COBERTURA ESPECIAL - Eventos

15 de Julho, 2012 - 21:13 ( Brasília )

Brasil, Copa do Mundo, Olimpíadas e a (in)segurança virtual

Especialista em segurança virtual e pesquisador do TrendLabs, laboratório da Trend Micro, líder mundial em segurança na nuvem

Alberto Medeiros


"A violência está em todo lugar." Esse tipo de argumento, infelizmente, fez com que nos "acostumássemos" aos perigos que rondam as ruas das grandes cidades. Mas a ação de criminosos que buscam por oportunidades para agir ilicitamente está cada vez mais ultrapassando o mundo real e se intensificando, rapidamente, no universo virtual.

No mundo físico, quando algum grande evento é realizado, a ocorrência de furtos aumenta em função da aglomeração de pessoas. Não é raro ocorrer roubo de bolsas, carteiras, celulares e máquinas fotográficas em shows e jogos, por exemplo. Em breve o Brasil será palco dos maiores eventos esportivos mundiais — Copa do Mundo e Olimpíadas. O mundo estará de olho e muitas pessoas desembarcarão no país. Todos esperam que esse tipo de problema aumente, uma vez que cidades, shopping centers, estádios e ginásios estarão sempre lotados.

Muitos podem pensar que, ao deixar em casa objetos de valor, estão mais protegidos. Essa não é mais uma garantia. Seguindo a tendência do mundo físico, o universo virtual também fica mais vulnerável quando ocorrem grandes eventos, já que os cibercriminosos aproveitam o interesse que o assunto desperta nos internautas como isca para aplicar golpes, da mesma forma que se aproveitam de memes e assuntos de apelo popular.

O cenário se complica ainda mais quando adicionamos os elementos "mobilidade" e "consumerização", tendências cada vez mais presentes na nossa rotina. Mais de 350 milhões de pessoas acessam redes sociais como Facebook, Linkedin e Twitter por meio de dispositivos móveis. Imagine como será durante os eventos que estão por vir. A ânsia pelo compartilhamento de informações, como resultados, imagens de atletas e diferentes ângulos de jogadas, por exemplo, movimentará a rede de tráfego de dados do Brasil como nunca.

E a mobilidade não irá retroceder. A cada ano mais e mais pessoas terão acesso a dispositivos móveis e as próximas edições desses e de outros eventos serão mais movimentadas, exigindo cada vez mais banda, velocidade e segurança. Falando em segurança e mobilidade, inclusive, existem ataques específicos para dispositivos móveis, os iPhishings — que se aproveitam da dificuldade de se observar uma URL completa de um site ao acessá-lo por smartphone.

Mas os ataques que estão sendo esperados não são novidade nem privilégio nosso. Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, por exemplo, toda a estrutura foi alvo de ataques diários, que tinham o intuito de impedir o tráfego de dados e o roubo de informações confidenciais. O que se espera para o nosso ambiente virtual são ataques coordenados em duas frentes: com a exploração do assunto como poderosa isca para enganar os internautas e à estrutura dos eventos durante sua realização.

A engenharia social, artifício muito usado pelos criminosos virtuais e que consiste em atrair a atenção dos internautas por meio de algum assunto em alta no momento, com certeza será muito utilizada. A partir do interesse das pessoas, os hackers podem disseminar malwares e links maliciosos em e-mails e mensagens disfarçadas, prometendo, por exemplo, venda e premiação de ingressos, imagens exclusivas, etc. Geralmente esses ataques têm como foco o roubo de informações bancárias, como número de cartões de créditos, resultando em perdas financeiras.

Já a segunda vertente, que visa ao ataque a serviços relacionados aos eventos, tem como principal objetivo a queda da disponibilidade dos serviços. Essas investidas podem acontecer não só à estrutura do evento, o que já causaria grandes transtornos — imagine se as pessoas ficarem impossibilitadas de compartilhar informações de um jogo entre Brasil e Argentina, por exemplo —, como também podem focar emissoras de rádio e tevê, ou ainda o sistema de comunicação de companhias viárias e aéreas.

Perante todos esses riscos, a pergunta que fica é: o Brasil está preparado para tudo isso? E a resposta é: sim, está! O Brasil vem fazendo um grande investimento, preparando uma estrutura robusta para atender aos eventos. Segundo os organizadores, a maioria dos estádios contará com uma rede 4G para que as pessoas possam navegar e compartilhar experiências com segurança, sem a necessidade de expor informações em uma rede pública e pouco confiável, como o wi-fi.

Mas todo esse investimento em segurança não será o bastante se as pessoas não se conscientizarem e fizerem sua parte. Da mesma maneira que é perigoso andar com a janela do carro aberta e a bolsa solta no banco do carona, também é arriscado acessar a internet por meio de um dispositivo sem nenhum tipo de segurança embarcada. O fato é que os ataques virtuais estarão, sim, mais intensos durante a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. E por mais que a estrutura garanta uma boa segurança para quem estiver conectado, é fundamental que os internautas percebam que a responsabilidade é deles também e que busquem blindar seus gadgets, contribuindo assim para um ambiente mais seguro para todos.



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