A-Darter
poderá entrar em operação até
2015
O Ministério da Ciência e Tecnologia e o Comando
da Aeronáutica investirão US$ 52 milhões
no desenvolvimento de um míssil ar-ar de quinta geração
(A-Darter), em um acordo binacional de cooperação
com a África do Sul, que prevê a transferência
total de tecnologia e a possibilidade de o país exportar
o armamento, no futuro, sem nenhum tipo de restrição
à indústria nacional.
A parceria, que vinha sendo discutida desde 2003, foi formalizada
no final do ano passado com a aprova- ção
do acordo pelo Congresso e a liberação dos
recursos, por meio de um convênio celebrado entre
a Aeronáutica e o Ministério da Ciência
e Tecnologia. A África do Sul irá investir
a outra metade dos US$ 104 milhões necessários
à conclusão do projeto, cujos estudos se iniciaram
em 1995 naquele país.
A participação no programa representa a possibilidade
de o Brasil evoluir dos atuais mísseis ar-ar de terceira
geração, que são efetivos para alvos
posicionados a 45º de cada lado da aeronave que o dispara,
para ingressar no seleto grupo de países que operam
mísseis de última geração, como
o A-Darter, capazes de atingir alvos num raio de 360º.
Se o alvo estiver atrás do caça, por
exemplo, o piloto conseguirá lançar o míssil
e acertar o alvo, explica o coronel-aviador Nelson
Gomes da Silveira, gerente da área de Sistemas e
Sensores da Subdiretoria de Desenvolvimento de Projetos
da Aeronáutica.
Do lado brasileiro, especialistas Comando-Geral de Tecnologia
Aeroespacial (CTA) irão participar do projeto do
míssil, com o envolvimento de indústrias nacionais,
que produzirão o armamento numa segunda etapa do
programa. Começamos a negociar com a Mectron
e a Avibrás a possível participação
delas, além da Atech, que atua na área de
´software` embarcado, entre outras empresas,
afirma o coronel Nelson.
Segundo o coronel, a estrutura de pesquisa existente na
África doSul será replicada no Brasil, a fim
de possibilitar a transferência de tecnologia. Conforme
a previsão inicial, o A-Darter poderá entrar
em operação até 2015.
Nos anos 80, uma parceria semelhante com a Itália
permitiu o desenvolvimento de um caça bombardeio,
o AMX, cuja precisão e autonomia extraordinária
o coloca como uma das melhores aeronaves do gênero,
na atualidade.

|