04 Março 2008
09:15 Horas
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Eventos
Busca Arquivo
  Defesa@Net
A Empresa
Equipe
 


Energia - Energy

DEFESA@NET 04 Março 2008
VEJA 05 Março 2008 Edição

Asfixia Energética

O encrenqueiro mora
ao lado

O candidato favorito nas eleições paraguaias quer forçar o Brasil a pagar mais por Itaipu

Duda Teixeira, de Assunção

O barão do Rio Branco, criador da moderna diplomacia brasileira, enviou em 1905 uma carta ao seu representante no Paraguai com a seguinte mensagem: "Um vizinho turbulento é sempre um vizinho incômodo e perigoso". Nas próximas eleições presidenciais paraguaias, em 20 de abril, um recado similar poderia partir de Brasília. O "vizinho turbulento", no caso, é Fernando Lugo, candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto. Ele adotou como bandeira uma curiosa e paroquial versão da desacreditada teo-ria da dependência. A originalidade dessa reformulação reside na substituição dos Estados Unidos pelo Brasil no papel de inimigo externo, com ambições imperialistas. Há duas providências que Lugo promete tomar, caso venha a se sentar na cadeira de presidente. A primeira é multiplicar por sete o valor que o Brasil paga atualmente pela energia fornecida pela usina de Itaipu, passando de 250 milhões para 1,8 bilhão de dólares por ano. A segunda é uma "reforma agrária integral". Para os fazendeiros brasileiros com terras no país vizinho, o adjetivo significa que suas propriedades estão em risco.

Ele pretende realmente declarar guerra aos brasiguaios? Em muitos aspectos práticos, os planos de Lugo são um enigma. Pode-se, por analogia, dimensionar seu potencial de vizinho encrenqueiro. A versão paraguaia do MST, da qual o candidato é um dos patronos, invade de preferência a propriedade de brasileiros. Há também o Movimento Tekojoja, que faz parte da coalizão por trás da candidatura e só tem como razão de existência a luta contra "o imperialismo brasileiro". A defesa que Lugo faz de uma "soberania energética" lembra a retórica do boliviano Evo Morales. Este pegou o Brasil desprevenido e expropriou duas refinarias da Petrobras, em 2006. "Como disse Evo a Lula, não queremos um preço solidário, queremos um preço justo", afirma Lugo. Um avanço paraguaio sobre a usina binacional da forma feita por Morales, com uma truculenta ocupação militar, não apenas é improvável, mas totalmente inviável. A relação de forças entre os dois países e os interesses envolvidos são totalmente diferentes. "Como a energia de Itaipu é muito mais importante que o gás natural da Bolívia, Lugo tem tudo para dar mais dores de cabeça ao Brasil do que Morales", diz o historiador Francisco Doratioto, autor de Maldita Guerra, o mais abrangente livro sobre a Guerra do Paraguai.

Itaipu, que pertence em partes iguais aos dois países, é responsável por 20% da energia elétrica consumida no Brasil. Ela é a grande geradora de eletricidade para a indústria das regiões Sudeste e Sul. Pelo acordo entre Paraguai e Brasil que permitiu a construção da hidrelétrica, cada um tem o direito de usar metade da energia produzida. Caso não a utilize, sua obrigação é vendê-la ao parceiro. O Paraguai vende ao Brasil 87% da energia a que tem direito. Para um país que não desembolsou nem 1 centavo pela obra (totalmente paga pelo Brasil), trata-se de um excelente negócio. O cálculo do preço da energia de Itaipu é feito com base nas regras definidas pelo tratado bilateral de 1973. O Brasil paga 74 reais pelo megawatt/hora de Itaipu, o que está longe de ser uma pechincha. O valor pago a outras usinas varia de 50 a 95 reais por megawatt/hora.

Lugo, de 56 anos, tornou-se conhecido como bispo da Província de San Pedro, onde se concentram os maiores conflitos por terra no Paraguai. Partidário da Teologia da Libertação, ele aderiu ao MST e passou a ser chamado de "bispo dos pobres". Em dezembro de 2006, pendurou a batina para concorrer à Presidência. A Constituição paraguaia proíbe religiosos de se candidatar a cargos políticos, mas seus adversários perderam o prazo para pedir sua impugnação. Em entrevistas a jornais paraguaios, ele diz que o "socialismo do século XXI" do venezuelano Hugo Chávez é "muito estimulante". Quando fala à imprensa brasileira, cuida das palavras. Em entrevista a VEJA, na sala de sua casa em Assunção (onde vive em companhia de uma freira e dois sobrinhos), Lugo fez questão de demonstrar a distância existente entre seu projeto político e o de populistas no poder em outros países. "Há muitas diferenças entre mim e Chávez ou Morales. Não quero ficar mais do que dois mandatos, não sou um militar nem pretendo impor um partido único ao país", disse.

O Paraguai é um país pequeno, de economia diminuta. Seu produto interno bruto (PIB) é de 11 bilhões de dólares, menos do que o orçamento municipal de São Paulo. A falta de relevância do país torna as coisas piores: ninguém está preocupado com as eleições paraguaias – só o Brasil. O que vai acontecer depende, evidentemente, das urnas. A diferença entre Lugo e os outros dois concorrentes – Lino Oviedo e Blanca Ovelar – está em torno de 8%. Lino, o general que tentou um golpe em 1996 e passou anos exilado no Brasil, e Blanca, a candidata do governo, estão tecnicamente empatados. Não será surpresa se ela ganhar, visto o poder de mobilização do Partido Colorado, que governa o país desde os anos 40. Um em cada quatro paraguaios é colorado de carteirinha. Há risco de ambos os candidatos se deixarem contaminar pelo discurso "Itaipu es nuestra". Blanca é a mais vulnerável. Em entrevista a VEJA, ela disse que pretende criar uma comissão para estudar o tratado antes de pedir uma renegociação com o Brasil.

Como sempre, quem mais tem a temer de um presidente populista são os próprios paraguaios. Os populistas acreditam que a riqueza de um país está em seus recursos naturais e no nacionalismo econômico. Os exemplos da China e da Coréia do Sul mostram que a educação universal, o investimento em tecnologia e a abertura econômica são o único caminho de eficiência comprovado. Meio milhão de brasileiros e seus descendentes vivem no Paraguai (8% da população). Eles são responsáveis por 98% da produção de soja, o principal produto de exportação do país (54% do total). Muitos paraguaios se ressentem de ser vistos no Brasil como falsificadores – uma fama decorrente do contrabando que vem de Ciudad del Este. O fato real é que, mesmo sem incluir a muamba, o Brasil é o maior parceiro comercial do Paraguai. Lugo quer esfriar essa amizade.

 

DEFESA@NET

EN BINACIONALES HAY “TRAIDORES A LA PATRIA” - ABC Color - 2006 http://www.defesanet.com.br/energia/br-py/abc_26jun06_1.htm

Quienes traficaron la soberanía nacional en Itaipú son traidores de la patria - ABC Color - 2006
http://www.defesanet.com.br/energia/br-py/abc_26jun06.htm

   
   
 

 

 

 

  Matérias Relacionadas
xx

NACIONALIZACIÓN DE HIDROCARBUROS

DECRETO SUPREMO Nº 28701

Texto completo del Decreto Supremo Nº 28701
de Nacionalización de los Hidrocarburos
Link

Nota dos Pesidentes em Puerto Iguazú
04 Maio 06
Link


Textos das Declarações ALBA e TCP - Havana 29 Abril 2006
08 Mai 06
Link

   

© 2006 Defesa@Net™- Direitos Reservados