COBERTURA ESPECIAL - ESGE

16 de Maio, 2004 - 12:00 ( Brasília )

A hipótese final... um "golpe de estado " (Coup d´Etat) em Washington


America's military coup

A hipótese final... um "golpe de estado "
(Coup d´Etat) em Washington


Philippe Grasset
Editor De Defensa
Bélgica


 

Golpe militar e ditadura religiosa nos EUA: um cenário alternativo : uma análise séria sobre as possíveis conseqüências de uma ação global contra o terrorismo e seus reveses sobre a cultura ocidental.

Observar que o estudo foi lançado em Dezembro de 2002.
http://www.defesanet.com.br/esge/2002Dez.pdf

14 de Maio de 2004 - Hoje, em Washington todas as hipóteses são possíveis. A confrontação está por toda a parte. As audiências no Congresso, sobretudo quando referem-se a Paul Wolfowitz, são de uma agressividade excepcional. Washington vive sobre o uma influência que não sabe qual é, numa atmosfera estranha, única, um visitante descreveu como "elétrica antes que explosiva, como se, embora acontecimentos muito graves já aconteçam, cada um retêm a sua respiração esperando acontecimentos ainda mais importantes".

Sidney Blumenthal, antigo conselheiro de Clinton, e atual editor de Salon.com, evoca, no seu comentário do The Guardian, uma hipótese acadêmica de golpe de Estado aos EUA, a partir de um ensaio de 1992 de um oficial da Força Aérea, "The Origins of the American Military Goup of 2012". Coloca esta hipótese firmemente nas perspectivas da situação atual, resumida de resto pelo subtítulo de sua crônica: "Donald Rumsfeld tem uma nova guerra em suas mãos - o corpo de oficiais dos EUA voltou-se contra o governo."

A situação é totalmente inédita, com uma revolta maciça dos quadros das forças armadas, mas também de cada vez maior número de membros da comunidade de Washington, frente a um governo fixado em uma posição, da qual não pode, nem quer se mover. Em geral, o conflito faz-se ao redor da presença no Iraque, porque o desafio é menor, para os que se revoltam contra o governo. É este ponto que Blumenthal, homem em geral bem informado, e que centra a sua crônica sobre consultas oficiosas, com generais das forças armadas, evoca até a hipótese extrema de um Golpe de Estado (Coup d´Etat).

"William Odom, general aposentado e ex-membro do Conselho de Segurança Nacional, que está agora no Hudson Institute, um 'think tank' conservador, reflete um pensamento cada vez mais dominante nas administrações superiores das forças armadas. "nunca foi de nosso interesse entrar no Iraque," ele me disse. É uma "diversão" da guerra ao terrorismo; a razão da guerra do Iraque (procura de WMD) é "pífio". O US Army está muito disperso e a perspectiva de construir uma democracia é "zero". Na política iraquiana, diz, a "legitimidade está nos conduzindo a sair do país. A sabedoria em casos militares, dita a retirada, nesta situação. Nós não temos recursos para falhar, isso é sem nexo. O momento é de pararmos de falhar mais. Eu estou discutindo uma decisão estratégica." Um estrategista militar de alto-nível disse-me que Rumsfeld é " detestado ", e que "Se há um sentimento no US Army este é: Apoie nossas tropas, demita Rumsfeld ". "O International Foreign Council tem mostrado velhos filmes a seus membros, xomo: "A Batalha de Argel", descrevendo a natureza e os custos de um esforço com terrorismo, é a característica avaliada. Vendo as forças armadas opor-se a Bush e a Rumsfeld podemos relembrar o filme "Sete Dias em Maio", sobre um golpe encenado por um general direitista enfrentando um presidente e liberal fraco, um filme produzido, no tempo do governo do presidente Kennedy, nos anos 60..

Nunca falou-se de tal possibilidade de um golpe de Estado em Washington, na época moderna (e mesmo, no passado. Rumores tinham seguido a demissão de Nixon em Agosto de 1974, mas posteriormente, segundo os quais uma unidade dos US Marines estivesse de prontidão para se deslocar à Washington DC., para impedir a partida de Nixon. Estes mesmos rumores indicavam que o Secretário de defesa James Schlesinger, tinha tomado as medidas necessárias para evitar qualquer iniciativa desta espécie. Nos anos Kennedy, como evoca-o Blumenthal, os conflitos do presidente e o seu estado maior (em redor do general USAF Curtis LeMay) eram grandes, mas o filme como "Sete dias em Maio", produzido por John Frankenheimer, com o apoio Kennedy, constituiu-se em uma ação de interromper, qualquer tentativa de ação precipitada dos militares; e não houve nunca, certamente, uma ameaça real, de ações inconstitucionais. (Em contrapartida, uma das teses conspiratórias da explicação do assassinato de JFK leva evidentemente sobre a ação de militares associados a outras forças.)

Vê-se que estamos distante circunstâncias atuais, onde é acima de tudo a tentativa de bloquear uma situação paradoxal, com as pressões externas (caso Iraque) tremendas, que são a causa da tensão existente, e cujas hipóteses analisamos aqui. A outra diferença fundamental é que, são os extremistas que estão no poder hoje, enquanto que eram, no passado os chamados, provocadores criadores de tensões, os chamados moderados que podem ser conduzidos a uma ação ilegal. De certa maneira, os dois casos passados mencionados são, fictícios ou hipóteses. Mostra a complexa situação americana.

Defesanet

Philippe Grasset tem uma posição crítica contra a atual administração americana. Defesanet traz essa análise para introduzir o trabalho do Prof. Fernando G. Sampaio, ESGE( Veja quadro abaixo). Conectando essas análises podemos ter linhas de análises para os eventos de Abu Ghraib. O atual conflito entre a Administração do Pentágono ( chamada na linguagem militar americana de OSD--Office Secretary of Defense) já vem de vários anos. A tensão gerada pelos esforços de transformar a estrutura burocrática do Pentágono e após o próprio meio de operar dos Comandos Militares e o cancelamento de programa militares, como o Crusader e o helicóptero Comanche, tem explodido agora com os impasses, operacionais e estratégicos, no Iraque .

O excepcional estudo "TOWARD AN AMERICAN WAY OF WAR", do Tenente-Coronel Antulio J. Echevarria II, Diretor da Área de Segurança Nacional, no Strategic Studies Institute, do US Army. Demonstra com clareza as diferenças: conceituais, operacionais e dogmáticas entre o OSD e os Comando Militares. A linha de pensamento de Echevarria mostra que os atuais projetos levam a "vencer as batalhas, porém não vencer a guerra".

Em Outubro de 2003, o Almirante Zinni, ex-comandante do CENTCOM ( Central Command), área de operações do Iraque e Afeganistão expôs de forma direta a falta de visão estratégica das operações no Iraque.




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