26 Dezembro 2007
12:15 Horas
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Eventos
Busca Arquivo
  Defesa@Net
A Empresa
Equipe
 


Notas Estratégicas - Strategic Notes

DEFESA@NET 26 Dezembro 2007
JB 26 Dezembro 2007

Asfixia Energética
O Brasil não foi dissuasor

Alberto Cardoso,
General-de-Exército da reserva e
ex-ministro de Segurança Institucional

No campo da defesa nacional, dissuasão deve ser entendida como uma atitude do Estado com vista em evitar a guerra por meio de sua capacidade retaliatória, preservando os interesses vitais e a soberania do país. É uma idéia ampla, que abrange a participação de todos; não apenas da diplomacia e das Forças Armadas.

Um país pacífico se torna dissuasor pelo conjunto integrado - e ponderado, de acordo com a natureza do contencioso - de suas expressões política, econômica, tecnológica e militar; pela coesão e vontade de seu povo; e pela percepção que este tem da relevância do Estado. Igual integração sinérgica é necessária para um país que deseje iniciar um conflito armado. A diferença está na destinação do poder e, quanto à dissuasão, na importância fundamental de o adversário: (1) conhecer esse poder; (2) acreditar na vontade do outro de empregá-lo, se atacado; (3) avaliar os danos que lhe poderiam ser impostos pela retaliação; e (4) estimar que não os possa suportar.

Sobre o relativismo nas relações internacionais, Montesquieu é cabal em O espírito das leis: "O direito das gentes se baseia naturalmente neste princípio: as várias nações devem fazer-se mutuamente o maior bem possível, em tempo de paz, e o menor mal possível, durante a guerra, sem prejudicar seus genuínos interesses".

Assim, considerados os contextos, a capacidade de uma nação impor seus genuínos interesses é proporcional à sinergização das suas capacidades setoriais, denominada poder nacional. O cotejo entre os diversos poderes nacionais hierarquiza as capacidades de dissuasão. Essa é a ética pragmática do poder das nações. Não a reconhecer e praticar é, nos extremos, tolerância excessiva ou bravata.

Na análise da ocupação das refinarias do Brasil (não da Petrobras) pelo Exército da Bolívia e dos fatos que se seguiram, há uma primeira e fácil conclusão: claramente, não se tratava de retaliar com uma ação armada. Nesse ponto, agiu bem o governo, interpretando com equilíbrio um dos objetivos da Política de Defesa Nacional: "Defesa dos interesses brasileiros no exterior".

Julgo, porém, que, a partir daí, a gestão da crise se revestiu de uma tolerância - que, em muitos episódios, excursionou pelos terrenos da leniência - danosa para a reputação regional do país. Do lado de lá, bravata; do lado de cá, tolerância excessiva.

Já não houvera boa gestão do risco. Por isso, a crise sobreveio, surpreendeu, e nos pegou sem alternativas planejadas para conquistar a iniciativa. Como o risco não foi bem administrado, não houve dissuasão, numa área da economia - a energia - de interesse vital para o país, portanto assunto de segurança e defesa nacional.

Toda gestão incorreta do risco e da crise tende a criar riscos maiores. No caso, a possibilidade mais séria é a de países candidatos à liderança regional entenderem que nossa reação foi tíbia porque o gigante está nu e que qualquer arremedo de funda de Davi pode derrubar o descuidado Golias. E, então, haja capacidade dissuasória.

Igual preocupação merece a defesa da Amazônia, dos campos de petróleo no Atlântico e do aqüífero Guarani, com olhos para além da América do Sul.

A notícia de aumento do orçamento das Forças Armadas em 2008 e anos seguintes é boa. Há algum tempo, as Forças vêm fazendo das entranhas coração para sobreviver quase que só com os recursos do custeio, em detrimento de investimentos indispensáveis à modernização. Logo, à custa do seu poder dissuasório. Não é o que tem ocorrido com outros países da região.

Os novos recursos, num primeiro momento, provavelmente "taparão buracos" com medidas de recuperação dos materiais, ora sucateados. Todavia, conviria que viessem a ser maciçamente empregados na aquisição de equipamentos na indústria nacional autêntica, e no investimento em pesquisa e desenvolvimento, com vista no domínio de tecnologia que se constitua no grande diferencial de dissuasão em cada hipótese consistente de emprego das Forças Armadas. Vislumbro uma única exceção na aquisição urgente dos caças para a Força Aérea.

Decisão semelhante foi tomada pelos EUA, em 1934, com base no Buy America Act, com os resultados hoje vistos por todos. Já existe medida provisória que visa à sustentabilidade de uma base industrial de defesa e que ampararia esta decisão. Ela precisa ser transformada no nosso Buy Brasil Act.

Então, o Brasil estará no rumo de uma sólida capacidade de dissuasão, independentemente dos grandes fornecedores internacionais de equipamento militar, por um lado, e sem permitir dúvida quanto a seu poder de retaliação, pelo outro lado. Então, 2006 e 2007 serão páginas viradas.

DEFESA@NET

Petrobras apresenta Plano de Negócios para a Área de Gás e Energia -
Estão previstos US$19,2 bilhões para desenvolver a cadeia brasileira de gás até 2012
http://www.defesanet.com.br/energia1/br_energia.htm

Petrobras retorna al país con inversiones y sin condiciones
http://www.defesanet.com.br/energia1/br_bo.htm

Defesa @ Net

Carta de Ildo Sauer ex-Diretor da àrea de Gás e Energia da Petrobras - 23 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/energia1/sauer.htm

Reportaje exclusivo al ministro de hidrocarburos de Bolivia, Andres Soliz Rada
http://www.defesanet.com.br/energia/br-bl/17mai06_el_mundo.htm

Petrobras se arma para embate jurídico na Bolívia - relatório reservado - 19 Abril 2006
http://www.defesanet.com.br/energia/gas_19abr06_rr.htm

Petrobras quer inibir uso de gás
http://www.defesanet.com.br/energia/petrobras_gas.htm

"Quem controla o gás que a Petrobras tira da Bolívia?"
http://www.defesanet.com.br/energia/bolivia_mamani.htm

É a política Petrobras - IstoÉ Dinheiro
http://www.defesanet.com.br/energia/bolivia_petrobras.htm

Além do Fato: Integração energética sul-americana
http://www.defesanet.com.br/energia/mercoenergia.htm

   
   
 

 

 

 

  Matérias Relacionadas
xx

NACIONALIZACIÓN DE HIDROCARBUROS

DECRETO SUPREMO Nº 28701

Texto completo del Decreto Supremo Nº 28701
de Nacionalización de los Hidrocarburos
Link

Nota dos Pesidentes em Puerto Iguazú
04 Maio 06
Link


Textos das Declarações ALBA e TCP - Havana 29 Abril 2006
08 Mai 06
Link

 
 

Estudo sobre fontes de Petróleo 2 MB pdf

   
  Gen Lessa:
O Custo da Imprevidência

Tribuna 05 Maio 06
   
  Lula apóia Morales
e vê erro
estratégico em dependência

FSP 04 Maio 06
   
  Chávez afirma estar "às ordens" da Bolívia
FSP 04 Maio 06
   
  Gen. Lessa: Lula subestimou o assunto
OESP 04 Maio 06
   
  Petrobras diz que não aceita aumento do gás
FSP 04 Maio 06
   
  The diminishing of Brazil
The Economist 11 Mai 06
   
  PDVSA inicia ofensiva em La Paz
OESP 05 Maio 06
   
  Decreto de Evo só atinge Petrobrás
OESP 05 Maio 06
   
  Em tom desafiador,
Morales diz que
exploração da Bolívia
acabou

Reuters 11 Mai 06
   
 

A Diminuição do Brasil
FSP 11 Mai 06

© 2006 Defesa@Net™- Direitos Reservados