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Petrobras quer inibir uso de gás
Presidente
da estatal diz que o 'Brasil não suporta ter um mercado
de gás crescendo 20% ao ano'; térmicas terão
prioridade
Nicola
Pamplona
Kelly
Lima
RIO
- A Petrobrás pode lançar mão de medidas
de desestímulo ao uso do gás natural em indústrias,
comércio ou veículos, informou ontem o presidente
da companhia, José Sérgio Gabrielli. Ao detalhar
o plano de negócios da estatal para o período
2006-2010, ontem, o executivo informou que as térmicas
terão prioridade entre os consumidores do combustível
e admitiu que os preços para outros usos deverão
aumentar. "O Brasil não suporta ter um mercado
de gás crescendo 20% ao ano", afirmou Gabrielli.
Segundo
o plano de negócios, o País estará
consumindo 99,3 milhões de metros cúbicos
de gás por dia em 2010, volume 28% maior que o estimado
na última versão do documento, de 2003. O
segmento que mais ganhou espaço no novo plano foi
o térmico, cuja estimativa de consumo em 2010 passou
de 27,1 milhões para 46,4 milhões de metros
cúbicos por dia.
A
previsão para a indústria teve pequena alta,
de 36,7 milhões para 39,1 milhões de metros
cúbicos por dia. Já a estimativa para outros
usos para o gás, onde se inclui o gás natural
veicular (GNV), ficou estagnada em 13,8 milhões de
metros cúbicos por dia.
A
preocupação com o crescimento do mercado brasileiro
de gás já foi externada pelo governo em diversas
ocasiões. Estudos do setor alertam para o risco de
falta do combustível já a partir de 2007.
A falta de novas fontes de oferta, principalmente após
a crise boliviana, nublou ainda mais o cenário. Com
o aumento de impostos naquele País, diversos projetos
foram suspensos, até que a indústria se adapte
à nova realidade.
Gabrielli
informou que a Petrobrás mantém o projeto
de ampliação do gasoduto Bolívia-Brasil
dos atuais 30 milhões para 34 milhões de metros
cúbicos por dia, apesar da crise no país vizinho.
Além disso, a empresa antecipou as operações
do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, para 2008.
Assim, o País estará produzindo 69,6 milhões
de metros cúbicos por dia em 2010, volume que, somado
às importações da Bolívia, vai
garantir o suprimento, segundo o executivo.
A
mudança no cenário foi provocada por alterações
na regulação das térmicas promovidas
pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Agora, todas as usinas têm de provar que terão
gás suficiente para operar a plena capacidade. Gabrielli
disse que a operação simultânea das
usinas é pouco provável, mas a estatal terá
de disponibilizar todo o volume previsto nos contratos.
Segundo
o presidente da Petrobrás, o aumento do preço
do gás anunciado na sexta-feira ainda não
pode ser encarado como medida de desestímulo ao consumo.
"Estamos apenas repassando alta de custos", explicou.
Mas ele avalia que o preço do gás para uso
não térmico é muito barato no País
e algumas indústrias podem usar combustíveis
alternativos. A própria estatal está convertendo
suas usinas para se tornarem bicombustíveis, a fim
de garantir mais flexibilidade no mercado de gás.
A
empresa manteve o projeto do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene)
em seu plano de investimentos, mas agora com início
de operações previsto para 2008, um ano depois
da estimativa inicial. O presidente da Petrobrás
informou que uma licitação para encomenda
de materiais está em curso.
No
novo plano de negócios, que prevê investimentos
de US$ 56,4 bilhões até 2010, a Petrobrás
reduziu em pelo menos um ponto porcentual o conteúdo
nacional médio de seus projetos, de 66% para 65%.
A maior redução foi na área de exploração
e produção, de 61% para 51%. Segundo Gabrielli,
essa queda foi motivada por um aumento no número
de afretamentos de unidades de produção que
estão sendo feitos para acelerar projetos.
Um
exemplo desse caso é o do plano de exploração
do campo de Golfinho, que possui óleo leve e deverá
entrar em operação já em 2006, em vez
de apenas em 2008, se a empresa optasse pela construção
de uma nova plataforma.
Manter
a média de conteúdo nacional em torno de 65%
significa que ficarão no País investimentos
da ordem de US$ 6,2 bilhões por ano até 2010.
Os setores de construção e montagem e aquisição
de materiais serão os mais fortalecidos, com 77%
dos investimentos. No total serão criados 160 mil
empregos diretos e 501 mil indiretos até 2010, segundo
a Petrobrás.
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