COBERTURA ESPECIAL - Eventos - Naval

10 de Julho, 2014 - 10:10 ( Brasília )

“Amazonas” é um dos guardiões da segurança na Copa

Navio de patrulha oceânica já efectuou mais de mil abordagens desde o início do Mundial nas águas brasileiras e o PÚBLICO foi a bordo acompanhar como tudo se processa. A segurança do torneio já custou 660 milhões de euros aos cofres federais.

Paulo Curado
 

A embarcação suspeita foi detectada pouco depois das 10h da manhã desta segunda-feira. Estrategicamente localizado à entrada da Baía de Guanabara, com a cidade do Rio de Janeiro como pano de fundo, o navio patrulha oceânico “Amazonas”, da Marinha do Brasil, iniciou os contactos via rádio. Não obteve resposta. Aproximou-se do barco sinalizado, o pesqueiro “Arriba Guapo”, e insistiu.

O silêncio foi finalmente interrompido e o vaso de guerra, com respeitosos 90,5 metros de cumprimento, 1,8 toneladas, equipado com um canhão e quatro metralhadoras, avisou da abordagem iminente, intimando o alvo a parar os motores. Duas lanchas rápidas, transportando 12 fuzileiros navais, fortemente armados, galgaram velozmente os 200 metros que separavam as duas embarcações. Os militares subiram a bordo, reuniram e revistaram toda a tripulação na popa e começaram uma minuciosa inspecção.


Desta vez foi tudo a fingir: um simulacro carregado de dramatismo para exibir à comunicação social. Mas, desde o último dia 28 de Maio, altura em que arrancou a operação de defesa para a Copa do Mundo, o “Amazonas” já somou 1081 abordagens, “à séria”, ao largo das costas estaduais do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

No total, foram notificadas 236 embarcações e apreendidas 36, por problemas de documentação, falta de material de segurança ou outro tipo de ilegalidades. Para já, nada de demasiado grave, comparável a ameaças terroristas, transporte de armamento ou tráfico de drogas.

“Com a Copa, estas acções de vigilância foram intensificadas, com mais de duas dezenas de vasos de guerra envolvidos, que seguem pormenorizadamente as rotas de todos os navios que entram no nosso raio de acção”, explicou ao PÚBLICO o capitão-de-fragata Álvaro Lemos, na messe de oficiais, instantes antes do início do simulacro. Normalmente, quando não estão a ocorrer eventos internacionais relevantes no Rio de Janeiro, a principal missão desta frota passa essencialmente pelo patrulhamento da Zona Económica Exclusiva, com particular incidência nas áreas onde estão instaladas plataformas petrolíferas e reservas de pré-sal (gás e petróleo, localizadas em áreas profundas do Oceano Atlântico), assim como a prevenção de potenciais ameaças ambientais ou pirataria.

“A nossa tripulação é treinada para este tipo de acções e está preparada para fazer abordagens diurnas e nocturnas a qualquer navio que represente um risco à segurança ou aos interesses económicos brasileiros”, garantiu o capitão do “Amazonas”, um navio adquirido pela Marinha em 2012.

Curiosamente, uma das ameaças mais comuns ao funcionamento das plataformas petrolíferas, resulta da pesca ilegal. “Junto das estruturas submersas da maioria das plataformas a vida marítima é muito rica, o que atrai embarcações pesqueiras para a zona. Enquanto permanecem nas proximidades, por razões de segurança, toda a actividade de extracção de petróleo é interrompida acarretando graves prejuízos. A nossa missão passa também por localizar e afastar este tipo de embarcações dessas zonas nevrálgicas”, explicou.

O Mundial de futebol e as partidas realizadas no Rio de Janeiro, alteraram drasticamente toda esta rotina. “Quando são disputados jogos no Maracanã, os navios ficam no mar o tempo todo, cobrindo uma área que vai de Maricá à Barra da Tijuca [numa extensão costeira de aproximadamente 90 quilómetros] ”, pormenorizou Álvaro Lemos.

E quais são os riscos potenciais que podem chegar pelo mar? “A aproximação de embarcações mal-intencionadas junto de hotéis onde estão instaladas delegações políticas, membros da FIFA e selecções que disputam o torneio. Praticamente todos os edifícios em causa estão localizados na orla costeira.” O transporte de armamento para um eventual atentado está no topo das preocupações.

“Ganhámos alguma experiência neste tipo de operações durante a visita papal, na Jornada Mundial da Juventude [23 a 28 de Julho de 2013], mas também na Copa das Confederações [15 a 30 de Junho de 2013]. O actual procedimento servirá de modelo para os Jogos Olímpicos do Rio de 2016”, antecipou o capitão-de-fragata. No conjunto, a Marinha destacou especificamente para este Mundial 20 navios e 60 embarcações de pequeno porte.

Mobilizados 57 mil militares

A Marinha é apenas um dos ramos das Forças Armadas brasileiras em acção nesta Copa, que envolve ainda, de forma integrada, o Exército e a Força Aérea. No total, foram mobilizados 57 mil militares para garantir a segurança do evento, maioritariamente distribuídos pelas 12 cidades que acolheram a competição e por outros locais onde as selecções instalaram os seus quartéis-generais.

Cada cidade-sede conta também com um grupo especializado em defesa química, biológica, radiológica e nuclear, treinado para responder a ameaças terroristas. De prevenção, até ao final do torneio, estão ainda 21 mil efectivos, que entrarão em acção apenas no caso de esgotamento das capacidades das forças de segurança pública e se a sua intervenção vier a ser solicitada pelos governos estaduais e devidamente autorizada pela presidente Dilma Rousseff.



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