| Asfixia
Energética
Paraguai: futuro chanceler vai priorizar Itaipu
Indicação
polêmica de Lugo, Alejandro Hamed diz que
a guerra no
Líbano o preparou para negociar com Brasil
Janaína Figueiredo
BUENOS AIRES. Um
dia depois de ter sido designado pelo presidente
eleito do Paraguai, Fernando Lugo, como ministro
das Relações Exteriores do futuro
governo, o atual embaixador do país no Líbano,
Alejandro Hamed, assegurou estar preparado para
comandar as negociações com o Brasil
para reajustar as tarifas de Itaipu, "pois
está vindo de uma guerra". Depois da
posse de Lugo, com data marcada para o próximo
dia 15 de agosto, uma das principais prioridades
do novo governo paraguaio será, segundo o
próprio presidente eleito confirmou, renegociar
as tarifas pagas pelo Brasil pela energia elétrica
importada do Paraguai.
- Estou preparado.
Venho de uma guerra, rapazes, não se esqueçam
- disse Hamed.
O historiador, que
é descendente de sírios e autor de
vários livros nos quais defende a causa palestina,
deverá trabalhar junto com o futuro diretor
paraguaio de Itaipu, o ex-senador Carlos Mateo,
do Partido Liberal, que integra a Aliança
Patriótica liderada por Lugo. A nomeação
de Mateo provocou a renúncia de Milda Rivarola,
primeira opção do presidente eleito
para estar à frente do Ministério
das Relações Exteriores.
Durante a campanha
eleitoral, Lugo assegurou que buscará "um
preço justo, um preço de mercado"
para a energia que o Brasil importa do Paraguai.
- Hoje, o Brasil
nos paga US$2,72 por megawatt/hora, e no Brasil
as distribuidoras cobram US$72 pela mesma unidade.
São muitos os brasileiros que compreendem
nossa demanda e nos apóiam - declarou o presidente
eleito, em entrevista ao GLOBO.
Novo ministro
pretende reabrir Embaixada em Israel
Os dois países
formaram uma comissão técnica para
analisar o pedido paraguaio, que começará
a funcionar após a posse do novo governo.
Hamed também
deverá encarar um delicado relacionamento
com o governo dos Estados Unidos, que, segundo informou
recentemente o porta-voz de Lugo, Hermes Rafael
Saguier, recusou um visto para o futuro chanceler
paraguaio. Hamed seria suspeito de ter vínculos
com grupos extremistas islâmicos, entre eles
o Hezbollah. Segundo confirmaram fontes vinculadas
a Lugo, o embaixador foi acusado de emitir ilegalmente
vistos a libaneses, denúncia que ainda está
sendo investigada pela Chancelaria paraguaia. Em
declarações à imprensa local,
Saguier chegou a dizer que o diplomata não
seria o mais indicado para o cargo porque os EUA
suspeitam de ligações entre ele e
grupos árabes fundamentalistas.
Ontem, o futuro
ministro das Relações Exteriores do
Paraguai negou ser anti-semita e disse estar disposto
a reaproximar seu país de Israel.
- Estamos estudando
a possibilidade de reabrir nossa embaixada em Tel
Aviv o mais rápido possível - assegurou.
Na tentativa de
explicar algumas de suas posições
sobre o conflito no Oriente Médio, o futuro
chanceler do governo Lugo argumentou que "não
pode haver segurança total em Israel se não
for criado um Estado palestino no território
já designado, com Jerusalém Oriental
como capital para os palestinos."
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