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Matérias
em anexo àentrevista de José Sergio Gabrielli,
Presidente da Petrobras
Link da Entrevista
Plataforma desconhecida
Com
Cristiane Crelier
A
expressão auto-suficiência deverá cair
na boca do povo ao longo de 2006, a reboque do esperado
recorde de produção da Petrobras, de 1,9 milhão
de barris por dia de petróleo, entre abril e maio.
Até lá, porém, o governo terá
que convencer o consumidor sobre os benefícios de
se atingir tal meta e fazê-lo esquecer de obstáculos
mais imediatos, como a perspectiva de novas altas dos preços
do gás natural veicular (GNV).
Nos postos de gasolina do Rio, a expressão auto-suficiência
ainda é uma ilustre desconhecida. O administrador
de vendas André Pereira de Souza, de 32 anos, é
um dos que jamais ouviu falar da novidade e torce para sair
ganhando, como consumidor.
-
Não estou sabendo que o Brasil será auto-suficiente
em petróleo. Se isso ocorrer, espero que o preço
caia - sonha, enquanto abastece o carro com GNV, para o
qual migrou devido ao menor custo.
A
advogada Elaine Tourino, 36 anos, é outra que aderiu
ao GNV e, apesar dos recentes aumentos do combustível,
ainda não se sente traída. Para ela, a gasolina
oferece menos vantagens.
-
Mesmo com o preço do gás em alta, vale a pena,
porque a gasolina continuará muito cara - prevê,
cética em relação a possíveis
ganhos com a alardeada auto-suficiência.
Auto-suficiência,
'ouro de tolo'
Decantada ao longo dos anos como a solução
para os problemas de abastecimento energético do
país, a tão sonhada auto-suficiência
do petróleo chegará finalmente até
maio próximo, no auge da campanha presidencial. Analistas
avaliam, no entanto, que, ao contrário do que se
esperava, a conquista se revelará inócua:
se o consumidor espera queda no preço da gasolina,
deve se preparar para a decepção.
Para
esses analistas, por mais que o presidente da Petrobras,
José Sérgio Gabrielli, e o ministro de Minas
e Energia, Silas Rondeau, acenem com uma nova realidade
de preços nos próximos anos, o não
reajuste da gasolina e do óleo diesel pode comprometer
a capacidade de investimento da Petrobras. Para o consultor
Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE),
a opção por uma política de preços
''populista'' para os combustíveis encerra riscos
para a manutenção da própria auto-suficiência.
Daí ser pouco aconselhável, e até mesmo
improvável, um descolamento de preços internos
e externos capaz de impedir reajustes em 2006.
Além
disso, avalia o economista Edmar Almeida, do da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os benefícios macroeconômicos
da auto-suficiência, como a ligeira melhoria para
o saldo comercial do país, serão neutralizados
por fatores como a alta carga de impostos sobre os combustíveis.
(R.R.M.)
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